Um projeto de futuro

por João Pombo Barile 14/06/2012 11:33

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Daniel Mansur/divulgação, Geraldo Goulart
Setor metalmecânico será o primeiro a receber incentivos para gerar empregos de qualidade (foto: Daniel Mansur/divulgação, Geraldo Goulart)

Não é segredo para ninguém que a economia mineira do século XXI ainda é puxada pela exportação de produtos primários e de baixo valor, como minério de ferro, placas de aço, carne, soja em grãos e milho. Ao desembarcar em países mais industrializados, contudo, tais produtos se transformam, nas mãos de trabalhadores treinados e bem pagos, em máquinas e equipamentos de alta tecnologia ou alimentos processados. De lá, são vendidos para várias partes do mundo – inclusive Brasil. A equação, portanto, é perversa: Minas perde dinheiro com a venda de matéria-prima barata e, ao mesmo tempo, deixa de  gerar empregos qualificados. Só para se  ter uma ideia, do total exportado pelo estado em 2010 (US$ 31,2 bilhões), 82% foram de produtos básicos ou semi-manufaturados.

 

Para tentar virar o jogo e mudar a equação, o governador Antonio Anastasia lançou, no final de maio, o Programa de Agregação de Valor ao Produto Mineiro (ProValor), parceria do estado com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e a Escola de Engenharia da UFMG, que fará a ponte necessária para maior integração entre academia e indústria. O objetivo é fazer com que a indústria mineira seja capaz de fabricar produtos de ponta, com tecnologia avançada e alto valor agregado, utilizando mão de obra qualificada. Num primeiro momento, o plano fará um diagnóstico (que deve ficar pronto em um ano) do segmento metalmecânico, um dos principais setores da indústria de transformação mineira. O foco inicial será na indústria de porte médio.

 

O projeto piloto será implantado na região do Vale do Aço (onde estão as tradicionais siderúrgicas mineiras e parte das reservas de minério do estado) e será coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. “Não podemos nos iludir: no mundo contemporâneo, somente a inovação vai gerar novos negócios”, diz Fábio Veras, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. “Por que o Vale do Silício, nos Estados Unidos, é hoje uma das mais importantes regiões do planeta? Porque investiu em inovações científicas e tecnológicas e conseguiu aliar esse conhecimento à indústria”, explica o secretário-adjunto.

 

Para Veras, é fundamental que governo e iniciativa privada ajam em conjunto para que o setor industrial mineiro seja aprimorado. E para que, dessa maneira, consiga gerar empregos de mais qualidade. “Esta é, alias, uma das prioridades do governador. Um governo moderno deve ajudar a gerar não apenas novos empregos, mas empregos de qualidade”, afirma. “Pense no setor automotivo: quantas empresas são necessárias para a fabricação de um automóvel? Por trás de cada peça há uma fabrica; por trás de cada fábrica, um empresário, setores econômicos, muitos trabalhadores e, claro, o governo fomentando este desenvolvimento. Um produto é muito mais que a soma das partes”, explica.

 

O secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Fábio Veras: "A diversificação de atividades é uma forma de fortalecimento das economias regionais”
 

 

Para o professor Lin Chin Cheng, da Escola de Engenharia da UFMG e um dos mais ativos participantes da parceria, a universidade pode contribuir muito para o progresso do estado: “Temos vários professores na escola com muito conhecimento na área, que poderão ministrar cursos e transferir conhecimento para várias empresas da região”.

 

Um dos maiores entusiastas do projeto, Anastasia esbanjou otimismo no lançamento do programa ProValor, durante a cerimônia do Dia da Indústria, em 24 de maio, no Expominas: “Queremos dar um salto qualitativo no planejamento econômico de Minas Gerais, a partir de um diagnóstico setorizado da indústria mineira, de sua aproximação com as necessidades do mercado e uma maior interação entre o setor produtivo e o meio acadêmico”.

 

O setor metalmecânico foi priorizado por uma questão estratégica: o governo está preocupado com seu esvaziamento em regiões como os vales do Aço e do Rio Doce. Em 2010, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego na região do Vale do Aço foi de 10,18%. No Vale do Rio Doce, de 8,78% – bem maior do que a média do estado, que hoje está em 6,7%.

 

“Esse indicador reforça a necessidade de um olhar especial para essas regiões”, afirma Veras. “Além do desemprego, escolhemos fazer o projeto-piloto no Vale do Aço em função das mudanças pelas quais a economia da região está passando”, explica. “O Vale do Aço está deixando de ser dependente do desempenho de apenas uma empresa ou produto. A diversificação de atividades é uma forma de fortalecimento das economias regionais”, diz Veras.

 

Para o empresário Luciano Araújo, presidente da Fiemg no Vale do Aço, a principal virtude do projeto é conseguir ajudar a pensar o futuro da região: “Estamos otimistas com o projeto, que começará aqui e depois poderá ser replicado em outras regiões do estado”.

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