A virada do galo

por Renan Damasceno 07/11/2012 08:55

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Eugênio Gurgel, Rodrigo Clemente/EM/D.A. Press
Ronaldinho no alto da festa: contratação arriscada que deu certo (foto: Eugênio Gurgel, Rodrigo Clemente/EM/D.A. Press)

Por volta das 13h30 de uma segunda-feira, 4 de junho, o presidente do Atlético, Alexandre Kalil, desceu a escada de acesso ao campo 1 da Cidade do Galo, em Vespasiano, ao lado da principal contratação de sua gestão e uma das maiores da história do clube. Vestindo camisa de algodão branca e com semblante de cansaço – a negociação na noite anterior, no Rio de Janeiro, havia avançado pela madrugada –, o mandatário alvinegro apresentava à torcida o campeão mundial e eleito duas vezes melhor do mundo Ronaldinho Gaúcho, com a promessa de mostrar que o Galo estava “no mapa do futebol” e iria voltar a brigar entre os grandes do futebol brasileiro.

 

Cinco meses após a arriscada e audaciosa contratação do camisa 49, o Atlético está perto de retornar à Copa Libertadores, principal competição continental, após nove anos. A temporada, que começou com a conquista invicta do Campeonato Mineiro, tem o Galo brigando com chances de título no Brasileirão, fato que não ocorria desde 1999, quando perdeu a decisão para o Corinthians. Os mineiros terminaram o primeiro turno na liderança, com 43 pontos e incríveis 79% de aproveitamento – no ano passado, na metade do campeonato, o Galo havia feito apenas 15 pontos e amargava a vice-lanterna. Terminou em 16º lugar.

 

A guinada do clube após mais de uma década de resultados inexpressivos foi uma mistura de fatores e mudanças na forma de gerir o futebol. A primeira delas foi manter o técnico Cuca, que assumiu em agosto do ano passado, quando a equipe tinha quase 80% de chances de rebaixamento. Cuca – que havia pedido demissão do arquirrival Cruzeiro um mês e meio antes – salvou a equipe da degola e, ao término desta temporada, será o primeiro treinador em duas décadas a começar e terminar o ano à frente do futebol profissional.

 

O segundo passo foi montar uma equipe competitiva – e com o pagamento em dia. Além de Ronaldinho Gaúcho, o clube trouxe Victor, ex-Grêmio, presença constante no gol da seleção brasileira, e outros jogadores que logo assumiram um lugar entre os titulares: como o lateral esquerdo Júnior César (Flamengo), o lateral direito Marcos Rocha (América), o volante Leandro Donizete (Coritiba) e o atacante Jô (Internacional), além de peças importantes de reposição, como o zagueiro Rafael Marques e o armador Escudero (Grêmio), e os atacantes Leonardo (Coritiba) e Danilinho (Tigres-MEX) – este último desligado por indisciplina.

 

Bernard, a maior revelação da temporada: “Tem muita participação do Ronaldinho na minha boa fase”
 
 

Para o diretor de futebol Eduardo Maluf, responsável por analisar o mercado e pelas contratações, o Galo acertou em inicialmente “arrumar a casa”, para depois montar um grupo forte. “Em três anos, o Kalil organizou as finanças e conseguiu equacionar algumas dívidas. Com a parte financeira andando bem é mais fácil ir às compras. Nas contratações, sentamos eu, o Kalil e o Cuca e analisamos as carências do grupo para depois contratar. Como a equipe está muito bem preparada, vamos precisar de pouco para 2013, quatro ou cinco contratações pontuais”, diz Maluf.

 

Filho de um dos presidentes mais populares da centenária história do Galo – Elias Kalil –, o engenheiro civil Alexandre Kalil, de 53 anos, iniciou seu mandato em outubro de 2008, após a renúncia de Ziza Valadares. Com o time vindo de um rebaixamento recente – retornou à elite com o título da Série B de 2006 –, Kalil não conseguiu resultados expressivos em seu primeiro mandato: contratou 75 jogadores e conquistou apenas o Mineiro de 2010 contra o Ipatinga, que havia derrubado o Cruzeiro na semifinal. Em seu mandato, cinco treinadores passaram pela Cidade do Galo: Emerson Leão, Celso Roth, Vanderlei Luxemburgo, Dorival Júnior e Cuca, atual comandante.

