O passageiro é o bicho

por Daniela Costa 30/08/2012 11:28

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Eugênio Gurgel; Geraldo Goulart; Emmanuel Pinheiro
A enfermeira Raquel de Oliveira apostou na cadeirinha de transporte (foto: Eugênio Gurgel; Geraldo Goulart; Emmanuel Pinheiro)

Com o seu carro, o engenheiro Marcelo Spegar Fonseca saiu de casa no bairro Belvedere levando Jack, um pastor-belga de 7 anos, e, depois de percorrer meio quarteirão, acabou enfrentando um problema que o assustou. Tudo porque Jack se lançou pela janela do veículo. O fato só não trouxe maiores consequências porque Marcelo estava em baixa velocidade, e o cachorro, preso a uma coleira que sua namorada segurava. “Nós estávamos levando o Jack para ser vacinado, coisa que costumo fazer até mesmo caminhando. E como é sempre dócil, eu nunca poderia imaginar que ele tivesse esse tipo de reação. Felizmente, ninguém se machucou”, diz o engenheiro.

 

Depois de dois minutos andando de carro com o cão, o engenheiro Marcelo Fonseca tomou um susto: “O Jack, meu pastor-belga, pulou pela janela”
 
 

Surpresas ruins como esta não são tão incomuns. Seja por euforia, ansiedade, seja medo, até mesmo os mais tranquilos bichos de estimação podem estranhar o ambiente quando deixam seu hábitat. E é aí que começa o perigo. Com a melhor das intenções, alguns proprietários levam seus bichinhos para passear de carro, mas por descuido ou falta de informação se esquecem de tomar algumas medidas preventivas que garantem a sua própria segurança – e a de seus animais. Há inclusive situações em que o imprevisto fala mais alto. A advogada Marina Ordones sabe bem o que é isso. Na tentativa de fazer uma boa ação resgatando um gatinho de rua, improvisou uma caixa de papelão para transportá-lo. O que ela não esperava é que o animal, assustado, conseguiria sair da caixa fechada e se esconderia dentro do painel do carro. “Tive de ir direto para a oficina. O painel foi desmontado, mas o gatinho está bem”, conta ela.

 

 
 

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), algumas regras devem ser seguidas no transporte de animais. Uma delas: não levar os pequenos à esquerda do motorista, entre as pernas ou braços. Outra: não transportá-los na caçamba do automóvel ou na garupa de motos – é proibido o transporte de animais na parte externa de qualquer tipo de veículo. “O transporte de animais não pode prejudicar a dirigibilidade e a visibilidade do motorista. E muito menos comprometer a segurança do trânsito. Por isso, todas as medidas preventivas, mesmo que não sejam lei, devem ser adotadas”, esclarece Cláudio Abreu, advogado especialista em Direito de Trânsito.

 

Mesmo sendo de grande porte, Kira, a golden retriever da zootecnista Eliane Brandão, só passeia presa ao cinto de segurança: “Prefiro não arriscar”
 
 

Todo cuidado é pouco. Levar os pets soltos dentro do carro, sem os devidos acessórios de segurança, pode acarretar em graves lesões em caso de acidentes de trânsito. Outro hábito que deve ser evitado é aquela costumeira cena da cabecinha do cão para fora da janela do carro, com os pelos e as orelhas ao vento. Nesse caso, além de colocar o bicho em risco, a atitude pode trazer prejuízos à saúde dele, como a obstrução do canal lacrimal e infecção de ouvido. “O maior número de casos de úlcera de córnea que atendemos é proveniente da exposição dos animais ao vento na janela dos carros”, afirma a veterinária Simone Costa Paulino, da clínica Pet Zoo. Manter as janelas do veículo semiabertas evita o problema e garante que o bichinho não pule para fora.

 

A advogada Letícia de Almeida não abre mão da segurança: “Minhas yorkshires Zuca e Luna ficam sempre presas ao cinto. Só assim estão realmente seguras”
 
 

Com o trânsito cada vez mais perigoso, a solução é mesmo redobrar os cuidados com a bicharada. Para isso, o mercado pet disponibiliza algumas opções de acessórios de segurança que garantem o bem-estar e o conforto dos animais. As caixas de transporte são ideais para pequenos passeios e viagens. “Quando saio de carro com um dos meus gatos, levo sempre a caixa que mandei adaptar para ela ficar bem presa ao cinto de segurança”, diz a empresária Jucélia Gabriel. O tamanho ideal é aquele em que o animal consiga dar uma volta de 360 graus dentro da caixa, que não pode ser muito maior que ele para que ele não fique solto e sem apoio.  Na hora da compra, vale apostar em qualidade e não só em preço baixo. A pessoa deve escolher sempre caixas com materiais resistentes, bom acabamento e bem arejadas, dando preferência para aquelas que têm um recipiente onde os dejetos são mantidos afastados dos bichinhos.

 

 
 

Outro aliado de peso quando o assunto é proteção é o cinto de segurança. Vendido em vários tamanhos e modelos e usado com coleira peitoral, ele prende a bicharada ao cinto do passageiro traseiro de forma que tenha ao mesmo tempo mobilidade e segurança. Sempre que leva suas yorkshires Zuca, 6 anos, e Luna, 2 anos, para passear, a advogada Letícia Campos de Almeida usa o acessório. “Acho o cinto de segurança mais confortável e seguro”, diz. A zootecnista Eliane Rocha Cintra Brandão também não dispensa o equipamento. “A Kira, golden retriever de 2 anos e meio, só anda de carro presa ao cinto. E mesmo sendo grande, ela fica bem segura”, garante.  Os cintos de segurança mais indicados são os que possuem dispositivo de encaixe na fivela do banco do carro. “É o acessório de proteção mais vendido aqui na loja. Mas jamais pode ser usado com coleira de pescoço, e sim com peitoral, para não provocar torção em caso de freadas bruscas”, explica Luiz Felipe Oliveira, da Dog’s Shop.

 

 

A empresária Jucélia Gabriel não sai de casa sem  a caixa de transporte: “Assim, levo todos os meus gatinhos para passear de carro com tranquilidade”
 
 

As cadeirinhas de transporte também são uma boa opção para quem quer proteger o seu bichinho de estimação sem abrir mão do conforto e da sofisticação. Acopladas ao banco do carro e presas pelo cinto de segurança, transportam cães de pequeno porte e até gatos. A segurança é reforçada pela coleira peitoral, que é presa ao acessório. Para garantir que Sophia Loren, shih-tzu de 7 anos, não se esconda debaixo do banco do carro quando sai para passear, a enfermeira Raquel Souza Mendes de Oliveira optou pela cadeirinha. “Agora ela passeia tranquila, do jeito que gosta, sempre de olho em mim”, brinca Raquel.

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