A domadora de feras

por Carolina Lenoir 09/10/2012 13:25

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Paulo Márcio
Aos cinco anos Vânia ganhou do pai cavalete e pincéis e aprendeu a pintar com artistas importantes (foto: Paulo Márcio)

Quando criança, Vânia Braga ia com os amigos a uma olaria vizinha à sua casa em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de BH, para buscar argila. Nos fins de tarde, brincava com o material e reagia ao toque frio de uma forma diferente das outras crianças. A menina que esculpia os torrões de argila não imaginava que, algumas décadas depois, seria uma das escultoras mais respeitadas do país, hoje se dedicando principalmente aos felinos. Não que lhe faltassem inspiração e dom artístico. Pelo contrário, isso transbordava em sua casa, cenário frequente de encontros artísticos. Mas, se alguém fosse apostar em uma carreira artística para Vânia, certamente seria a de pintora.

 

Única filha mulher do artista plástico Alberto Braga, Vânia ganhou, aos 5 anos, um cavalete, além de pincéis e palhetas. “Um grupo de artistas importantes se reunia lá em casa e eu aprendi a desenhar com eles. Eram pessoas como Edgar Walter, um dos mestres da pintura acadêmica.” Desse período, o irmão e marchand Vitor destaca: “Quando se tem uma escola que se faz presente no dia a dia, é possível buscar ligações de amor e profundidade dentro da arte. Vânia recebeu essa herança, que a fez segura e madura como artista ainda bem cedo.”

 

Durante 15 anos a artista trafegou da pintura acadêmica ao abstracionismo. “Lógico que fui contaminada pelo ambiente em que cresci; brinco que nasci em um ateliê. Acompanhava os pintores nos cenários retratados. Porém, encarava isso como um hobby. Só comecei profissionalmente quando me tornei marchand e abri a minha galeria”, diz.

 

Vânia tinha 20 anos e estava na faculdade quando o irmão foi morar no exterior. Passou a tomar conta da galeria e ficou por lá durante dois anos. A cada leilão, observava as obras de grandes escultores e se apaixonou principalmente por Sônia Ebling, um dos maiores nomes da escultura figurativa no Brasil. “Quando o Vitor voltou, decidi abrir a minha própria galeria e foi assim até os meus 28 anos, quando já estava casada e queria ser mãe.”

 

A artista viajava muito por causa da galeria e decidiu que não conseguiria mais conciliar realidade e anseios. Abriu, então, o seu primeiro ateliê e estudou bastante para ser uma escultora. Quando Vânia vendeu de imediato a primeira obra que colocou à venda em um leilão, percebeu que estava no caminho certo. No início, criava apenas figuras humanas femininas; há alguns anos se dedica a animais, principalmente felinos. Atualmente, Vânia conta com obras permanentes expostas em BH, Rio, São Paulo, Brasília, Goiânia e São Luiz – ela se prepara para uma exposição no Rio de Janeiro. Aos 47 anos, 35 deles dedicados à arte, está mergulhando em uma nova fase, mais erótica, em que promete evitar a vulgaridade com sensualidade e leveza.

 

As obras em bronze, mármore reconstituído e resina cristal com tinta automotiva têm traços finos e fortes, que dão vida a leões, panteras, rinocerontes e figuras humanas. O processo de criação e produção é tão único e desperta tanto interesse que a escultora está prestes a lançar um livro em que destaca o seu trabalho no ateliê, desde os desenhos, as inspirações e as pesquisas até o momento em que as esculturas vão para galerias e casas dos compradores, passando pelo molde em argila e a fundição. Por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Construtora Ápia, da Mineração Lapa Vermelha e da Cenibra, a obra deve ser lançada até o fim do ano.

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