Inspiração para o mundo

por João Paulo Martins 07/11/2012 06:19

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D.A. Press, Maíra Vieira, Samuel Gê
Museu de Arte da Pampulha: criado em 1946, o espaço funcionou como cassino até 1956 (foto: D.A. Press, Maíra Vieira, Samuel Gê)

Com quase 400 mil habitantes em meados do século passado, Belo Horizonte tinha poucas opções públicas de lazer. Para sanar essa demanda e atrair o turismo para a região Norte da capital, o então prefeito Juscelino Kubitschek pôs em prática o projeto de seu antecessor Otacílio Negrão de Lima e construiu a lagoa artificial da Pampulha. Ainda como parte de seu plano, JK convidou o arquiteto carioca Oscar Niemeyer – que trazia a influência do modernismo e do uso criativo do concreto – para a construção de cinco edificações: um cassino, um clube de elite, um salão de danças popular, uma igreja e um hotel (que não chegou a ser construído). As obras foram finalizadas em 1946. Agora, 66 anos depois, o complexo arquitetônico da Pampulha será revitalizado e entregue ao público até a Copa de 2014, com a pretensão de receber, antes do evento esportivo, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco. Se assim for, BH será a quarta cidade de Minas – junto a Congonhas, Diamantina e Ouro Preto – reconhecida por sua qualidade artística.

 

 

 
 


A revitalização do conjunto modernista e cheio de curvas de Niemeyer já está a todo vapor. Em outubro, o Museu de Arte da Pampulha (MAP) – que desde 1946 funcionava como cassino e apenas em 1956, com a proibição do jogo no Brasil, transformou-se em espaço cultural – fechou as portas para o início das obras em seu interior, com substituição do carpete e pintura das paredes, e para limpeza das fachadas. Como o intuito é não deixá-lo parado, sem visitação pública, dia 10 de novembro ele será reaberto, com exposição de peças de seu acervo, que incluem Portinari, Volpi, Guignard e Di Cavalcanti. “A obra no museu será dividida em fases, pois não temos interesse de deixar os equipamentos de cultura fechados”, explica Leônidas Oliveira, diretor da Fundação Municipal de Cultura (FMC).

 


Em fevereiro de 2013 será a vez do piso de mármore português, cuja obra de restauração deve durar 40 dias. “Em seguida, o MAP será reaberto com outra exposição, e depois continuamos com a reforma das esquadrias das janelas e da recomposição dos jardins de Burle Marx”, completa o diretor da FMC. As demais obras de Niemeyer estarão em reforma concomitantemente ao MAP.

 

 

O complexo arquitetônico da Pampulha será restaurado, entregue à população até a Copa de 2014 e ainda pode receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade
 
 


A Casa do Baile, que se tornou espaço de cultura, terá as fachadas limpas e a recuperação dos azulejos de Portinari. A Casa Kubitschek, que não é tão conhecida do público e também foi um pedido do então prefeito ao arquiteto carioca, está sendo totalmente restaurada e abrigará um museu com 93 móveis do estilo modernista.

 


Outra obra que não poderia ficar de fora é a igreja de São Francisco de Assis, que, ao contrário das demais, já passou por algumas reformas, mas sofre com infiltração. As reformas incluem ainda os jardins de Burle Marx, que retomarão as formas e estruturas originais, incluindo a execução do projeto da praça Dalva Simão, entre as avenidas Santa Rosa e Otacílio Negrão de Lima, que nunca chegou a ser feito.

 

 

Leônidas Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura, diz que obras do MAP ocorrerão em etapas: “Não deixaremos os equipamentos de cultura fechados”
 
 


Para conquistar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, além da reforma do conjunto arquitetônico, será realizada também a revitalização ambiental da Pampulha. A prefeitura solicitou ao Banco Interamericano de Desenvolvimento um empréstimo de US$ 75 milhões para desassoreamento da barragem – a estimativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente é de que sejam retirados 750 mil metros cúbicos de sedimentos –, requalificação da enseada do zoológico e conclusão da limpeza dos afluentes da lagoa. “A prefeitura vai começar as obras independentemente de o BID liberar o dinheiro”, afirma Weber Coutinho, coordenador do projeto de recuperação da lagoa da Pampulha.

 


Prevista para começar em janeiro de 2013, a melhoria do espelho d’água deverá ser feita por meio da aeração, técnica utilizada no rio Tâmisa, em Londres, ou por biorremediação, através de micro-organismos que ajudam a degradar os poluentes. “Esperamos alcançar uma qualidade de água de classe 3, que possibilita uso recreativo de contato secundário, como remo e pesca”, explica Weber.

 

 

Obras no Museu de Arte da Pampulha: restauração do piso de mármore, das esquadrias das janelas e dos jardins de Burle Marx
 
 


De acordo com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o processo de obtenção do título será aberto para reconhecimento da Unesco no primeiro trimestre de 2013. Mas um passo importante já foi dado: o complexo da Pampulha faz parte da chamada lista indicativa. Com isso, ele está oficialmente entre os bens que o governo federal relacionou para enviar ao Comitê do Patrimônio Mundial. Agora é só esperar, já que ainda não existe uma data oficial para a decisão da Unesco.

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