Política sem escola

por Aristóteles Drummond 08/10/2012 10:11

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Sou defensor do movimento de 1964, que devolveu a paz ao Brasil, promoveu o progresso, modernizou o estado, mas há que se lamentar as falhas desnecessárias. E não foram poucas, é claro. Desde a censura inócua a músicas e peças teatrais, de acesso tão limitado à população, assim como molestar jornalistas e intelectuais que não tinham relação direta com o terrorismo, hoje denominado “luta armada”, até a falta de preocupação na renovação de quadros políticos. Aproveitaram o que havia de melhor e não formaram lideranças para o futuro. Hoje, verifica-se a dimensão do erro, pois a classe política mais atuante é dominada pelas esquerdas, e a maioria, silenciosa, é pouco presente pela ausência de talentos.

 

O regime é chamado de militar, mas nenhum membro das Forças Armadas assumiu o comando dos estados que compõem a federação. O almirante Faria Lima, no Rio, foi um caso excepcional por ter implantado, competentemente, a fusão de dois estados. No mais, as eleições indiretas, a partir de 1966, só fizeram eleger políticos para governadores, como a série de udenistas mineiros – Rondon Pacheco, Aureliano Chaves e Francelino Pereira –; Laudo Natel, Paulo Egídio Martins, Abreu Sodré e Paulo Maluf (este até à revelia do Planalto), em São Paulo; Luís Vianna Filho, Roberto Santos (que depois passou para a oposição), Antônio Carlos Magalhães, na Bahia; Peracchi Barcelos, Euclides Triches, Amaral de Sousa, no Rio Grande do Sul; Nilo Coelho, Moura Cavalcanti e Marco Maciel, em Pernambuco; e por aí vai.

 

Eles eram eleitos com a concordância dos militares, mas eram todos homens com origem na vida política e a grande maioria testada nas urnas, em eleições proporcionais. Esgotada esta geração – de muito boa qualidade, é bom lembrar –, a política caiu no vazio. Hoje são expoentes, não por acaso, os que nasceram na política, como os casos dos senadores Aécio Neves, filho de deputado e neto de deputados pelos dois lados; José Agripino Maia, de família tradicional na política potiguar; Cássio Cunha Lima, filho de político; Armando Monteiro, cujo pai foi empresário e líder do PSP em Pernambuco; Fernando Collor, cujo pai foi senador e governador.

 

Como se vê, as boas revelações foram formadas em casa, na vocação e no compromisso público. E o exemplo maior é a bancada mineira, que tem significativa presença de filhos de antigos e ilustres parlamentares, como Rodrigo de Castro, o mais votado e filho de Danilo de Castro; Bilac Pinto, filho e neto de deputados; Paulo Abi-Ackel, cujo pai foi dos mais brilhantes tribunos do Congresso; Bernardo Vasconcelos, filho de deputado de 10 mandatos; Eduardo Azeredo, filho de Renato Azeredo, expoente do PSD mineiro. Mais dois filhos, governadores, Bias Fortes e Israel Pinheiro, e um neto, Aécio Neves, no Palácio da Liberdade.

 

O curioso é que parece que os militares tiveram esta preocupação em relação a seus quadros. Afinal, nestes 27 anos após o último militar ter deixado o poder, os militares continuam coesos, cultores do legado de seus chefes, disciplinados, e transmitindo à nação que os respeita e admira – nas pesquisas, estão ao lado da Igreja – confiança e segurança. E continuam à disposição do Brasil. Aliás, o que os governos pós-85 bem sabem, pela pronta resposta ao chamamento em momentos de gravidade – greve de policiais na Bahia e em Tocantins, grandes eventos no Rio, as operações de pacificação, etc.

 

Pena que tenham se esquecido de formar políticos comprometidos com um programa liberal, de desenvolvimento com segurança e respeito. Mas, a cada eleição, as coisas vão melhorando, e agora o Judiciário vem procurando preencher essa lacuna de qualidade executando a nova legislação, denominada “ficha limpa”. Além da lei de responsabilidade fiscal, melhor legado dos anos FHC. Certas coisas no Brasil andam – mas, infelizmente, sem a velocidade recomendada.

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