Loucos por motos

por Pabline Félix 08/10/2012 14:27

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Léo Tavares/ Corrosivo Filmes, João Carlos Martins
None (foto: Léo Tavares/ Corrosivo Filmes, João Carlos Martins)

Nem supervelozes, nem lentos demais: para se dar bem no enduro, esporte praticado sobre motocicletas em trilhas off road, a palavra-chave é regularidade. Os pilotos precisam navegar por trajetos determinados com velocidades previamente estabelecidas pela equipe organizadora, tarefa que é comprovada via GPS. No fim das provas – algumas duram até quatro dias, como o Enduro da Independência, realizado em setembro em cidades do entorno de Belo Horizonte –, são averiguados os tempos registrados por cada participante na passagem pelos diversos postos de controle ao longo da rota e somados os descontos (cada segundo adiantado equivale a três pontos a menos, enquanto cada atrasado equivale a um). Aquele que tiver menor desvio de tempo em relação ao previsto é mais regular e, por isso, leva a “taça”.

 

O mineiro de Lavras Dário Júlio aprendeu a pilotar fazendo enduro com os amigos. Hoje, é vice-campeão do Rally dos Sertões
 
 

Entre as linhas de partida e chegada, há trilhas de terra e cascalho, pedra bruta, atoleiros, subidas e descidas íngremes e, claro, belíssimas paisagens que garantem a diversão dos amantes do esporte radical, atrativos que Minas Gerais tem de sobra e que qualificam o estado como um dos destinos mais procurados pelos chamados “trilheiros”, sejam eles profissionais ou não. “A topografia do estado é especial, porque aqui há trilhas de todos os tipos. Isso proporciona uma experiência completa para os pilotos. Não é à toa que de Minas saem campeões há tantos anos, preparados para correr em qualquer tipo de solo”, diz Rodrigo Amaral, campeão da última edição do Enduro da Independência, que tem apoio dos Diários Associados.

 

A afirmação do corredor é endossada pelo pódio da última edição do Rally dos Sertões, maior rali das Américas e segundo maior do mundo (o primeiro é o Rally Dakar): são mineiros os três primeiros colocados na categoria Motos – Felipe Zanol, Dário Júlio e Nielsen Bueno. Apesar de hoje competirem na modalidade rali, todos eles começaram no enduro, onde adquiriram habilidade e versatilidade, como garante o vice-campeão Dário Julio: “Quem anda nessas serras de Minas, anda em qualquer lugar. E se na nossa casa é assim, pesado, nos outros lugares não vemos tanta dificuldade”. Natural de Lavras, ele conta que aprendeu a pilotar com os amigos, em 1999. Desde que passou a competir, já conquistou diversos títulos, como o Campeonato Brasileiro de Enduro, no qual foi tricampeão. Em 2010, ele passou a competir em ralis e obteve excelentes colocações na principal competição do país: quinto lugar em 2010, terceiro em 2011 e segundo em 2012. “Quem tem habilidade em trilhas domina a moto muito melhor. Daí o sucesso dos mineiros nas provas motociclísticas em geral”, diz Eduardo Sachs, diretor técnico da Dunas Race, empresa organizadora do Rally dos Sertões.

 

 
 

Para se dar bem no enduro, é preciso mais que habilidade na direção. Manter o equilíbrio em trajetos hostis exige força física, que também é necessária para recuperar a moto em casos de atoleiros ou quedas, por exemplo. Por isso, a maioria dos competidores ainda é de homens, apesar de as mulheres já marcarem presença. Uma delas é Sabrina Katana, 30 anos, principal nome da categoria feminina e que conquistou o tetracampeonato na última edição do Enduro da Independência. Criada entre roncos de motores e pilotos sujos de lama por conta do pai, o veterano das trilhas Umberto Teodoro de Moraes, Sabrina aprendeu a amar as motos e hoje é dona de uma loja de roupas e equipamentos especializados em Itaguara, a 100 km de BH. “Quando não havia categoria feminina, eu competia entre os homens. Já conquistei o quinto lugar na classificação geral do Enduro da Independência e tenho o respeito dos colegas. Eles sabem como é difícil completar as etapas e eu consigo, mesmo não tendo a mesma força deles, porque me dedico”, afirma, esclarecendo que, além dos treinos semanais nas trilhas da região, ainda enfrenta uma rotina quase diária na academia para fortalecer músculos e ganhar resistência. Mas o esporte não é feito só de dureza: as viagens, que podem ser de até 200 km diários, proporcionam aos pilotos a oportunidade de desfrutar de paisagens que nem sempre vemos seguindo pelo asfalto.

 

Rodrigo Amaral foi o campeão da categoria Master da 30º edição do Enduro da Independência: “Nosso estado tem a melhor escola, que são os terrenos de vários tipos e que exigem alto nível técnico”
 
 

Se você está interessado na prática do enduro, saiba que no entorno da capital estão as melhores pistas do estado. Aos sábados e domingos, grupos de pilotos saem de pontos tradicionais (veja o quadro) para desbravar as serras de Belo Horizonte, Sabará, Macacos, Nova Lima, Ouro Preto e Mariana. Para cair na estrada sem se machucar, é preciso investir em equipamentos de qualidade: além da moto adaptada para trilhas, é preciso trajar capacete, roupa própria, bota, colete, óculos, luva, meia, cinta, joelheira, cotoveleira e protetor de pescoço. “Quem vê os pilotos e ouve o barulho das motos acha que é perigoso. Mas, se a pessoa estiver bem protegida, não oferece muito risco, até porque vale a orientação de qualquer tipo de esporte, que é o de respeitar o seu próprio limite”, garante Sabrina.

 

 
 

No Trail Clube Minas Gerais, os iniciantes também podem encontrar cursos de iniciação, noções de navegação e mecânica e educação para a prática do enduro, que são oferecidos para interessados sem limite de idade. Apenas competidores precisam ser maiores de 18 anos. “Muitos pilotos de fim de semana vão para as trilhas sem informação. Invadem propriedades, incomodam condôminos, degradam a natureza... Nada disso combina com o trail. Esporte, ainda que radical, é respeito ao outro e ao ambiente, e é isso que o clube tenta passar”, diz Gustavo Jacob, presidente da entidade.

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