A arte transforma vidas

por Rafael Campos - Revista do Correio 15/06/2012 06:50

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João Carlos Martins
A dona de casa Ivânia Aparecida: “Foi difícil, tive de insistir, quase desisti, mas consegui" (foto: João Carlos Martins)

Em um casarão do século XVIII, na parte central de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, a arte ganha forma e transforma a vida de muita gente. "Hoje, sou outra pessoa. A minha vida mudou completamente", diz a dona de casa Ivânia Aparecida Oliveira, 52 anos, que há dois ganhou outro ofício: o de escultora. Ela é uma das alunas da Casa Aristides Atelier de Artes de Ofícios, escola que oferece pelo menos 15 cursos gratuitos e profissionalizantes. O projeto da prefeitura novalimense agora está reforçado pela Usiminas, um apoio que vai facilitar e impulsionar a compra de equipamentos e de materiais importantes para os cursos ministrados no casarão, que fica na praça Coronel Aristides.

 

Sem esconder a satisfação, Ivânia revela que conheceu a escola por acaso, ao ver alguns trabalhos produzidos no espaço sendo expostos na cidade. Para ela, valeu a pena o esforço para se transformar em uma artista. “Foi difícil, tive de insistir, quase desisti, mas consegui aprender”, afirma a mãe de dois filhos, enquanto finalizava mais um trabalho − uma imagem de São Vicente de Paula.

 

O exemplo de Ivânia motiva ainda mais o trabalho dos professores e dos coordenadores do projeto, que este ano completa 15 anos. Segundo Fabíola Simões Felix, coordenadora de cursos, a Casa Aristides nasceu a partir de uma demanda da cidade: produzir um artesanato próprio, com a marca do município. “Começamos como escola de reciclagem, a primeira do Brasil, e ensinávamos a arte de transformar objetos − como garrafas pet, caixas de leite e de suco, entre outros materiais úteis − em objetos de decoração”, explica. Ao longo dos anos, o projeto foi aperfeiçoado e ganhou novos horizontes, com os cursos de marchetaria, cerâmica, bordado, desenho, culinária e muitos outros. Atualmente, cerca de 400 alunos – a partir de 12 anos – estão matriculados.

 

Rafael Guimarães, Felipe Mayer e Gustavo Henrique: jovens e talentosos artistas que usam o desenho como forma de expressão
 

 

A escola já colheu bons frutos. Várias pessoas foram premiadas pelo Brasil afora. O estudante Gustavo Henrique Silva, 17 anos, que tem o desenho como paixão, está neste caminho. Este ano, ele foi premiado pelo Salão de Artes Visuais em Nova Lima. A simetria e a perfeição de seus traços impressionam. “Abuso de todos os meus recursos. Sou um pouco psicodélico”, revela. E não é difícil encontrar outros jovens artistas. Felipe Mayer Gomes, 14 anos, aprendeu que “desenhar não é só fazer rabiscos ou traços. É abusar das manchas, das perspectivas e da união de luz e sombra”. Rafael Guimarães Protzner, também de 14 anos, se espelha em ninguém menos que Leonardo Da Vinci, um dos grandes gênios renascentistas. “Agora, quero aprender a desenhar aquarelas”, garante.

 

Ao lado da aluna de bordado Sandra de Fátima Ferreira, 47 anos, a professora Isabel Francisco Ragonezi, 68 anos, destaca a satisfação de também oferecer às bordadeiras um momento de alegria e diversão. “A aula eleva a autoestima delas; o astral é ótimo, sempre para cima”, garante Isabel, que, depois de se aposentar, resolveu voltar à ativa ensinando a arte das agulhas e linhas.

 

Na Casa Aristides há espaço também para aprender culinária e para usar ao máximo o potencial dos nutrientes dos alimentos. “Quero seguir carreira na gastronomia”, afirma a estudante Fabiane Nataly Silva, 17 anos, depois de aprender a fazer um delicioso suco de inhame, maçã e maracujá. 

 

 

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