Pegada jovem no samba

por Nayara Menezes 13/12/2012 05:41

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Eugênio Gurgel, Leo Araújo, João Carlos Martins, Geraldo Goulart
Thiago Delegado passeia por diversos gêneros musicais, mas não esconde sua preferência pelo samba (foto: Eugênio Gurgel, Leo Araújo, João Carlos Martins, Geraldo Goulart)

Eles são jovens e estão na faixa dos 20 ou 30 anos, esbanjando vitalidade. Apesar da pouca idade, se apaixonaram por um dos mais antigos ritmos brasileiros. E, graças a essa paixão, atendem ao pedido final feito pelos compositores Edson e Aluísio no samba eternizado na voz de Alcione: não deixe o samba morrer. Além do resgate constante do gênero musical, esses jovens estão repaginando o samba. Sem deixar de lado as raízes e as origens do ritmo afrodescendente, imprimem personalidade à tradição secular. Pegam emprestado influências de outros ritmos como o jazz, o maracatu, o baião, o forró, o choro e a música popular brasileira e criam composições cheias de personalidade. A aposta vem agradando, e muito, aos frequentadores das casas noturnas de Belo Horizonte.

 

As amigas Tahiná Guimarães, de 27 anos, Lorena Ferreira, de 24, e Luiza Amaral, de 27, nem eram nascidas quando algumas das músicas que elas gostam de dançar fizeram sucesso pela primeira vez nas rádios brasileiras. Nomes como os de Noel Rosa, Clara Nunes e Cartola são citados pelas meninas como referências. “O samba é a reafirmação das nossas raízes. É um ritmo alegre, não dá para ficar parado”, diz Tahiná. Ao ouvir o som do grupo Camarão de Rama, composto em sua maioria por músicos jovens, elas admitem que a juventude nos palcos é mais um atrativo. “Bandas jovens atraem público jovem”, diz Luiza.

 

Grupo Camarão de Rama, tradição de pai para filhos: “A música boa não morre. Ela passa de geração em geração”
 
 

Outros que também têm o samba como um dos programas preferidos são os amigos Thiago Augusto Resende, de 26 anos, e Márley Saraiva, de 32. “Em quase todos os fins de semana vamos a algum local que tem samba”, conta Thiago. “É um ambiente muito agradável, com música boa e pessoas bonitas e educadas”, diz Márley. Quem também é fã de carteirinha do estilo musical é o casal Sirlene Alves, de 31 anos, e Heberth Pessoa, de 42. Enquanto a banda toca, lá estão os dois na pista, colocando em prática o que aprenderam nas aulas de dança de salão. “Dançar é a nossa forma de relaxar, desestressar e divertir.” E, para isso, nada melhor que um bom e velho samba.

 

Um grupo mineiro que relembra os bons sambas em seus shows é o Odilara. Formado por cinco jovens, tem seis anos de existência e cativa o público tocando releituras de nomes como Adoniran Barbosa, Elza Soares, Ataulfo Alves, Paulinho da Viola e Chico Buarque. Além de manter a tradição acesa, a banda aposta em uma forma mais moderna de fazer samba, usando instrumentos como guitarra, bateria e gaita, e mesclando no repertório sucessos de outros músicos como Jorge Benjor, Seu Jorge e Roberta Sá. O Odilara se prepara para a gravação do segundo CD, que deve priorizar canções autorais. “Adoramos fazer releituras de grandes sambas. Mas queremos mostrar ao público um pouco mais da nossa identidade”, conta a vocalista Andréa Furtini, de 32 anos, que promete apresentar, em breve, novos sambas ao público de Minas.

 

O Odilara adota uma nova fórmula: “Usamos instrumentos como bateria e guitarra para fazer um samba mais moderno”
 
 

Um jovem músico mineiro que conseguiu chegar a este patamar é Gustavo Maguá. Com 30 anos, o cantor e violinista lançou no ano passado seu primeiro CD, intitulado Volume 1, apenas com composições próprias. Mesmo tendo o samba como fio condutor, algumas músicas, que têm parcerias com outros músicos mineiros, são uma mescla de vários gêneros, segundo Maguá. “O CD tem um pouco de tudo, samba-blues, samba-rock, funk, forró, afoxé, choro e jazz”, conta. O músico também inova com a inserção de instrumentos não comuns ao samba. No lugar do clássico cavaquinho, por exemplo, está o bandolim. “É uma renovação. Diria que a forma antiga de fazer samba foi preservada, mas com uma nova identidade.”

