Socorro, preciso de reforço!

por Nayara Menezes 08/11/2012 06:35

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Samuel Gê
Igor Menezes de Miranda está em apuros na reta final: “Deixei para a última hora" (foto: Samuel Gê)

As provas finais se aproximam e Igor Menezes de Miranda, 13 anos, aluno do 8º ano do Colégio Nossa Senhora das Dores, está ansioso e preocupado. Como não estudou nas primeiras etapas, em menos de dois meses precisa recuperar o conteúdo de todo o ano letivo. Sente-se com a corda no pescoço. “Sei que deixei para a última hora. Então, agora, preciso acertar cerca de 80% das questões de duas provas para passar de ano”, diz. Mas ele promete fazer o possível e o impossível para conseguir o feito. “Vou dar o máximo de mim, estudando muito e contando com a ajuda de um professor particular.” Igor faz parte de um vasto universo de alunos que recorrem à ajuda de um profissional fora da escola para sanar dúvidas, aprofundar-se no conteúdo dado em sala de aula e, principalmente, dar aquela forcinha na hora do aperto.

 

“O fim do ano é a hora do agora ou nunca. Por isso, a procura chega a dobrar nessa época”, conta Stefany Monteiro, professora particular de diversas disciplinas. Ela coordena um grupo de professores particulares e vai até a casa dos clientes para dar esse empurrãozinho. “Sozinhos e no ambiente de casa eles costumam render mais, pois não têm outras distrações, como na escola. Como as aulas são individualizadas, temos tempo de trabalhar as dúvidas que não foram sanadas dentro de sala, de detalhar o conteúdo com calma”, explica a professora. Mas ela alerta que o ideal é que, assim que os estudantes manifestem alguma dificuldade, já procurem por auxílio profissional e não deixem para a última hora, como muitos fazem. “Quando o acompanhamento é feito no decorrer do ano, os resultados são muito mais satisfatórios”, diz.

 

Sofia Pessoa com a professora Stefany Monteiro: para não passar sufoco no fim do ano, ela faz aulas
de reforço regulares
 
 

É o que faz Sofia Pessoa Loiola, de 12 anos, aluna do 6º ano do Colégio São Tomás de Aquino. Há cerca de três anos a menina faz acompanhamento escolar com Stefany. “Ela começou a ter dificuldades em matemática e apresentar desempenho abaixo da turma. Por isso, recorri à ajuda profissional”, conta a mãe de Sofia, Luciana Pessoa. Hoje, Sofia recuperou as notas perdidas e acompanha bem o ritmo da turma. “Agora consigo entender melhor as aulas da escola”, declara a menina. O mesmo aconteceu com Ana Luiza Ribeiro, de 16 anos, aluna do 2º ano do Colégio Arnaldo: “Os números sempre foram um problema em minha vida. Eles me atrapalham”. Para lidar melhor com eles, ela também buscou ajuda de uma professora particular e, há três anos, incorporou as aulas de reforço em sua rotina. “Faço duas vezes por semana. Sinto-me bem mais à vontade para fazer as perguntas e me ajuda muito na escola”, diz a adolescente.

 

Estudantes com perfis como os de Sofia e Ana Luiza são assíduos dos cursos especializados em reforço escolar. “Hoje temos alunos durante todo o ano”, diz Bruno Maia, professor e sócio do curso Aprovação Fourrier, no bairro Santo Antônio, especializado em aulas de reforço. A escola, que tem seis anos de vida, cresce a uma média de 35% ao ano. “Começamos em uma pequena sala e logo fomos obrigados a mudar para espaço maior para atender à demanda crescente”, diz. Hoje são 12 professores que atendem a pelo menos 700 alunos por ano. Metade  faz aulas regularmente desde o início do ano. “A outra metade são os desesperados, que nos procuram quando já estão na corda bamba”, diz Bruno. O estudante João Dicker, de 16 anos, do Colégio Santo Agostinho, foi um desses. No ano passado, procurou o curso no fim do ano. “Esperei ficar bem ruim. Geralmente empurrava com a barriga, porque no fim sempre dava para passar”, conta.

 

Evanita da Mata com a aluna Ana Luiza Ribeiro:“Sinto-me bem mais à vontade para tirar dúvidas”, diz Ana Luiza
 
 

Ao chegar ao extremo, quando precisava atingir quase 90% da pontuação em praticamente todas as matérias, João pediu socorro à legião de professores particulares. “Foi a melhor coisa que fiz. Além de conseguir passar em todas as disciplinas, aprendi a ter rotina de estudos e a não deixar tudo para a última hora.” Hoje, João, que se tornou um aluno regular do curso, aprendeu a lição e está com a situação bem mais tranquila. “Não estou precisando de muitos pontos em nenhuma matéria. Em física, por exemplo, disciplina em que eu quase fui reprovado no ano passado, já passei antes das provas finais”, fala.

 

Laura Dutra Benjamin prefere as aulas particulares: “Não tem a pressão e a cobrança da escola”
 
 

Mas apesar de exaltada pelos estudantes, a aula de reforço não é vista com bons olhos por todos. O diretor geral e pedagógico do Colégio Santo Antônio, frei Jacir de Freitas Faria, é veementemente contra o reforço fora da escola. “Hoje a maioria dos colégios oferece suporte além do quadro regular de aulas, com monitorias em que os alunos podem tirar suas dúvidas. Por isso, a não ser em casos excepcionais, não incentivamos essa prática, que pode virar uma muleta para os estudantes. Acreditamos que os alunos podem tornar-se dependentes das aulas particulares e perder o interesse pelas aulas da escola”, explica. Exemplo é a estudante Laura Dutra Benjamin, de 17 anos, aluna do 2º ano do Colégio Loyola. Há dois anos ela faz reforço em um curso com poucos alunos na sala e admite que o ambiente é mais atrativo que o da escola. “O clima é descontraído, aprendemos de forma mais leve, brincando. Na escola tem toda uma pressão, uma cobrança maior”, diz. Mas, apesar de gostar mais das aulas particulares, Laura sabe que elas são apenas um complemento para seus estudos. “O curso particular me ajuda a melhorar meu desempenho na escola”, diz.

 

Professor Bruno Maia com o aluno João Dicker: “Empurrava com a barriga, mas quando ficou bem ruim procurei ajuda”, diz Dicker
 
 

Além da dificuldade com as exatas, Laura diz que a timidez é outro ponto que a faz preferir as aulas privadas. “Na sala do colégio tem muita gente, nem sempre me sinto à vontade para perguntar na frente de todo mundo.” A professora Evanita Rossi da Mata, que tem vasta experiência na área, concorda: “Muitos alunos são tímidos, têm vergonha de perguntar na frente dos outros colegas, medo de que a sua dúvida seja vista como ridícula. Então, eles geralmente sentem-se mais confortáveis em ambiente privado”, explica.

 

De acordo com a psicopedagoga Joana D’Arc Bittencour, é preciso que os pais estejam atentos aos sinais demonstrados pelos filhos. “Eles têm de aprender a socializar, a enfrentar esses temores.” Apesar disso, Joana é favorável às aulas particulares em situações específicas. “Em alguns casos as aulas são importantes, pois há dificuldades pontuais que podem e devem ser tratadas.” Mas os pais devem observar se o fraco desempenho não indica outro problema, de fundo psicológico. “Se o aluno apresentar uma dificuldade em uma ou duas disciplinas, tudo bem. Mas, se a dificuldade for generalizada, deve-se avaliar se aquela escola está adequada, se há diálogo constante entre alunos, pais e professores. Os pais não devem deixar de supervisionar, cobrar, orientar”, diz a psicopedagoga.

 

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