Ele saiu fortalecido

por Alice Maciel 17/01/2013 09:21

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Cláudio Cunha, Marcos Michelin/EM DAPress, Juarez Rodrigues/EM DAPress
Léo Burguês mostra liderança na Câmara (foto: Cláudio Cunha, Marcos Michelin/EM DAPress, Juarez Rodrigues/EM DAPress)

Reuniões intermináveis, cafés da manhã, almoços e jantares. Na pauta de todos esses encontros, o assunto era um só: asfaltar o caminho até a presidência da Câmara de Belo Horizonte. Dessa forma e com muita articulação política iniciada logo após ser reeleito vereador foi que Léo Burguês (PSDB), mesmo sem o apoio do prefeito Marcio Lacerda (PSB) e dos companheiros de partido, conseguiu unir 21 votos, conquistando pela segunda vez a presidência do Legislativo da capital mineira, em 1º de janeiro. Pivô de escândalos na Casa, ele não poupou promessas aos colegas, que, semanas antes da eleição da Mesa Diretora, acusavam-no de ter manchado a imagem do Legislativo municipal e o responsabilizavam pela renovação recorde de 54% das cadeiras.

 

Com 14 votos contra, quatro abstenções e duas ausências, Léo Burguês derrotou o companheiro de partido, vereador Henrique Braga, que contava com o apoio da direção da legenda e do Executivo municipal. Para o presidente estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, o parlamentar saiu fortalecido da disputa e mostrou que é um bom articulador. “Apesar de ter vencido com 21 votos (número mínimo para ganhar a eleição da Mesa), Léo Burguês revelou ter liderança na Casa”, diz.

 

Para reconquistar o cargo, o parlamentar teve de passar por algumas fases do jogo político. A primeira, a candidatura de Pablito (PSDB), vereador escolhido pelo senador Aécio Neves (PSDB) para subir ao cargo. O nome dele foi vetado por Marcio Lacerda. O prefeito, que tinha acordado com os tucanos, seus principais aliados nas eleições, apoiar um candidato do PSDB à presidência da Câmara, não aprovou a atitude de Pablito de ter se unido ao grupo do vereador Wellington Magalhães (PTN), por quem Lacerda não tem muita simpatia.

 

Daniel Nepomuceno coloca a culpa no racha da bancada do PSDB: “O PSB e Marcio Lacerda cumpriram com o acordo com PSDB, mas como houve o racha, as bancadas ficaram divididas”
 
 

Descartado o nome de Pablito, Léo Burguês sofreu uma pressão interna do PSDB para que abrisse mão de sua candidatura em prol de Henrique Braga. Ele contou que optou em dar continuidade à sua reeleição porque não acreditava na vitória do colega. “Quando eu vi que Pablito não estava conseguindo se viabilizar, fiquei preocupado de o PSDB não conseguir. Depois apareceu o nome do vereador Henrique Braga, que foi iludido por companheiros que não estavam no nosso grupo. Eu percebi aquilo, mas infelizmente o vereador não percebeu. Foi quando eu vi que, se não entrasse na disputa, a presidência cairia na mão do PT. E aí, partidariamente, eu não poderia deixar que isso acontecesse, porque o cargo é estratégico para o projeto do PSDB de Presidência da República”, afirma Léo Burguês.

 

Ele começou a articular sua candidatura quando saiu o resultado das urnas, em 7 de outubro. A estratégia inicial foi atrair o apoio dos novatos, que, conforme o tucano mesmo admite, rejeitavam seu nome. Em 11 de outubro, Léo Burguês ofereceu aos 22 novos vereadores um café da manhã na cobertura do Othon Palace Hotel, dando o pontapé para a sua reeleição. No mês seguinte, ele organizou um encontro dos novatos com o governador Antonio Anastasia (PSDB), no Palácio da Liberdade.

 

Pablito diz que Marcio Lacerda “demorou demais” para aceitar Braga como candidato: “Foi uma quebra de confiança com o PSB”
 
 

O parlamentar conseguiu 14 votos dos iniciantes a seu favor. “Quando eles chegaram aqui, na Câmara, começaram a conhecer o trabalho interno da Casa, começaram a ser recebidos pelos diretores, começaram a conversar comigo e a me pedir para continuar na presidência”, diz Léo Burguês. Além de atrair os novatos, ele tinha em suas mãos o grupo de oito vereadores ligados ao presidente nacional do PTdoB, deputado federal Luís Tibé, seu amigo pessoal. Tibé fez quatro vereadores pelo PTdoB e tem forte influência sobre os parlamentares do PRP (partido que o pai dele, Tibelindo Soares Resende, preside nacionalmente), do PSL e do PSC.

