O rostinho que brilha

por André Lamounier 08/10/2012 10:08

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A subeditora Ellen Cristie, 40 anos, é do tipo que respira jornalismo. “Já acordo ligada para ver o jornal, a internet e a TV”, diz. Ellen tem uma história marcada pela determinação e garra. Desde pequena, queria ser jornalista. “Quando entrei na  faculdade decidi que lutaria para trabalhar no melhor jornal mineiro: o Estado de Minas.” Ela viu no curso de trainee do jornal a porta de entrada que desejava. Em 1994, aos 21 anos, concorreu com mais de mil candidatos e foi uma das 20 escolhidas. Não mais saiu do jornal. Ao longo desse tempo, já fez reportagem policial, de cidades, esportes e atualmente é uma das responsáveis pela área de saúde. Eclética, é do tipo que topa qualquer coisa. “Comigo, não tem tempo ruim”, diz. Mestre em jornalismo pela PUC Minas, a ela foi dado o desafio de fazer a matéria de capa desta edição. Experiência profissional e capacidade técnica não lhe faltavam para construir uma boa reportagem. Mas para minha surpresa, quando lhe pedi que cuidasse do tema, há três meses, descobri uma novidade. Ellen, ela mesma, estava tentando ter filhos havia cinco anos. No período, teve três abortos naturais e outras três tentativas frustradas de fertilização in vitro (FIV). Mas ela estava determinada a ser mãe. Persistiu e, de forma natural, engravidou. No dia em que solicitei que fizesse a pauta, ela me contou sua história. Estava com apenas dois meses e fui um dos primeiros a saber de sua gravidez. “Depois de tantos fracassos, não queria contar para ninguém”, disse. “Decidi que só tornaria o fato público quando a barriga já não me deixasse mais esconder.” Mas Ellen achou que deveria me contar. Afinal, ela conhecia boa parte dos médicos que seriam ouvidos e tinha sobre eles conceitos estabelecidos. A história, além de me sensibilizar, deu-me a certeza de que Ellen era a profissional indicada para conduzir o  assunto.

 

Sua maturidade e experiência pessoal a ajudariam a distinguir verdades das meras conversas de médicos-marqueteiros. “Adorei ter feito essa matéria”, diz. “Fiquei surpresa, nos depoimentos, com a obstinação dessas mulheres para terem filhos.” Submeter-se a tratamentos de FIV, é sabido, não é fácil. O ambiente de estresse e ansiedade, aliado a doses elevadas de hormônios, mudam o comportamento das pacientes. Mas os depoimentos das entrevistadas mostram que tudo isso pode ser recompensado. Assim como aconteceu com nossa Ellen. “Não quero festejar; depois das gestações fracassadas, fico tensa a cada novo ultrassom”. Foi nesse contexto que ela fez a belíssima matéria desta capa. “Enquanto eu não vir o rostinho de minha filha, Gabi, não vou sossegar”, diz ela. Nós também não.

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