Fenômenos em série

por José João Ribeiro 15/06/2012 08:00

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Cena de Os Vingadores: não faltam bons motivos para ver o filme, especialmente em 3D (foto: Divulgação)

As previsões mais otimistas da Disney se revelaram francamente tímidas. Com Os Vingadores – The Avengers o megaconglomerado acusou positivamente o grande acerto na arriscada negociação de compra da Marvel Entertainment Inc., há quase três anos. Hoje, a fortuna gasta de US$ 4 bilhões nem faz tanta sombra assim, se imaginarmos as infindáveis sequências que vêm por aí. No Brasil, a histórica marca de R$ 100 milhões foi alcançada em apenas três semanas. E nos Estados Unidos, a forte abertura do final de semana, com mais de US$ 200 milhões deixou a sensação de pânico no ar, para as superproduções que ainda não apareceram na concorrida temporada de férias de verão. Que os leitores nos perdoem, mas falar do fenômeno Os Vingadores agora é assim: uma avalanche obscena de cifras e mais cifras.

 

Essa montanha de dinheiro, para a aguardada reunião dos heróis Marvel, é bem mais que merecida. Não faltam motivos para não perder Os Vingadores (de preferência em 3D). A começar pelos diálogos inspirados e espirituosos, que fazem qualquer alma nerd se contorcer no mais puro êxtase. Destaque unânime para o Homem de Ferro (Robert Downey Jr., o dono do pedaço) se esmerando na tentativa de fazer o Dr. Bruce Banner (Mark Ruffalo) se transformar no Hulk.

 

E por falar no monstrengo verde, este pode ser considerado o filme responsável pela sua demorada redenção, após duas tentativas bastante equivocadas – uma delas a cargo do competentíssimo diretor Ang Lee. Quando o Hulk sai quebrando tudo, denunciando sua chegada, o longa-metragem parece recomeçar, o que evidencia a segurança da direção e o roteiro meticulosamente esperto. O Hulk sempre consegue agradar, sobretudo em sua cômica falta de compasso com Thor (Chris Hemsworth). Pura gargalhada.

 

Sem dúvida, Os Vingadores inauguraram o ano que será marcado pelos super-heróis dos quadrinhos. Em julho, teremos as estreias, muito próximas, de O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spiderman), reiniciando a série, e de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) – este, concluindo a consagrada trilogia do diretor Christopher Nolan.  Para fazer uma aposta, o homem-morcego vencerá o confronto das arrecadações, por sua já comprovada excelência. O último trailer, um exagero de cenas impactantes, é só uma pequena amostra da genialidade de Nolan. Desde já uma grande pena, pois o diretor deixou muito claro que este será seu derradeiro olhar no submundo de Gotham.

 

E das telas para os festivais: mais uma vez, Cannes 2012 exibiu sua cartela de medalhões. Os diretores – de sempre – concorreram à Palma de Ouro: o mestre Alain Resnais (com quase 90 anos), o iraniano Abbas Kiarostami, o alemão incompreendido Michael Haneke, entre outros que, sabiamente, preferem o charme e a visibilidade do balneário. Cannes é e dificilmente deixará de ser o maior de todos os festivais.

 

Nesta última edição, a curiosa presença do jovem casal da série Crepúsculo, em duas respeitáveis películas: Robert Pattinson sente a responsabilidade de ser orientado pelo mórbido-bendito David Cronnenberg no esperado Cosmópolis; e a requisitada Kristen Stewart é protagonista no grande elenco de Na Estrada (On the Road), adaptação do clássico beatnik do escritor Jack Kerouac, com direção do nosso Walter Salles.

 

Além disso, o queridinho dos críticos chegou às raias da mais genuína e máxima violência. Após encantar Cannes com a obra-prima O Profeta (Un Prophète), o diretor francês Jacques Audiard apresentou este ano De Rouille e d’Os (Rust & Bone), com a linda Marion Cotillard – a história de um boxer que frequenta torneios clandestinos. Para dar uma ideia da qualidade, a notável e insuspeita revista Cahiers du Cinéma o elegeu, com máxima cotação, como o grande representante nacional em Cannes 2012.

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