Novo point no centrão

por Pabline Félix 16/07/2012 13:29

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Júnia Garrido, Samuel Gê
Depois de ficar mais de 40 anos esquecido, o Mercado Novo atrai a juventude da cidade (foto: Júnia Garrido, Samuel Gê)

Criado na década de 1960 para ser um dos mais modernos e arrojados mercados públicos da América Latina, o Mercado Municipal, mais conhecido como Mercado Novo, falhou em seu objetivo inicial. Por mais de 40 anos, o local ficou esquecido, à sombra do Mercado Central, vizinho intimidador que acaba recebendo a atenção tanto de moradores quanto de visitantes de Belo Horizonte. Mas esta história está mudando: desde 2010, o Mercado das Borboletas, projeto cultural que funciona no terceiro andar da construção localizada na avenida Olegário Maciel, tem atraído um dos públicos mais diversos da noite belo-horizontina para festas, shows e eventos com uma pegada “alternativa”. “Faltava um lugar assim em Belo Horizonte, eclético e aberto a todas as tribos. Aqui dá de tudo: playboy, patricinha, galera da Fafich, do samba, do hip hop, do maracatu, do forró e até DJs internacionais. Independentemente do estilo, o público daqui quer curtir boa música, dançar e se divertir”, diz Juliano Augusto, um dos produtores da Sexta Básica, festa que já tradicional às sextas-feiras. 

 

Juliano conta que, depois de um ano e meio à frente do evento, a sensação é de que o Mercado das Borboletas ficou famoso. Um exemplo é a média de público, que alcança facilmente 1.200 pessoas nas noites de sexta, número duas vezes superior ao inicial, de 600. “Estava faltando um lugar que trouxesse outra proposta para o modelo de evento noturno”, resume. Gabriel Amaral, de 24 anos, é frequentador assíduo do Mercado, onde encontra os amigos e pratica slack line. Isso mesmo: a produção abre espaço para que os praticantes do esporte possam mostrar suas habilidades ao público. “Tem um ano que o pessoal do Pé na Fita, grupo de praticantes de slack line de BH, vem aqui na festa Sexta Básica, sempre uma vez por mês. Não é comum que eventos assim abram espaço para isso, a não ser em raves. Acho que rola essa junção justamente porque o público do slack é o mesmo do Mercado. São pessoas curiosas, que gostam de conhecer coisas novas e diferentes. Por isso dá tão certo”, afirma.

 

Gabriel Amaral, frequentador assíduo do Mercado  e praticante de slack line: “Aqui encontramos pessoas curiosas, que gostam de conhecer coisas novas e diferentes”
 

 

Pela terceira vez na festa, Lara Di Maccio, 20 anos, diz que a vontade de voltar é sempre a possibilidade de “ouvir um som bacana, sem aquele aperto de boate, em que fica todo mundo grudado”. Apreciadora da cena alternativa, ela estava acompanhada da amiga Marcela Maia, também de 20 anos, caloura no ambiente. “Dá um impacto essas paredes sujas. Essas coisas sem acabamento. Mas logo você percebe que é legal, com pessoas de todos os estilos. Estou mais acostumada a frequentar os barzinhos da Savassi, mas como primeira impressão, estou bem satisfeita”, define Marcela. Já Carlos Antunes, 41 anos, é veterano na noite de Belo Horizonte e na casa: “Aqui me faz relembrar as noites de 20 anos atrás, quando eu frequentava bares de rock como o Drosófila e tinha um pessoal tão legal quanto esse que tem aqui hoje. Hoje, quase não saio, mas se o pessoal quer encontrar, aqui é uma excelente opção, pois tem espaço, dá para conversar”, diz.

 

Para Fred Garzon, dono do bar Graças a Deus, no São Pedro, o espaço amplo e as acomodações para mais de mil pessoas são atrativos difíceis de encontrar na capital, bem como a localização privilegiada, pontos fortes do Mercado que foram levados em conta na hora de escolher o local para receber a festa de nove anos do bar. “Sempre fizemos as comemorações em locais distantes, onde o pessoal era ‘obrigado’ a dirigir depois da festa. Isso estava ficando cada vez mais perigoso e, por isso, neste ano, procuramos um lugar que fosse mais acessível. Como já tinha ido a algumas festas no Mercado das Borboletas, foi a primeira opção e, certamente, a melhor escolha.

 

Juliano Augusto, um dos produtores da Sexta Básica: “Faltava um lugar assim em Belo Horizonte, eclético e aberto a todas as tribos”
 

 

O público adorou o espaço, que é diferente do que estamos acostumados, mas que pode ser opção para diversão da mesma forma”, explica Garzon. Segundo ele, na comemoração estiveram presentes mais de 1.500 pessoas e a repercussão foi excelente. “Acho que a tendência é que cada vez mais o pessoal que frequenta a Savassi e os bares da zona sul passe a conhecer o Mercado”, garante.

 

O projeto de transformar o terceiro andar de um prédio bem pouco popular entre os jovens em um inusitado point underground é encabeçado pelo artista plástico Tarcísio Ribeiro e pelo administrador Antônio Gabriel Castro Filho. Com pequenas modificações, eles viabilizaram a organização de eventos em uma área ainda em estado precário, fato que é uma espécie de cicatriz histórica para o Mercado Novo. “A construção nunca foi concluída. Continua assim até hoje, só que isso não é um problema, apenas uma particularidade da trajetória dele. O Mercado Novo foi projetado para abrigar o comércio do Mercado Central, que ia migrar para cá em 1962, e os próprios comerciantes é que financiaram a obra. Mas a administração da cidade mudou de ideia e o pessoal desistiu do empreendimento. Com pouco dinheiro, não deu para terminar quase nada, especialmente no terceiro andar”, conta Tarcísio.

 

Entre as poucas mudanças que foram feitas no prédio estão os banheiros, que só agora passaram a funcionar, e o bar, que foi azulejado para atender à legislação. As demais providências necessárias ficam por conta das produções das festas, como segurança, divulgação, estrutura de som e decoração. Por isso, cada festa parece ser feita em um Mercado Novo diferente.

 

As amigas Lara e Marcela: “Dá um impacto essas paredes sujas. Essas coisas sem acabamento. Mas logo você percebe que é legal, com pessoas de todos os estilos”
 

 

Tarcísio conta que os planos para melhorar a parte física do local são muitos, mas tudo depende de investimentos. As mudanças feitas até agora, por exemplo, foram financiadas, em grande parte, pelo reinvestimento do dinheiro gerado com os eventos até então organizados. “Apesar das dificuldades, hoje a gente consegue trabalhar e mostrar que a arte pode, sim, ser viável economicamente. Muita gente acha que essa área depende do fomento governamental, mas não.

 

A nossa proposta aqui é abrir espaço para coisas novas e o próprio entretenimento é nosso patrocinador”, argumenta. Além da ‘casa de shows’, o prédio é também endereço de diversas pequenas empresas de produção e prestação de serviços gráficos, conserto de elevadores e de balanças, entre outros, que funcionam nos primeiros andares e em horário comercial.

 

 

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