Tributo ao cubista

por Jessica Almeida 31/08/2012 09:49

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Eugênio Gurgel
Releitura do quadro O Beijo (foto: Eugênio Gurgel)

Pablo Picasso foi, além de genial, um dos artistas mais versáteis e empreendedores de sua geração. A prova disso é que produziu, ao longo da vida, cerca de 36 mil trabalhos e ficou milionário antes dos 40 anos de idade. Pai do cubismo ao lado de Georges Braque, ele revolucionou a arte ao romper com a profundidade espacial e representar as figuras em planos simultâneos, inaugurando um movimento de descompromisso com a aparência real das coisas representadas nas artes plásticas.

 

O artista recebe homenagem do Grupo Maison, neste mês, na exposição Pablo Picasso – Tradução 2012, que festeja os 130 anos de nascimento do pintor com releituras de alguns dos seus principais trabalhos. A mostra é composta por quatro painéis de aproximadamente 5,0m x 2,0m que retrabalham as obras Guernica, O Beijo, As Mulheres de Argel e As Senhoritas de Avignon, além de um quinto que presta um tributo ao cubismo. O grupo foi dividido em equipes menores para a produção dos quadros e cada um dos artistas apresenta, em um sexto painel, trabalhos individuais.

 

 
 

Os responsáveis pelas obras formam o que o artista e crítico de arte Glauco Moraes chama de “brilhante Maison” –  pessoas que passaram pela formação da Maison Escola de Arte e representam o nome da escola no cenário artístico. “O Grupo Maison existe há oito anos e eu sou o curador. Seleciono os integrantes de acordo com três requisitos: o primeiro é querer ser artista; o segundo é ter conhecimento aprofundado das técnicas; e o terceiro é ter domínio conceitual das obras que produzem”, diz Glauco. O grupo reúne no máximo 20 artistas e nenhum dos participantes atuais expôs menos de oito vezes.

 

Entre as obras da mostra, há uma diversidade de ideias. A releitura de O Beijo, por exemplo, potencializa algo encontrado no quadro original para denunciar a violência contra a mulher. “Observamos que a expressão do homem no quadro era dura, não era de carinho. A partir daí, tentamos marcar essa dualidade e fizemos colagens com muitas cenas de mulheres marcadas pela violência”, afirma Lélia Parreira, artista do grupo.

 

Artistas do Grupo Maison, responsáveis pela exposição Pablo Picasso- Tradução 2012: junto, adaptaram as obras do espanhol a outros contextos
 
 

Tema recorrente na obra de Picasso – até porque sua vida foi marcada por um grande número de amores –, a mulher também é o foco da releitura de As Mulheres de Argel. A obra cubista, que já é uma releitura do quadro homônimo de Delacroix, retrata um harém. O trabalho dos artistas do Grupo Maison buscou criar um contraponto entre o ócio no harém e a mulher atuante em diversas áreas na contemporaneidade. As principais homenageadas são as mulheres da comunidade de Noiva do Cordeiro, subdistrito próximo a Belo Vale. “Descendentes de uma moça que, já no século XIX, se separou do marido para viver com seu grande amor, elas passaram muito tempo sendo castigadas por essa atitude e experimentaram uma exclusão social massacrante. Mas, com a força do seu trabalho, elas estão, há algum tempo, superando esse estigma”, conta Maria Helena Godinho, autointitulada “artista virtual”, por falar em nome do artista Renato Godinho, que, em 2005, perdeu a fala. Mesmo não se considerando artista, ela, segundo outras integrantes do grupo, não foi apenas intérprete e colaborou também com as pesquisas e a reflexão.

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