Entre o vermelho e o azul

por Alessandra Mello 13/09/2012 11:13

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Cláudio Cunha, Juarez Rodrigues/E.M.
None (foto: Cláudio Cunha, Juarez Rodrigues/E.M.)

A rivalidade é nacional e repetida nos maiores colégios eleitorais de Minas, em número de eleitores: PT e PSDB, legendas que polarizaram a disputa pela Presidência da República nas últimas cinco eleições, fazem confrontos diretos pelas prefeituras de Contagem, Betim, Uberlândia e Juiz de Fora. Os duelos são acirrados. Juntas, essas quatro cidades representam 10% do eleitorado mineiro, o segundo maior do país, quantitativo importante que pode fazer a diferença na disputa de 2014 para os cargos de governador e presidente. Nessa conta não entra Belo Horizonte, que foi palco de polêmica aliança entre petistas e tucanos no último pleito para a administração municipal e agora vive batalha eleitoral protagonizada pelos dois partidos, apesar de oficialmente não haver nenhum tucano na disputa pela prefeitura. É que a candidatura de Marcio Lacerda (PSB), que concorre com Patrus Ananias (PT), conta com o apoio do senador Aécio Neves (PSDB), pré-candidato à sucessão de Dilma Rousseff.

 

Nas duas maiores cidades da região metropolitana, Betim e Contagem, que juntas somam quase 700 mil eleitores, a disputa entre petistas e tucanos é ferrenha, com troca de acusações e saraivada de críticas. Em Betim, as duas legendas se revezam no poder desde 1993. Nesta eleição, a atual prefeita, Maria do Carmo Lara (PT), disputa mais um mandato com o ex-prefeito Carlayle Pedrosa (PSDB), que governou a cidade entre 2001 e 2008. Antes dele, o prefeito era o também petista Jesus Trindade, eleito sucessor de Maria do Carmo Lara na disputa de 1996.

 

 
 

Em Contagem, o PT tenta eleger o deputado estadual Durval Angelo para a vaga hoje ocupada pela petista Marília Campos, que administra a cidade desde 2005. Seu maior rival é o tucano Ademir Lucas (PSDB), derrotado no segundo turno das eleições de 2008 por Marília Campos. Ademir, primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, tenta voltar ao poder na cidade que já governou por duas vezes (1989/1992 e 2001/2004). Por fora, corre o deputado estadual Carlin Moura (PCdoB), em terceiro lugar no páreo, quase colado em Durval. O PT fez de tudo, sem sucesso, para atrair o comunista para fortalecer a chapa de Durval. Para tentar reverter a desvantagem, o PT, junto com outras 14 legendas que fazem parte da coligação que apoia Durval, conseguiu autorização junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) para garantir a veiculação de propaganda eleitoral na televisão. Das sete cidades que poderão ter segundo turno em Minas Gerais, Contagem era a única a não ter palanque eletrônico.

 

Marcus Pestana, presidente do PSDB em Minas:  “A disputa entre duas legendas é uma tendência em todo o mundo, como acontece nos Estados Unidos”
 
 

Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, terceiro maior colégio eleitoral do estado, com quase meio milhão de eleitores, foi formada ampla coligação de partidos da base aliada do governo Dilma para tentar eleger o deputado federal Gilmar Machado (PT). Ele disputa com o deputado estadual Luiz Humberto (PSDB) que, apesar do apoio do atual prefeito, Oldemo Leão (PP), cuja gestão é bem avaliada pela população, está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto.

 

Na Zona da Mata, em Juiz de Fora, tucanos e petistas mais uma vez disputam o comando da prefeitura, repetindo o cenário das últimas eleições, mas tendo no páreo um terceiro candidato que coloca em risco a ida do PSDB para um eventual segundo turno contra o PT, como ocorreu em 2008. O atual prefeito, Custódio Mattos (PSDB), é o terceiro colocado nas pesquisas, atrás do deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), que conta com uma pequena folga em relação ao tucano. Em primeiro lugar está a petista Margarida Salomão. Na disputa anterior, Custódio virou sobre a petista Margarida, que havia vencido o 1º turno com folga, e saiu vencedor com 51,82% dos votos válidos contra 48,18% da rival.

 

Reginaldo Lopes, presidente do PT mineiro:   “A visão dos dois partidos sobre gestão e administração pública são muito distintas”
 
 

O presidente do PT mineiro, deputado federal Reginaldo Lopes, diz que a polarização entre tucanos e petistas se acirrou por causa de 2014, quando as duas legendas, mais uma vez, devem se enfrentar pela Presidência da República, tendo Dilma de um lado e um tucano mineiro, o senador Aécio Neves, do outro. Para ele, o que separa mesmo o PT do PSDB é a ideologia: “Os projetos e a visão dos dois partidos sobre a administração pública são muito distintos”. O presidente do PSDB, Marcus Pestana, discorda radicalmente de Lopes. Para ele, desde que o PT abandonou o socialismo radical e passou a ser um partido social-democrata, as duas legendas passaram a disputar o mesmo eleitorado, o que acirra a polarização. Além disso, aponta Pestana, desde a eleição de Fernando Henrique Cardoso, as disputas nacionais passaram a ter como “colunas vertebrais” o PT e o PSDB. “A polarização entre duas legendas é uma tendência que acontece em todo o mundo. É assim nos Estados Unidos, por exemplo, onde o poder é dividido entre republicanos e democratas”, comentou.

 

Para o cientista político Malco Camargo, essa rivalidade não é nenhuma novidade e segue a tendência nacional de polarização entre as duas legendas que disputam o comando do país desde 1995, quando o PSDB assumiu o poder com a eleição de Fernando Henrique Cardoso. “PT e PSDB são os maiores partidos do Brasil e essa disputa entre os dois tende a ser reproduzida nas grandes cidades, onde as disputas são acirradas e ainda contam com horário gratuito.”

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