 

A nova geração de sambistas parece mesmo cheia de personalidade. Outro grupo que usa e abusa de outros ritmos ao fazer samba é o Camarão de Rama. “Fazemos uma música mais temperada, misturando samba, bossa nova, baião, maracatu, salsa e outros ritmos da MPB”, diz Daniel Miguez, de 27 anos, cantor, compositor e percussionista da banda formada por ele, pela irmã Aline Miguez, de 27, e pelo pai, Gilvan, de 53. No caso deles, a paixão pelo samba já atravessa gerações. O avô, pai de Gilvan, também era músico. “Desde pequenos fomos acostumados a ouvir nosso pai tocar em casa. Crescemos ouvindo Chico Buarque, Tom Jobim, Clara Nunes”, conta Aline. “Música boa não morre jamais, por isso o samba vem passando de geração em geração”, diz Gilvan.

 

Gustavo Maguá busca a renovação sem abrir mão das raízes: “Preservamos a forma antiga de fazer samba, mas imprimimos uma nova identidade”
 
 

Esta é também a opinião de uma das mais renomadas sambistas de Minas. “O samba sempre teve grandes representantes. E isso não vai nunca deixar de existir”, acredita Aline Calixto, vencedora do troféu Samba é Tudo de Bom, promovido pela Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. Aline, que recebeu o prêmio na categoria de Melhor Cantora no mês passado, tem 31 anos e já se destaca no cenário nacional. A cantora nasceu no Rio, mas mudou-se para Belo Horizonte ainda criança. Por isso, declara-se mineira de coração. E foi das Alterosas que ela ganhou o país. Sua versão da música Flor Morena, de Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, foi sucesso recentemente em novela global. “Eu cresci respirando música. Meu pai tinha um bar no Padre Eustáquio, onde se apresentavam vários músicos. Sinto-me honrada em mostrar ao Brasil que em Minas também tem samba de qualidade”, diz Aline.

 

Outro talento revelado de Minas para o mundo é Thiago Delegado. O músico tem um trabalho que passeia por diversos gêneros musicais, como o choro, o jazz e a música instrumental. Porém, Delegado, como é conhecido, afirma que o samba é a espinha dorsal de todo seu trabalho. “Eu componho pensando em samba, toco pensando em samba.” Ele, que lançou no mês passado seu segundo CD, gravado no Museu  de Arte da Pampulha, foi um dos representantes da música mineira no festival mundial de música Womex, que aconteceu na Grécia em outubro. “Ter o trabalho reconhecido e premiado é um incentivo e um aval de que o caminho está sendo traçado e o trabalho vem evoluindo.”

 

“O samba está em meu DNA. Não tem como fugir”: a garantia é de Fernando Bento, um dos comandantes do Samba da Madrugada
 
 

Quem também vem traçando seu caminho na passarela do samba é Fernando Bento, de 32 anos. Apontado como uma das revelações do samba mineiro, ele ingressou no universo da música ainda criança. “Aos 8 anos ganhei meu primeiro cavaquinho”, conta Fernando, que é de família de sambistas. “Minhas cantigas de ninar eram músicas de Clara Nunes, Roberto Ribeiro. O samba está no meu DNA, não tem jeito de fugir”, brinca ele, que é um dos que comandam o Samba da Madrugada, projeto que acontece todos os sábados no bairro Santa Tereza. Fernando, que diz ter influências de grandes nomes como Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola e Wilson Moreira, prepara-se agora para a gravação de seu primeiro CD. “É muito bom ver que o samba está marcando cada dia mais território em terras mineiras”. E se depender dessa juventude, vida longa ao samba!

