Picapes mostram as garras

por Pedro Cerqueira 30/08/2012 11:52

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Léo Araújo; Divulgação
Nova Ford Ranger: evolução para ameaçar soberania da Chevrolet S-10 (foto: Léo Araújo; Divulgação)

Há um tempo, o sonho de qualquer picape média era ser uma Toyota Hilux. O modelo da marca nipônica, pelo porte, mecânica e conforto, foi referência desde o lançamento da sétima geração, em 2005, posto que lhe rendeu ótima colocação no segmento. Nos últimos anos, a Hilux ocupa a segunda colocação no ranking de emplacamentos do segmento. Seu êxito parece ser ainda maior por se tratar de um modelo mais caro que a líder Chevrolet S10, que estava castigando a antiga Ford Ranger, sua colega entre as mais baratas, justamente por ter a opção do motor flex.

 

Com o lançamento da nova Ranger, o quadro ganha novos contornos. E mais: a recente renovação em série dos principais modelos do segmento faz esse cenário ficar ainda mais agitado. Um grande impulso para isso foi a adoção dos motores com tecnologia Euro 5, exigida pelos novos padrões de emissões determinados pela fase L6 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores). Como não houve tempo hábil para os fabricantes se adaptarem à fase L5 do programa, foi assinado termo de compromisso entre o Ministério Público e a indústria automotiva determinando que, já em 2013, todos os modelos leves a diesel já estariam de acordo com as normas de emissões da fase L6.

 

O apelo da renovação maciça, porém, não mora apenas aí. De acordo com Julian Semple, da Carcon, consultoria especializada no setor automotivo, as mudanças no segmento não aconteceram em virtude da legislação, que exigiu a adoção da tecnologia Euro 5. “As picapes brasileiras, principalmente a Ranger e a S10, já estavam muito esgotadas em termos de estilo. Os outros modelos mais robustos, a exemplo da própria Amarok, já haviam se inspirado na Hilux”, diz o consultor. Para Semple, o interesse dos fabricantes de veículos é atender o que o consumidor quer. Normalmente, os proprietários se preocupam muito mais com a aparência do veículo do que com a sua performance. Menos ainda se ele polui muito ou pouco.

 

De forma geral, os seis modelos de picapes médias mais vendidos do país ficaram mais robustos, ganharam mais opções de motores e ficaram mais requintados por dentro, perdendo o aspecto de veículo de trabalho. Se esse “movimento” teve início com a Hilux em 2005, a reação da concorrência só começou com a chegada da Volkswagen Amarok no mercado brasileiro, em meados de 2010. Com porte avantajado e boa oferta de itens de conforto, o modelo vem aos poucos ganhando seu espaço, mas ainda não alavancou, ocupando a sexta colocação em vendas do segmento. Na época de seu lançamento, a Amarok foi criticada por não oferecer câmbio automático para a versão topo de linha nem a opção de cabine simples para a versão de entrada. Hoje, ambos os problemas foram sanados. Já no final de 2011, a Toyota apresentou um facelift da Hilux. Como não se trata de uma nova geração, o modelo já sente o peso de seus sete anos. Mas a marca japonesa se mostrou atenta ao lançar, no início de 2012, uma versão flex para o modelo, evidenciando a estratégia de competir na faixa das picapes mais baratas. Nada condenável, já que a concorrência promete “invadir a praia”  dos modelos a diesel mais potentes e sofisticados.

 

Eduardo Quadros elogia desempenho de sua Nissan Frontier, mas acha que ela peca na tecnologia
 
 

Em 2012, a nova Chevrolet S10 foi a primeira a “mostrar a cara”. Essa, sim, cresceu e apareceu. O interior também ganhou muito em sofisticação. Sem apresentar conjunto mecânico brilhante, apesar de ter melhorado, esse modelo tem tudo para manter a liderança do segmento dos últimos anos assegurada pela esperta versão flex lançada em 2007. Em resumo, o modelo continua com versão de entrada competitiva e ainda vai disputar no topo do segmento.

 

Depois veio a Nissan Frontier, que, apesar de ter feito muito barulho com o comercial provocativo dos Pôneis Malditos, não conseguiu catapultar na mesma proporção sua participação no segmento. Por fora, o modelo robusto não mudou em nada. A alteração ocorreu mesmo sob o capô, com a adoção de um motor mais forte e potente, capaz de atender às novas normas de emissões. Outra que não mudou muito foi a Mitsubishi L200: apenas o grupo óptico e para-choques. Talvez por esse motivo o modelo venha perdendo participação nas vendas.

