Plantas de estimação

por Marina Dias 09/10/2012 12:14

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Geraldo Goulart, Samuel Gê, Eugênio Gurgel
A vida agitada da consultora Erlana Castro mudou depois que ela fez um curso de orquídeas (foto: Geraldo Goulart, Samuel Gê, Eugênio Gurgel)

O vaivém da ponte aérea Belo Horizonte-São Paulo já era costumeiro para a consultora em inovação Erlana Castro. Ainda jovem, ela começou uma carreira de executiva de sucesso, dessas que exigem foco total no trabalho, sobrando poucas horas para descansar e se cuidar. Após alguns anos nesse ritmo, os efeitos do estresse começaram a aparecer. Aos 37 anos, era obesa, fumante e hipertensa. Então, resolveu encarar o desafio de mudar a rotina. “Foi aí que as plantas entraram em minha vida”, diz. Em São Paulo, ela resolveu fazer um curso de cuidados com orquídeas, para relaxar e ocupar a mente. Só não imaginava que iria se encantar pelas plantas. “Eu comprei mudas de orquídeas e mais duas plantas em flor para casa.”

 

Além de cuidar do jardim de casa, a estudante Aline Roelens gosta de fotografá-lo: “Quando tenho contato com a natureza, fico mais sensível e mais disposta para enfrentar o dia”
 
 

Além de ajudá-la a emagrecer, parar de fumar e amenizar o dia a dia agitado, o hobby de Erlana deu tão certo que acabou se transformando em profissão. Cansada do trabalho exaustivo e inspirada pela nova paixão, em 2009 ela deixou a carreira e voltou para BH, onde abriu um pequeno negócio de produtos para as plantas. Hoje, ela não tem mais o negócio e retomou a carreira executiva, mas as plantas não saíram de sua vida. Em seu tempo livre, dedica-se à horta e ao miniorquidário montados em sua casa. “Costumo dizer que, em um mundo onde cachorro é filho, a planta é cachorro.”

 

A fisioterapeuta Ana Paula dell’Acqua começou com uma horta, mas hoje tem também um jardim em seu apartamento: “A relação com as plantas é de troca de energia”
 
 

No mundo das plantas de estimação, a consultora não está sozinha. Menos dependentes que animais, por não exigirem tanta atenção, tempo e espaço, elas vêm se transformando em uma alternativa para quem procura relaxamento e companhia, mas não pode investir em pets. O funcionário público Sérgio Alves, que mora em apartamento e trabalha o dia todo, se dedica às plantas e separa tempo precioso entre o trabalho e as viagens para cuidar de todas elas. Desde menino, ele se interessava por hortas, flores e árvores na fazenda dos pais. “Lá, tem árvores com aproximadamente 30 anos, que eu mesmo plantei”, diz. Hoje, com espaço reduzido, teve de se adaptar às espécies de menor porte. Mas se dedica tanto que, nos fins de semana, fica carregando um bonsai de uma janela a outra, para a planta tomar sol. “Ter plantas é terapêutico, faz bem para a alma. Exige persistência e cuidado, pois não adianta cuidar bem um dia e abandonar por um mês. É um ser que depende de você para viver e florescer”, afirma Sérgio.

 

 
 

Para a estudante Aline Roelens, que tem como hábito fotografar o jardim de sua casa, o cultivo é algo que ajuda a desenvolver a sensibilidade. “Quando tenho contato com a natureza, fico sensível e mais disposta para enfrentar o dia. É um hobby e uma terapia”, diz ela, que ajuda a mãe no cuidado dos pés de jabuticaba, limão, amora, framboesa, cereja, além de orquídeas, bromélias, camélias e palmeiras de seu jardim. “Ter plantas em casa significa harmonia, alegria, tranquilidade.”

 

O funcionário público Sérgio Alves não mede esforços para cuidar das várias espécies que cultiva em casa: “Carrego meu bonsai de uma janela para outra, para ele pegar mais luz”
 
 

O psicólogo Ricardo Lopes explica que o cultivo de plantas tem efeitos benéficos e funciona como terapia. “O que é a terapia, além de um tempo que você dedica a você mesmo, a se entender, a refletir? O trabalho manual, como mexer com terra, pedras, plantas, é uma forma de extravasar angústias e tem, sim, uma função terapêutica”, diz. Esse cuidado com outro ser vivo, afirma Ricardo, ajuda a desenvolver uma série de habilidades importantes para o relacionamento humano: saber cuidar, ser solidário, ter compromisso. “E o fato de ocupar o tempo ocioso também é vantagem, podendo até ser uma atividade mais produtiva, no caso de quem tem uma horta, por exemplo”, diz.

 

 
 

Foi para poder colher hortaliças de seu próprio canteiro que a fisioterapeuta Ana Paula dell’Acqua se interessou pelo cultivo de plantas. Fã de gastronomia, ela queria cultivar ervas como basílico, salsinha, cebolinha, alecrim e hortelã. Mas a paixão se expandiu e, além da horta, montou um jardim em seu apartamento, no estilo dos que são encontrados na Calábria, Itália, onde nasceu seu marido. Não faltam flores, folhas grandes e solo com forração. “Meu amor pelas plantas veio da necessidade da culinária, mas, durante minhas viagens, também me encantou a beleza de outras espécies”, diz. “A relação com as plantas é de troca de energia. Quando elas florescem, entendo como forma de agradecimento. Consigo ver o esforço, cuidado, dedicação”, revela. E esse esforço inclui até mesmo um diálogo com as plantas. “Quando minhas orquídeas paravam de florescer, eu conversava com elas, dizia que ia cuidar, mudá-las de lugar, e, muitas vezes, todas floriram.”

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