A musa de 115 anos

por Pabline Félix 11/12/2012 10:31

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Cláudio Cunha, Geraldo Goulart, Maíra Vieira, Cláudio Cunha, Viola Júnior/Esp. CB/ DA Press, Eugênio Gurgel
None (foto: Cláudio Cunha, Geraldo Goulart, Maíra Vieira, Cláudio Cunha, Viola Júnior/Esp. CB/ DA Press, Eugênio Gurgel)

Não é preciso ser nativo para amar Belo Horizonte, capital de Minas Gerais e aniversariante do mês. Em carta ao amigo e escritor João Etienne Filho, o poeta paulistano Mário de Andrade definiu como “todinha gostosa” a cidade que completa, no dia 12 de dezembro, 115 anos de fundação e que encantou e ainda encanta escritores, poetas, músicos e compositores, entre outros artistas. Um deles foi o itabirano Carlos Drummond de Andrade. Apegado à memória da cidade calma que conheceu na primeira metade do século passado, definida por ele em 1976 como um lugar “cor-de-cores fantásticas, Belo Horizonte sorrindo púber e núbil sensual sem malícia, lugar de ler os clássicos e amar as artes novas, lugar muito especial pela graça do clima e pelo gosto, que não tem preço”, o teimoso poeta se recusou a voltar à BH que crescia e se desenvolvia, permanecendo no Rio de Janeiro até sua morte, em 1987.

 

É verdade que a cidade vivenciada por Drummond e registrada em diversas obras literárias – a maioria produzida por uma geração de notáveis mineiros como Pedro Nava, Emílio Moura, Francisco Iglesias, Wilson Figueiredo, Carlos Castello Branco, Autran Dourado, Sábato Magaldi, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Fernando Sabino – hoje já não existe. Tornou-se uma metrópole, com mais de 2,3 milhões de habitantes, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – mas nem por isso é menos encantadora.

 

A jovem “musa” – comparada com cidades como Salvador (463 anos), São Paulo (458 anos), Rio de Janeiro (447 anos) e Curitiba (319 anos), BH é quase uma adolescente – continua inspirando a obra de artistas vindos de diversos cantos do país e do mundo, e prova que, apesar do tempo, permanece sendo marcante. E é com a ajuda das palavras destes apaixonados que Encontro aproveita a oportunidade para homenagear a cidade, longe do tradicional “Parabéns pra você”. Delicie-se!

 

“Quero acordar a cidade
E que ela me entregue a chave do amor
Abrirei as comportas dos olhos
Para admirar o que sempre é paixão
Belo Horizonte é a menina do meu coração”

Belo Caso de Amor, música de Paulinho Pedra Azul, músico e compositor natural de Pedra Azul (MG)

 

 
 

“Como vai BH?
Ouve a voz da montanha
Como vai?
Sei de cor meu lugar
Belo horizonte
Quando cai a tarde em meu coração
Liberdade a praça das paixões
(...)
Se entreguei meu coração
num dia assim
Li seu nome na palmeira imperial
Encantado descobri
Flor de Minas
bem ou mal”

Belo Horizonte, canção de Flávio Venturini, músico belo-horizontino integrante do Clube da Esquina, movimento musical surgido nos anos 1970 que projetou nacionalmente o cenário cultural da capital

 

 
 

“Seria tão bom passar por Belo Horizonte agora, oh inocentes da Pampulha, e concordar cordato com a boniteza seis-a-zero dessa supracitada Pampulha que num átimo virou o Butantã de lá, cá e lá...mas felizmente Belo Horizonte é gostosa com Pampulha ou sem Pampulha, Belo Horizonte é todinha gostosa, e mais gostosa que ela, no Brasil, só Belém do Pará.”

Trecho de Cartas do Irmão Maior, livro que reúne correspondências do poeta paulistano Mário
de Andrade ao amigo, o escritor mineiro João Etienne Filho

 

 
 

“Porque, de certo, não há no mundo cidade em que mais inebriantemente se sinta, livre de raças, livre de idéias de ação, o contato divino e amoroso da beleza desse espírito infinito, que é o gesto azul dos deuses. Porque no coração e no cérebro, Belo Horizonte assim encontrada de repente, Belo Horizonte feita pela inteligência, Belo Horizonte, urbs de dezoito anos; Belo Horizonte, capital que deve ser da energia calma; Belo Horizonte miradouro dos céus, safira da terra – é como o lótus azul da Graça...”

Trecho de No Miradouro dos Céus, texto de João do Rio, jornalista carioca

 

 
 

“Além do horizonte tem um belo vale pra gente olhar
São tantas cachoeiras que nem faz falta o mar
Minas das violas, do queijo e do diamante
Minas sem fronteiras
Minas de Belo Horizonte”

Minas das Violas, música de César Menotti & Fabiano, dupla sertaneja que, apesar de não ser mineira, declara em seu repertório o amor pela cidade

 

 
 

“A minha vida é esta, subir Bahia e descer Floresta”

Frase de Rômulo Paes, compositor de marchinhas natural de Paraguaçu (MG), registrada no monumento instalado no cruzamento entre a rua da Bahia e a avenida Álvares Cabral

 

 
 

“Uma cidade se assemelha às outras
porém se a amamos é única:
tem a forma de um coração
traz nosso aroma predileto
é a paina do travesseiro
em que repousa a nossa fronte.
Belo Horizonte bem querer.”

Belo Horizonte Bem Querer, poema de Henriqueta Lisboa, natural de Lambari (MG), primeira mulher eleita membro da Academia Mineira de Letras

 

 
 

“Para meus olhos... Na hora boa,
quando os jardins dormidos sonham iluminados pela ternura das estrelas,
entre árvores amigas
e sob a penumbra que tomba,
lentamente, como uma fragrância,
Belo Horizonte adormece,
numa atitude comovida,
aureolado pelas longas tranças
da Serra do Curral
onde a lua vai subindo,
como um Trepa-Moleque de marfim.

Para meu desejo... Na hora quieta,
da morta morada
da torre antiga da Boa Viagem
a voz dos sinos,
em suavíssimo segredo,
ache pelos rústicos enfeites dos beirais
e docemente emocional
se desfaz numa chuva musical
de cinzas.”

Noturno de Belo Horizonte, poema de Achilles Vivacqua, que, apesar de capixaba, viveu em Belo Horizonte até sua morte, em 1942

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