 

No ano da redenção do Galo, Kalil, além do título estadual invicto e da contratação de Ronaldinho Gaúcho, firmou uma parceria com a BWA para gerir a Arena Independência, no Horto, reinaugurada em abril após quase dois anos de reforma. O clube tem direito a 45% das receitas; a BWA, igual parte; América, 5%; e o governo do estado, os outros 5%. A identificação entre torcedor e estádio foi imediata. Apesar de ter capacidade para 23 mil torcedores – lotação bastante inferior a Engenhão (Rio), Olímpico (Porto Alegre), Pacaembu e Morumbi (São Paulo), por exemplo –, o Atlético tem a quarta melhor média de público do Brasileirão, com 18.038 pagantes por jogo, atrás apenas de Corinthians, São Paulo e Grêmio.

 

Apesar do ano positivo, nem tudo são flores na administração de um clube. Segundo relatório apresentado pela consultoria BDO sobre as finanças dos clubes brasileiros, em maio, o Atlético era o quarto clube brasileiro de maior dívida (R$ 367,592 milhões), atrás de Botafogo, Fluminense, Vasco e à frente do Flamengo. Os números foram rechaçados à época pelo clube, que alegou a contratação de uma auditoria independente, responsável pela reavaliação do patrimônio, que passou de R$ 230 milhões para R$ 671 milhões.

 

Júnior César treina forte na Cidade do Galo: centro de treinamento do clube é considerado o mais completo do Brasil
 
 

Entre os principais patrimônios do Atlético estão o DiamondMall, ao lado da sede social do clube, em Lourdes, a Vila Olímpica e o Labareda, próximos à lagoa da Pampulha, e a Cidade do Galo, eleita em pesquisa da Sportv em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) o melhor centro de treinamento do Brasil.

 

Além de servir para os treinos dos profissionais, o CT de 250 mil metros quadrados de área total é usado pelas categorias de base, celeiro de bons jogadores. Um deles, que subiu para os profissionais recentemente, foi um dos mais favorecidos pela chegada de Ronaldinho Gaúcho: o jovem atacante Bernard, de 20 anos, uma das revelações do Brasileiro. “Tem muita participação do Ronaldinho na minha boa fase. Na parte da confiança, ele me ajudou bastante. Sempre me aconselha antes dos jogos.”

 

Apesar de ser bem querido por jogadores e comissão técnica, Ronaldinho ainda não sabe se continua no Atlético em 2013. Ele veio para Minas após entrar em litígio com a diretoria do Flamengo, cobrando R$ 40 milhões por quebra de contrato. Fechou por seis meses sem despesas com o Galo, que banca apenas o salário – que, segundo especulações, gira em torno de R$ 300 mil. O astro ficando no clube ou não, Kalil já deixou o recado para os próximos anos. “Nós estamos no mapa. Minas Gerais está no mapa. Aqui atrás da montanha tem um clube organizado, capaz e competente.”

 

10 motivos para comemorar

 

Por que o atleticano pode fazer a festa em 2012

 

1- Desde 1999, o Galo não aparecia na briga pelo título brasileiro


2- Após nove anos, o time vai voltar a disputar a Libertadores


3- É campeão mineiro do ano sem nenhuma derrota


4- Cuca é o primeiro técnico em 20 anos a começar e terminar uma temporada

5- Contratações acertadas, com destaque para a de Ronaldinho


6- Aproveitamento de jogadores das divisões de base, de onde veio Bernard


7- Cidade do Galo eleita o melhor CT do Brasil


8- Contas saneadas e pagamento de salários dos jogadores e dos funcionários em dia

9- Parceria para a gestão da Arena Independência

10- Quarta melhor média de público do Brasileirão, apesar da menor capacidade do Independência

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