 

Apesar de ter o apoio de partidos nanicos, ele não pôde contar com votos dos companheiros tucanos. A sua insistência pela reeleição à presidência culminou no racha na bancada do PSDB. De um lado, Léo Burguês; do outro, Pablito e Henrique Braga. Para Pablito, o colega teve seu mérito na vitória, mas acredita que Léo Burguês ficou enfraquecido dentro do partido. Braga compartilha o mesmo pensamento, e vai além: “Ele usou o poder do cargo que tinha para se beneficiar. Eu não posso me unir a uma pessoa que desonrou a posição partidária, principalmente prejudicando meu nome.”

 

Além de Henrique Braga, surgiram durante o processo como possíveis adversários de Léo Burguês na disputa os vereadores Daniel Nepomuceno (PSB) e Bruno Miranda (PDT) – o último, muito ligado a Marcio Lacerda. O prefeito tentou emplacar o pedetista até na hora da votação. A chapa com Bruno Miranda na presidência chegou a ser registrada e logo depois retirada. Lacerda desistiu ao avaliar que perderia a eleição sem o apoio dos tucanos. Então, o prefeito cedeu à pressão do PSDB, que dava como opção Henrique Braga, que contou com o apoio de última hora da bancada socialista – com exceção de Alexandre Gomes, que saiu do plenário e não votou.

 

Vereador Henrique Braga disputou a presidência com Léo Burguês: “Ele usou o poder do cargo que tinha para se beneficiar”
 
 
 

Era tarde demais para viabilizar Henrique Braga. O Palácio da Liberdade já tinha fechado com Léo Burguês, que presidia a eleição e acelerou a votação para não correr o risco de mudanças no cenário. Lacerda contava com o apoio dos petistas – seus principais opositores nas eleições municipais – que aceitaram, em acordo com o PSB, votar em Bruno Miranda. O PT, no entanto, não deu seu voto a Henrique Braga, com exceção de Silvinho Rezende. Outros quatro da bancada se abstiveram e Adriano Ventura estava ausente.

 

A reeleição de Léo Burguês virou símbolo da primeira derrota do segundo mandato do prefeito na Câmara. Pablito avalia que Marcio Lacerda “demorou demais” para aceitar Henrique Braga como candidato. “Foi uma quebra de confiança com o PSB. Uma ingratidão do prefeito com o PSDB, que foi seu principal aliado”, acrescenta. Enquanto o tucano credita à falta de articulação do prefeito a derrota do colega, o vereador Daniel Nepomuceno coloca a culpa no racha da bancada do PSDB. “O PSB e Marcio Lacerda cumpriram o acordo com o PSDB, mas como houve o racha, as bancadas ficaram divididas. O prefeito fez questão de não intervir em nada. O único direcionamento dele era que a gente desse apoio a um candidato tucano”, ressalta o socialista.

 

Política na escola

 

O vereador Léo Burguês abraçou a política depois de atuar no movimento estudantil. Participou dos grêmios escolares nos colégios Santo Antônio e Dom Silvério. Na PUC Minas, onde cursou direito, integrou o Diretório Acadêmico de Direito e o Diretório de Esportes dos Estudantes de Direito. Ele filiou-se ao PSDB no fim da década de 1990 e está em seu terceiro mandato na Câmara de BH pelo partido. O tucano venceu sua primeira eleição em outubro de 2000. Não reeleito em 2004, ele voltou à Casa em 2009. Em 2011, assumiu a presidência da Câmara. Durante o período em que esteve na direção do Legislativo da capital, o político foi alvo de uma série de denúncias, entre elas a de que ele teria usado notas fiscais do bufê da madrasta para explicar o emprego da verba indenizatória no período de 2009 a 2011, sob a rubrica “lanche”.
O escândalo virou até mesmo tema de marchinha de carnaval. Sua atuação na Câmara é voltada, principalmente, “ao desenvolvimento da indústria de lazer e entretenimento, além do incentivo às práticas esportivas e ao turismo de negócios”. Fora da Câmara, ele é empresário.

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