O novato e o veterano

por Paulo Paiva 13/09/2012 11:31

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A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) é cenário de duas situações curiosas nas eleições deste ano. Nova Lima, de 81 mil habitantes, tem como líder das pesquisas de intenção de voto para prefeito o deputado federal Vitor Penido (DEM), de 70 anos, empresário e advogado. Experiente, Penido já ocupou o cargo por quatro mandatos e tenta agora voltar à prefeitura pela quinta vez. Já Ibirité,  município vizinho ao Barreiro, com 160 mil habitantes, tem na disputa um dos 10 candidatos mais jovens do Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Antônio Pinheiro Neto (PP), o Pinheirinho, de apenas 21 anos, estudante de direito e sem qualquer experiência política, embora tenha ocupado o cargo de secretário de Planejamento da atual administração da cidade. Pinheirinho também lidera as pesquisas.

 

Penido aposta justamente na força da experiência para conquistar os eleitores. Pinheirinho segue o caminho oposto: usa sua juventude e o fato de ser uma novidade na política para atrair o eleitorado jovem. Mas não deixa de pontuar a tradição da família: é filho do ex-prefeito de Ibirité e deputado federal Toninho Pinheiro, e sobrindo do deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Dinis Pinheiro.

 

O desafio de ambos também é diferente: com bom padrão de qualidade de vida atestado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – 0,821 –, Nova Lima vive um boom de condomínios de alto luxo, provocado por moradores que estão trocando a capital pela tranquilidade da cidade. Também abriga a sede de empresas como Fiat do Brasil e Global Value Soluções (IBM), além da Casa Fiat de Cultura  e Fundação Torino. Foi sob a gestão de Penido que a cidade deu o salto que a libertou da dependência de uma única atividade econômica – a exploração de ouro da histórica Mina Morro Velho, atual AngloGold Ashanti. A meta, portanto, é consolidar esse movimento.

 

Ibirité, por sua vez, continua com a economia centrada no plantio das hortaliças que abastecem BH e na atividade de mineração. Mas a cidade já avançou: a Fundação Helena Antipoff é agora um campus da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg) – e metade da Refinaria Gabriel Passos (Regap), da Petrobras, está localizada em áreas do município. Criou também um distrito industrial, que deve gerar empregos qualificados para a população, uma das principais carências da cidade. Veja o que pensam os dois candidatos sobre política e suas propostas.

 

Três perguntas para Pinheirinho

 

 
 

Ibirité tem 160 mil habitantes e uma atividade econômica ainda incipiente. Como administrar uma cidade desse porte sem experiência política e com apenas 21 anos de idade?
Sou jovem e conto com a força da juventude. Quanto à experiência, nasci e cresci numa família que sempre abraçou a vida pública. Meu pai, Toninho Pinheiro, é deputado federal e foi prefeito de Ibirité por três vezes. Meu tio Dinis Pinheiro é deputado estadual pela quinta vez e hoje ocupa a presidência da Assembleia Legislativa. Fui secretário de Planejamento na atual administração do prefeito Laércio Dias e, desde meus 15 anos, acompanho meu pai e meu tio em suas caminhadas na vida pública. Portanto, conheço os problemas administrativos de Ibirité, cidade onde nasci, cresci e vivo atualmente.

 

A juventude, de uma maneira geral, nutre certa desconfiança em relação à política. O fato de ser tão jovem pode reverter isso?
De fato, há desconfiança. Tantas denúncias e desmandos na esfera do poder político colocaram os jovens na defensiva. Mas tenho sentido uma atitude diferente em relação a minha candidatura. A juventude tem respondido bem, com apoio, participação ativa na campanha e sugestões para o programa de governo.

 

Na sua idade, a maioria dos jovens prefere se dedicar aos estudos, às baladas e ao namoro. Enfim, os jovens se divertem. Como conciliar essas aspirações com as obrigações administrativas de um prefeito?
De fato, é uma responsabilidade muito grande. Mas a partir do momento em que se assume uma responsabilidade como essa, é preciso abrir mão de muita coisa. Estou consciente disso. Temos de fazer escolhas na vida. Se for eleito, sei que não poderei ter a vida que os jovens da minha idade têm. Hoje, por exemplo, não tenho namorada nem tenho tempo para pensar nisso. Faço campanha das 7h às 23h30.  E sei que, como homem público, tenho de me preservar. Quanto aos estudos, vou tentar conciliar a faculdade com a função de prefeito. Faltam dois anos para que eu me forme em direito. Não tenho pressa. Se for preciso, posso demorar um pouco mais. Vale a pena? Acredito que sim. Afinal, penso que também será gratificante, como prefeito, participar da vida da cidade e poder contribuir para melhorar a vida dos moradores.

 

Três perguntas para Vitor Penido

 

 
 

Experiência como administrador é fundamental para um candidato a prefeito?
Claro. Um bom prefeito tem de ser também um bom gestor público. E a experiência conta na decisão do melhor aproveitamento dos recursos públicos. É preciso estar próximo da população para realizar um bom governo. Quem tem experiência também pode trabalhar com mais rapidez, pois já conhece os processos públicos, tem relações fortes estabelecidas com os governos estadual e federal para atrair os benefícios e os recursos aos quais os municípios têm direito. Não basta apenas ter boas intenções.

 

O senhor tem 70 anos de idade e mandato de deputado federal até 2014. Está numa fase da vida em que muitas pessoas gostariam de curtir a família. O que o fez entrar agora numa disputa municipal?
Estou frustrado com a vida no parlamento. Já apresentei mais de 20 projetos, inclusive o que limita as verbas para as câmaras municipais,  e não vi qualquer resultado prático. As coisas não andam. E não sei ficar em um lugar onde não se vê resultados. Além disso, sou filho de Nova Lima. Tenho visto absurdos na cidade. O ensino, por exemplo, está caótico. Então, sinto que tenho uma obrigação, um dever, com a população. Acredito que minha experiência pode ajudar a cidade. De fato, acho que dificilmente você encontraria outra pessoa com  a experiência que tenho e, depois de já ter feito tudo que fiz, que estivesse disposto a entrar agora em um novo desafio. Minha família cobra minha presença. Tenho sete netos e gostaria de ficar mais com eles. Mas tenho certeza de que, como prefeito, ainda posso fazer muita coisa boa para os moradores de Nova Lima. É isso que me move. Não estou na política por profissão. Estou na política por ideal.

 

O fato de o senhor disputar a prefeitura oito anos depois de ter deixado o cargo significa que Nova Lima não gerou novas lideranças?
Faltam pessoas com a experiência que tenho. Como disse, não basta apenas ter boas intenções. É preciso conhecer os problemas da cidade e saber como resolvê-los. Nova Lima carece, sim, de uma pessoa mais experiente na administração pública. Eu tenho história, tenho passado. E estou disposto a colocar tudo isso a favor dos nova-limenses.

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