O prólogo de um clássico

por José João Ribeiro 20/07/2012 14:36

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Michael Fassbender em Prometheus: androide afetado é mais um acerto do ator alemão (foto: Divulgação)

O britânico Ridley Scott é, com toda certeza, um dos mais produtivos cineastas de sua geração. Essa simples constatação merece efusivas comemorações, porque, além do trabalho incansável e quantitativo, Ridley ostenta um forte lastro que resulta em garantido esmero e qualidade a praticamente todos os seus projetos. Nos últimos anos, esse premiadíssimo diretor se propôs revisitar, ou, quem sabe, melhorar, os seus dois primeiros clássicos, responsáveis por sua meteórica consagração.

 

Para o ano de 2014, já foi anunciado o “projeto” Blade Runner, derivado direto da obra-prima da ficção científica original rodada em 1982, que, por sua vez, é baseado no romance do americano Philip K. Dick. Considerado um filme-irmão, Alien, O Oitavo Passageiro, de 1979, recebeu há pouco o novíssimo olhar. A partir da recente estreia de Prometheus, somos arrastados a descobrir os primórdios do temido monstrengo que dizimou a tripulação do cargueiro Nostromo.

 

Com forte apelo existencialista, assim como sua fonte, o longa-metragem Prometheus remonta a história, partindo do interesse de dois jovens cientistas, o casal Elizabeth Shaw (a sueca Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green), de descobrir a origem do genoma humano.

 

Fazendo múltiplas escavações, eles descobrem um distante sistema solar, de onde, possivelmente, seres extraterrestres vieram para manter contato com civilizações extintas da Terra. Financiada pela corporação Weyland, sob o comando de um moribundo magnata (Guy Pearce), uma expedição a bordo da nave Prometheus, no ano de 2093, consegue aportar nesse desconhecido mundo/satélite, visando a explorar seus recursos, investigar e, quem sabe, estabelecer um promissor contato com os, até então, convidativos e fascinantes seres.

 

Em um ambicioso visual, o filme, novamente, imprime o clima de terrorzão psicológico que Ridley Scott sabe dosar como ninguém. Mas, sem as atuações sublimes que conseguiu extrair, a produção dificilmente alcançaria sua notória grandiosidade. Atenção para a aposta de sua protagonista Noomi Rapace, para a vilã forte e gélida interpretada pela deusa Charlize Theron e para o afetado androide David, composição magistral do alemão Michael Fassbender (sempre ele!), que arrebata todos os interesses de Hollywood nos últimos meses. Aliás, David é o coração e a alma de Prometheus. Ou seja, ironicamente, um robô reúne toda a importância em um roteiro que pode ser muito bem compreendido, independentemente da série que o sucedeu.

 

O compromisso sério e oportunamente pretensioso que Ridley Scott propõe desde as primeiras tomadas é solenemente cumprido. Em Prometheus, o teor existencialista se conjuga com perfeição aos cacoetes e piadinhas, tão necessárias para um assumido espetáculo blockbuster. É unânime que o mestre da sétima arte conseguiu, sem desperdícios ou perda de tempo, resgatar com distinção o seu distante primeiro grande filme do ano de 1979.

 

Dois bálsamos: em um período francamente infértil, dominado por megaprojetos – direcionados, sobretudo, para crianças e jovens –, dois singelos filmes se destacam pelos perfis autorais, independentes e artísticos.

 

O gênio Woody Allen insiste em sua peregrinação pelo continente europeu (onde é valorizado), agora precisamente na Itália. Em Para Roma com Amor (To Rome With Love) está presente a fórmula recorrente de encontros e desencontros amorosos entre os visitantes americanos e os nativos europeus, escorada no humor do choque de culturas. Elenco internacional de estrelas, que vai de Penélope Cruz a Alec Baldwin.

 

E, com promessa de lançamento para 13 de julho, a aguardada parceria do nosso Walter Salles com a produtora de Francis Ford Coppola, na adaptação do clássico rebelde Na Estrada (On the Road), competidor de Cannes e estandarte de uma sufocada geração. Turma de novos atores em cumplicidade com experientes, do quilate de Viggo Mortensen.

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