 

Para completar o time das seis principais picapes médias do mercado, a nova Ford Ranger foi lançada no último mês. Assim como a S10, a Ranger ganhou muito em porte de ficou bem mais competitiva, por causa da chegada de um motor flex, por ter o motor a diesel mais potente (200 cv) e forte (47,9 kgfm de torque) entre todas, além da introdução do câmbio automático. Em suma, a Ranger ganhou mais competitividade na base e no topo do segmento.

 

Com as opções de modelo em alta, o mercado das picapes avança e ganha cada vez mais espaço. A legião de admiradores defende seu modelo e é fiel, mas, quando necessário, aponta os problemas. Eduardo Martins de Quadros Jr., engenheiro civil, 30 anos, diz que a Nissan Frontier 2012 a diesel é bem mais potente e rápida que a Hilux e a Ranger (a antiga). “Na estrada, tem boa performance e  tem bom torque para ultrapassar. Só que peca um pouco na questão da tecnologia em relação às outras”, afirma.

 

 
 

O advogado João Vitor Garcia, 63 anos, está feliz com a VW Amarok 2010 a diesel: “É uma picape espetacular. É robusta, espaçosa, confortável e econômica. Gosto também da tecnologia, principalmente as de segurança, como controle de tração e estabilidade. Acho que ela não deveria ter sido lançada sem o sensor de ré, devido às suas dimensões. Na época, também não tinha GPS. Comigo, ela deu dois problemas: precisei substituir a correia dentada com 19.000 km e trocar a forração em couro das duas portas dianteiras”.

 

Um defensor da Toyota Hilux é o empresário Marley Lima Morais, 52 anos. Ele tem um modelo 2008 a diesel: “Sempre tive picapes e esta já é minha terceira Hilux. Gosto do conforto para dirigir e da estabilidade. O banco traseiro também é confortável. Sei que existem muitos lançamentos, a Frontier, a Amarok, mas não vejo como mudar”, garante. Pedro Henrique Nehring Cesar, paisagista, 57 anos, destaca que a  Mitsubishi L200 2010 a gasolina anda bem, tem boa estabilidade e é confortável. Segundo ele, por ser a gasolina é silenciosa e também tem um design bonito e moderno. Já o médico Argenil José Assis de Oliveira, 37 anos, está agora com a nova Chevrolet S10 2012 Flex. Ele não esconde a alegria: “Eu tinha o modelo antigo da S10. Troquei pela nova, que trouxe muita qualidade; é mais alta, mais espaçosa e continua macia. Para mim, é o melhor custo/benefício entre as picapes”, afirma.

 

Apesar de todas as vantagens oferecidas pelas novas picapes médias a diesel, os proprietários têm convivido com uma rotina desconfortável. É que seus novos motores, com tecnologia Euro 5, precisam ser abastecidos com o S-50, um diesel com baixo teor de enxofre. Mas o problema não é esse motor, que é muito mais eficiente, e sim encontrar postos de combustível que comercializem esse produto. Segundo Paulo Miranda Soares, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), não se trata de um combustível fácil de lidar, já que é mais perecível. Por esse motivo ele demanda tanque e linha próprios, que ainda exigem uma manutenção mais rigorosa.

 

Para piorar, Soares afirma que a demanda pelo produto ainda não é grande, já que muitos frotistas investiram em caminhões com tecnologia Euro 3, vendidos até o fim de 2011. “O número de postos que têm o S-50 é pequeno, mas crescente. Estamos nos adaptando, porque isso é irreversível, o futuro é o diesel com baixo teor de enxofre. Em janeiro de 2013 já estaremos recebendo o diesel S-10, com ainda menos enxofre”, explica o presidente do Minaspetro.

 

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou que deve existir pelo menos um posto a cada 100 km que tenha o S-50. A receptividade por parte dos postos é tão ruim que a comercialização do S-50 foi obrigatória para alguns. O site da agência (www.anp.gov.br) traz uma lista dos postos que vendem o diesel com baixo teor de enxofre. Em Belo Horizonte, aproximadamente quatro postos têm o combustível, além de outros três que o vendem por opção.

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