Monotrilho: a nova aposta

por Pedro Rocha Franco 11/12/2012 08:59

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Paulo Márcio
Equipamento é usado em vários países, como nos EUA: novidade chega a São Paulo no ano que vem (foto: Paulo Márcio)

Metrô, veículo leve sobre trilhos (VLT), corredores rápidos de ônibus... As propostas para agilizar o transporte de passageiros de Contagem, Betim e demais municípios do vetor Oeste foram muitas nos últimos anos. Nenhuma saiu do papel. Mas uma nova proposta entrou em cena e muitos garantem ser a mais viável: o monotrilho. A ideia não se restringe a um único percurso. Projetos em andamento mostram que outras regiões de Belo Horizonte também poderiam se beneficiar.

 

O sistema consiste em um modelo de transporte sobre trilhos suspensos. É construída uma linha elevada, mantida entre 15 e 20 metros do chão por vigas de sustentação, em avenidas por onde passam carros, ônibus e outros veículos, tendo como principal vantagem o fato de o modal ser de fluxo contínuo, não enfrentando cruzamentos e o trânsito caótico. Pode parecer bem semelhante ao metrô, mas, segundo especialistas, a vantagem é que o monotrilho não carece de perfurar o solo, o que barateia o investimento.

 

No caso do projeto que interliga as principais cidades da Região Metropolitana de BH, a proposta é criar uma linha na avenida Amazonas, saindo da região central até o Expominas, na Gameleira, onde um ramal seguiria até a Via Expressa e, de lá, rumando para Betim. Outro ramal conectaria a Estação Eldorado do metrô à avenida João César de Oliveira. São aproximadamente 30 km. A implantação do modal é considerada também muito mais simples, por não exigir desapropriações.

 

Luiz Otávio Silva Portela, da Sociedade Mineira de Engenheiros, defende os monotrilhos: “Meio de transporte moderno e com custos menores que os do metrô”
 
 

Os idealizadores acham que as prefeituras devem assumir  o projeto, fazendo as mudanças que os órgãos de trânsito consideram necessárias, e executem-no por meio de parceria público-privada (PPP). Segundo o conselheiro da Sociedade Mineira de Engenheiros, Luiz Otávio Silva Portela, uma comissão de vereadores desses municípios esteve nas obras do monotrilho da capital paulista e as primeiras conversas com os prefeitos eleitos também já foram feitas. Agora é aguardar que os novos mandatários assumam para avançar as negociações.

 

O investimento seria de aproximadamente R$ 2,4 bilhões, o equivalente a R$ 80 milhões por quilômetro. Caso no mesmo percurso fosse construída uma linha de metrô, o gasto poderia atingir valor três vezes maior. Como BH voltou suas atenções para o BRT (corredores rápidos de ônibus) e tem convicção de que dessa vez o projeto do metrô se concretiza, a prefeitura prefere aguardar para saber os resultados do transporte na maior metrópole do país em vez de optar pela construção do monotrilho, com linhas na Raja Gabaglia, Nossa Senhora do Carmo e Contorno. Para todos foram elaborados pré-projetos. “O ótimo é inimigo do bom”, diz Portela, um dos idealizadores do projeto, referindo-se ao fato de que a prefeitura prefere aguardar o metrô em vez de se adiantar e iniciar um projeto mais simples para evitar o apagão do trânsito.

 

O presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da Associação Comercial de Minas (ACMinas), José Aparecido Ribeiro, também defende a priorização do monotrilho, principalmente por estarem os projetos prontos para execução. “As alternativas de transporte para melhorar a mobilidade entre as cidades da região metropolitana são muitas, tendo o metrô como carro-chefe e desejo da maioria das pessoas. O seu custo e o tempo de execução tornam o projeto do metrô temeroso, pois só ficaria pronto em 2040”, diz em relação ao tempo para execução de cada quilômetro.

 

 
 

Estimativas do setor dão conta de que a cada ano é possível implantar 1 km de metrô, enquanto no caso do monotrilho chega-se a até quatro vezes mais. E mais: o monotrilho não “rouba” espaço, segundo ele. “Este modal é o que evita desapropriações, pode ser construído nos horários noturnos, sem interferências no trânsito, aproveitando o traçado de avenidas e sem tirar espaço no chão, já que fica suspenso”, diz Ribeiro.

 

Mundo afora, são mais de 50 linhas de monotrilho, como em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos; e Disney e Las Vegas, nos Estados Unidos. Mas o mais bem-sucedido projeto é o japonês. Lá, os aeroportos de Tóquio e Osaka são conectados às cidades por meio do chamado de monorail. Construído em 1964, o ramal da capital japonesa transporta hoje mais de 200 mil pessoas por dia.

 

Em São Paulo, devem ser inaugurados no ano que vem os primeiros quilômetros do modal, que, até 2016, deverá percorrer mais de 62 km. As três linhas previstas devem passar pelos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, nas proximidades do Morumbi e do Itaquerão.

 

A experiência paulista pode empurrar proposta mineira. O governo estadual contratou, há algum tempo, uma empresa para um projeto ligando BH a Confins, mas o estudo não avançou devido à capacidade reduzida de passageiros. Agora, a empresa desenvolveu uma matriz com capacidade para 50 mil passageiros/hora, com intervalos de um minuto.

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