 

Aline Calixto, que colheu elogios após a gravação de Flor Morena: “Sinto-me honrada em mostrar ao Brasil que em Minas se faz samba de qualidade”
 
 

Roteiro do samba

 

BH tem bons lugares para o público curtir e dançar

 

 Agosto de Deus Butiquim
Onde: av. Pasteur, 4, Funcionários
Dia: quinta-feira, 19h
Atração: Camarão de Rama
Valor: R$ 10
Dia: sábado, 15h
Atração: Fernando Bento Leon
Valor: R$ 20 ( masculino) e R$ 10 ( feminino)  
Informações: (31) 3222-2583

 

Alfândega Bar
Projeto Alfândega do Samba
Onde: rua Viçosa, 250, São Pedro
Dia: sábado, 16h
Atrações: Samba de Cumadre, Sambeco do Mota e outros grupos
Valor: R$ 15 (inteira) e R$ 12 (lista amiga)
Informações: (31) 3223-1987
www.alfandegabar.com.br

 

Bhar Savassi
Onde: rua Sergipe, 1211, Savassi
Dia: sábado, 17h
Atração: Camarão de Rama
Valor: R$ 15
Contato: (31) 3082-9232
www.bhar.com.br

 

Butiquim Santo Antônio
Onde: rua Leopoldina, 415, Santo Antônio
Dia: sábado, 17h
Atração: Resenha do Samba, Odilara  e outros grupos  
Valor: R$ 15 (feminino) e  R$ 20 (masculino)
Informações: (31) 3297-3846
www.butiquimsantoantonio.com.br

 

Cartola Bar
Onde: rua Vila Rica, 1168, Caiçara
Dia: quinta-feira
Atrações: a sambista Dóris e outras bandas  
Dia: sexta-feira, 21h
Atração: Lu Bekerman
Dia: sábado, 21h
Atração: Outra Freguesia
Valor: varia de acordo com o dia, entre R$ 12 e R$ 15  
Informações: (031) 3464-9778
www.cartolabar.com.br

 

Egrégoras Bar
Onde: av. Fleming, 900, Ouro Preto
Dia: todos os sábados, 20h
Atração: Magnatas do Samba
Valor: R$10 (feminino) e R$ 20 ( masculino)
Informações: (31) 3658-8312

 

Exclusivo Choperia
Onde: av. do Contorno, 8863, Gutierrez
Dia: sábado, 15h
Atração: Projeto Samba das Gerais e grupos que tocam samba de raiz
Valor: R$ 20 (feminino) e R$ 25 (masculino) / lista amiga: R$ 10 (feminino) e R$ 15 (masculino)
Informações: (31) 3567-7445
www. sambadasgerais.com.br

 

Gamboa
Onde: rua Sergipe, 1236, Savassi
Dias: quarta-feira a sábado, 19h
Valor: quarta-feira a entrada é gratuita
Informações: (31) 3282-2997

 

Observatório Bar e Restaurante
Onde: rua Senador Milton Campos, 230, Vila da Serra
Dia: sábado, 16h
Atração: Trem dos Onze
Valor: R$ 35 (masculino) e R$ 25 (feminino)  
Informações: (31) 3286-3581

 

Opção Bar  
Onde: rua Alabandina, 619, Caiçara
Dia: sexta-feira, 19h
Atração: Grupo Essência
Dia: sábado, 19h
Valor: R$ 12
Contato: (31) 3415-6905
www.opcaobar.com.br

 

Pizza Bar
Onde: av. do Contorno, 1.636,  Floresta
Dia: segunda-feira, 18h30
Atrações: Samba do Trabalhador
Valor: R$ 10
Contato: (31) 3274-3136

 

Sobrado Santa Tereza

(Recanto da Seresta)
Samba da madrugada

Onde: Praça Duque de Caxias, 120, Santa Tereza
Dia: madrugada de sábado para domingo
Valor: R$ 15
Informações: (31) 3495-5754

 

Vinnil Cultura Bar
Onde: rua Inconfidentes, 1068, Savassi
Dia: sábado, 22h
Preço: R$ 20
Informações: (31) 3261-7057
www.vinnil.com.br

 

Dica: O site ocenosamba.com.br traz a programação completa dos sambas que acontecem em BH. Vale a pena conferir
 

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