Palco sem fronteiras

por Pabline Félix 15/06/2012 07:05

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Victorino Tejaxun/divulgação, João Carlos Martins
OXLAJUJ B'AQTUN - Espetáculo da Guatemala em cartaz dias 17 e 18, no Parque Municipal Rosinha Cadar (foto: Victorino Tejaxun/divulgação, João Carlos Martins)

Da tradicional arena teatral para ruas, praças, parques, marquises e até elevadores. A 11ª edição do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT-BH), que começa dia 9 de junho, quer ser lembrada por transformar em palco os mais inusitados lugares da cidade. O esforço por descentralizar os ambientes culturais de Belo Horizonte, principal marca do festival, chega neste ano a seu ápice: 60 diferentes espaços receberão 143 apresentações de 41 espetáculos – sendo 19 internacionais e 12 nacionais, escolhidos pela curadoria de Marcelo Bones, Grace Passô e Yara de Novaes, e 10 apresentações locais selecionadas por meio de um edital publicado pela Fundação Municipal de Cultura.

 

Essa é a maior programação em 18 anos de existência, informa Rodrigo Barroso, coordenador geral do FIT-BH. “Nossa preocupação nunca foi estabelecer recordes. Isso foi uma consequência da nossa busca original, que é ‘espacializar’ ao máximo o festival e possibilitar a toda cidade beneficiar-se dessa política pública transformadora”, afirma.

 

Segundo Barroso, a programação deste ano trará 50% dos espetáculos na rua, distribuídos pelas nove regionais da prefeitura. Esta dispersão se relaciona à principal novidade da edição: a escolha de um conceito para nortear o trabalho da organização do festival é medida inédita. “Todos os espetáculos participantes abordam o conceito de ‘fronteiras’ a partir de três eixos: o primeiro é a fronteira do teatro com as outras artes, como música, vídeo, cinema, artes plásticas. Teremos um intercâmbio entre mídias muito grande. O segundo é a fronteira com a cidade: o teatro existe como lazer, mas também serve para discutir as preocupações do urbano. Por isso a importância de se ocupar o espaço público com a arte.

 

Rodrigo Barroso, coordenador do FIT-BH; Thaís Pimentel, presidente da Fundação Municipal de Cultura; e Marcelo Bones, diretor artístico do evento: os responsáveis pelo segundo maior festival internacional de teatro do Brasil
 

 

O terceiro eixo discute a fronteira do teatro entre países, que supera as visões locais para atingir temas universais”, explica Marcelo Bones, diretor artístico do festival. “Estamos falando de discutir tanto as fronteiras físicas quanto as ideológicas, sociais, políticas. É pensar que o teatro é uma forma de expressão universal e que se ocupa, na atualidade, de lançar perguntas – e, às vezes, de tentar respondê-las – sobre o mundo em que vivemos e que construímos, que é tão diverso do mundo de 40, 50 anos atrás”, completa Thaís Pimentel, presidente da Fundação Municipal de Cultura.

 

Organizado pela primeira vez em 1994, o FIT-BH é o segundo maior festival internacional de teatro do país – só perde para o Porto Alegre Em Cena,  na capital gaúcha, que realiza neste ano sua 19ª edição – e um dos cinco maiores da América Latina. “Atingimos a maturidade com um excelente retorno do público. Mas, apesar disso, foi preciso repensar seu formato para continuar proporcionando esse encantamento próprio da arte. Surpreender a cidade em 1994 era muito mais fácil do que é hoje. As pessoas viajam mais, circulam e consomem arte de outros lugares. Por isso, o público pode aguardar apresentações inspiradas, que vão explorar a cidade e provocar”, promete o coordenador.

 

Neste ano, o FIT fortalece o seu lado reflexivo com oficinas, palestras, estágios de convivência e contribuições de outras artes. Pela primeira vez, uma mostra cinematográfica integra a grade e exibe filmes relacionados às artes cênicas inéditos em Belo Horizonte. No Parque Municipal, um espaço destinado à troca de experiências entre artistas e público, batizado de “Ponto de Encontro”, será palco para a mostra Movimentos Urbanos, que reúne trabalho de 32 artistas dos setores de música, artes visuais e artes cênicas.

 

 
 
 

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