A força que arrepia

por André Lamounier 10/12/2012 07:32

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Cláudio Cunha
Marina Dias, 24 anos: sensibilidade para retratar pessoas que se dedicam ao trabalho voluntário (foto: Cláudio Cunha)

Há cerca de um mês a repórter Marina Dias entrou na minha sala entusiasmada com a reportagem na qual estava envolvida: identificar pessoas que voluntariamente dedicam parte de seu tempo (algo cada dia mais valioso em nossas vidas) para ajudar ao próximo, a quem precisa.

 

Marina não se ateve simplesmente ao relato objetivo e prático do andamento da pauta. Ela queria contar sua experiência de vivenciar tudo aquilo, estava sensibilizada com os gestos de desprendimento e ação humanitária de seus entrevistados. Em outras palavras: ela se envolveu emocionalmente com o tema e de mera espectadora tornou-se cúmplice. “Os entrevistados são quase unânimes em afirmar que os maiores beneficiados dos gestos que eles fazem são eles próprios”, diz ela. Eu reagia de forma serena aos relatos que ouvia. Incomodada, Marina instigou-me: “Você não se arrepia com isso?”.

 

O objetivo de Marina, uma jovem de 24 anos que estudou na Universidade de Nanterre (Paris 10), na França, com a reportagem que ilustra a capa desta edição, não era mostrar como parte da sociedade em que vivemos é carente e precisa de ajuda. Mas valer-se do depoimento real de pessoas de nossa cidade para, por meio dessas histórias, estimular mais e mais pessoas a se tornarem solidárias.

 

Belo Horizonte e Minas Gerais vivem um momento de prosperidade, de obras. É parte do retrato do Brasil que dá certo. Mas empresários, executivos, políticos e o cidadão comum já perceberam que essa prosperidade vem sendo ameaçada por novas forças do mercado. Já não basta ser o mais produtivo e eficiente. Ter a melhor logística. É fundamental conseguir vencer o desafio de tornar nossa sociedade mais justa, mais igual.

 

Em outra reportagem, a jornalista Sílvia Laporte, referência quando o assunto é gastronomia, foi atrás das novas confeiteiras da cidade. Gente que, muito além do Natal, vive de doces e quitutes para tornar a vida mais suave e gostosa o ano inteiro. Descobrir e mostrar novos talentos é também papel importante de um veículo como Encontro.

 

Isso também vale para a política. Em matéria escrita por Alessandra Mello, vocês, leitores, poderão conhecer um pouco mais sobre o novo prefeito eleito de Contagem, Carlin Moura. Um jovem de 44 anos, determinado e com enorme capacidade de diálogo e articulação. Apesar de filiado ao PCdoB, Carlin consegue reunir apoio e respeito de lideranças de quase todos os partidos, do PT ao PSDB. Agora, ele terá pela frente duplo desafio: administrar uma cidade do tamanho e da complexidade de Contagem e fazer de sua gestão um exemplo, não só para o PCdoB – que terá em Contagem a maior cidade administrada pelo partido no Brasil –, mas também para todos os brasileiros que andam descrentes com os políticos, em tempos de mensalão. O estilo de Carlin,  humilde e disciplinado, é seu maior aliado.

 

Encontro acredita nas pessoas. Acredita na humildade, no talento, no trabalho e na solidariedade como forças de transformação.

 

Iniciativas como as relatadas pelos personagens da capa são, portanto, valorosas. Porque elas ajudam a mudar o Brasil. E isso, minha cara Marina, é, sim, de arrepiar.

Últimas notícias

Comentários