Já tomou sol hoje?

por Daniela Costa 17/07/2012 14:53

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Maíra Vieira, Geraldo Goulart, Eugênio Gurgel
Stela de Queiroz, em um dos poucos momentos que tem contato com a luz do sol (foto: Maíra Vieira, Geraldo Goulart, Eugênio Gurgel)

Tomar aquele solzinho não é necessário apenas para renovar o bronzeado, mas principalmente para que o organismo possa obter vitamina D por meio da incidência dos raios solares sobre a pele. Juntamente com o cálcio, ela é fundamental para a manutenção da saúde óssea, além de auxiliar na função muscular, secreção da insulina e proteção do sistema imunológico, prevenindo doenças como o raquitismo e a osteoporose.   

 

O problema é que mesmo em países tropicais, o hábito de tomar banho de sol tem se tornado cada vez mais raro. Além de não ter tempo, boa parte da população trabalha enclausurada em salas sob luz artificial. A analista de sistemas Stela de Queiroz, 25 anos, sabe bem o que é isso: “Trabalho o dia todo em uma sala fechada, sem ver a luz do sol. Com isso, descobri que estava com o índice de vitamina D abaixo do valor de referência”.

 

Outro agravante é que, além de poucos alimentos possuírem a vitamina D, raros são fortificados, o que torna difícil adquiri-la somente por meio de dieta balanceada. “O sol é, com certeza, a maior fonte de vitamina D. Mas a ingestão de alimentos como peixe, atum e sardinha também é de grande importância”, afirma a nutricionista Alice Carvalhais.

 

Para controlar a osteoporose, Neuza Maria faz reposição de vitamina D e cálcio, já que não pode tomar muito sol: “Minha pele é muito sensível”
 

 

O resultado da não exposição aos raios solares, segundo o Instituto de Medicina Americano (IOM), é a constatação de que pessoas do mundo inteiro sofrem as consequências da deficiência desta vitamina no organismo. No Brasil, o problema atinge 40% dos jovens e 90% dos idosos. “Estudos mostram que a deficiência de vitamina D também pode influenciar no surgimento de doenças neurológicas, cardiovasculares e infecciosas”, explica a endocrinologista e metabologista Flávia Pieroni. Pacientes como Neuza Maria Ricetto, 61 anos, fazem terapia complementar como medida preventiva. “Como minha pele é muito sensível e evito tomar sol, faço reposição de cálcio e vitamina D para controlar a osteoporose”, diz a aposentada.

 

Outro motivo que leva à defasagem da vitamina D no organismo é a má absorção intestinal, muito comum em pacientes submetidos à cirurgia de redução do estômago e que possuem doenças do trato gastrointestinal. A educadora física Cláudia Rodrigues Moraes, 31 anos, passou pela experiência. “Depois que fiz a cirurgia bariátrica, os exames mostraram que eu estava com os níveis de vitamina D e cálcio abaixo da média. Por isso, há três anos faço reposição”, conta.

 

Depois da cirurgia de redução do estômago, Cláudia Rodrigues Moraes teve problemas: “Minhas taxas de vitamina D e cálcio caíram muito; por isso, há três anos tomo suplementos”
 

 

E se tomar sol faz bem, não se deve mais usar o protetor solar? Será que, ao contrário de proteger a pele, ele prejudica a absorção de vitamina D? A dermatologista Ana Cláudia de Brito Soares garante que não existe nenhum estudo que comprove esta suspeita. “O que ocorreu foi a detecção de níveis mais baixos de vitamina D no período em que as pessoas fazem mais uso de filtro solar, ao mesmo tempo em que também trabalham, estudam e praticam atividade física em ambientes fechados, sem ter contato com o sol”, diz. Para o dermatologista André Costa Cruz Piancastelli, a única comprovação que se tem é sobre a necessidade do uso do bloqueador. “Sem essa proteção, a chance de se contrair câncer de pele é bem maior”, explica o médico.

 

O check-up anual alertou Lenita Castro Silva que, mesmo praticando exercícios e tomando sol, teve deficiência de vitamina D: “Agora, capricho na alimentação”
 

 

Em casos de dúvida, o ideal mesmo é fazer como a dona de casa Lenita Maria de Castro Silva, 49 anos, que não abre mão do check-up médico anual. “Foi por meio dele que descobri que estava com a deficiência de vitamina D. Provavelmente devido a uma alimentação inadequada, pois pratico exercícios e tomo sol todos os dias”, conta Lenita.

 

Segundo os especialistas, alguns grupos de risco requerem mais cuidados. Nos idosos, a insuficiência de vitamina D é mais comum, já que a capacidade de absorção da pele diminui com o avanço da idade, o que potencializa o risco de quedas e fraturas. Peles mais pigmentadas também têm dificuldade de absorver os raios UV; com isso, a produção de vitamina é menor. O mesmo acontece com a população obesa que adquire a insuficiência por meio de doenças crônicas. Já as grávidas com baixo índice de vitamina D devem fazer suplementação para não correr o risco de prejudicar a formação do feto. Tudo, é claro, com orientação médica. 

 

 

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