Será o fim do mundo?

por João Paulo Martins 12/12/2012 09:49

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Sony Pictures/Divulgação
A cidade de Las Vegas é totalmente destruída no filme apocalíptico 2012 (foto: Sony Pictures/Divulgação)

“Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria”, diz a letra de Paulinho Moska na música Último Dia, tema da abertura da novela O Fim do Mundo, de Dias Gomes, exibida pela Globo em 1996. Quase 20 anos depois, a previsão do personagem de Paulo Betti, Joãozinho, de que haveria um cataclismo mundial volta a assombrar as pessoas que acreditam que o dia 21 de dezembro de 2012 marca o fim da raça humana – tudo por causa do fim do 13º ciclo (ou b’ak’tun) do calendário de contagem longa da civilização maia. Na novela, o momento apocalíptico tem carros sendo tragados pela terra, raios, queda de óvnis, furacões e até céu em chamas. Mas não se preocupe; de acordo com especialistas, tudo não passa de ficção.

 

Os cientistas estudam constantemente nosso universo e, até agora, não acharam nada nele que possa desencadear a destruição de nosso planeta pelos próximos milhões de anos. “Nos conseguimos prever com muita antecedência a passagem de asteroides e cometas, ou fortes explosões solares”, diz Carlos Alexandre Wuensche de Souza, astrofísico do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Fatos como a inversão dos polos magnéticos da Terra ou erupções solares de grande magnitude que chegam a afetar a crosta do planeta só existem mesmo nos roteiros de Hollywood, como no filme 2012, da Sony Pictures, lançado em 2009. Pesquisadores da Nasa e mesmo do Inpe, como Carlos Alexandre, não encontram razões externas para que tenhamos um cataclismo em curto prazo: “A orientação magnética terrestre muda, sim, mas não de uma hora para outra. Está em constante movimento, mas são necessários milhares de anos para a inversão. A única coisa que poderia acontecer atualmente é um grande terremoto, mas seria possível prever com pelo menos um dia de antecedência”.

 

Não é a primeira vez que a humanidade se vê frente à ideia de um apocalipse iminente. Do ano 1000 – em que os povos medievais previam grandes catástrofes naturais – ao 2000, que se baseou nos textos do alquimista Michel de Nostredame, ou Nostradamus, de que seria o fim de nossa era, são diversas as teorias cataclísmicas. O dia 21 de dezembro de 2012 é a bola da vez porque coincide com o fim de um ciclo do calendário maia – povo que ocupou grandes áreas da América Central de 1000 a.C. até a chegada dos conquistadores espanhóis. “Entre a herança tecnológica dos maias, o destaque é a construção da ideia de tempo. Eles criaram os chamados ciclos, baseados na ordenação dos planetas, e acreditavam na ocorrência de grandes fenômenos naturais em cada mudança de período”, diz Carlos Veriano, professor de história da PUC Minas. Como nós seguimos o calendário gregoriano, que é retilíneo, ou seja, teve um começo – nascimento de Cristo – e terá um fim (não se sabe quando), os teóricos do apocalipse se aproveitaram disso e adaptaram o b’ak’tun maia para nosso modelo, indicando o término do 13º ciclo como a extinção da raça humana.

 

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Para o filósofo Ibraim Vitor de Oliveira, a concepção de juízo final é comum já entre os egípcios antigos, e tem a ver com a necessidade do homem de dar ao tempo um começo, meio e fim: “O conceito de obsolescência é típico de nossa sociedade atual e vale tanto para a passagem do tempo quanto para os bens materiais”. A religião também sempre foi usada como forma de controle das pessoas, e o medo do apocalipse é uma de suas ferramentas. “É uma forma de dizer aos seguidores para não fazerem nada de errado, pois, com a proximidade do fim, só os corretos serão salvos”, diz Ibraim.

 

O certo é que em breve teremos novos futurólogos e catastrofistas prevendo a destruição da humanidade. Já para a ciência, um exemplo de cataclismo será daqui a bilhões de anos, quando o Sol se expandirá e assolará a Terra. Por enquanto, melhor acreditar no que diz o astrofísico do Inpe, Carlos Alexandre: “A sua vida, no dia 22 de dezembro, vai continuar do mesmo jeito”.

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