Devagar, mas sem sustos

por Paulo Paiva 23/01/2013 08:16

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Euler Jr/ EM / D.A Press, Samuel Gê, Fábio Costa/ Jornal Commercio / D.A Press
Minas Gerais e o setor de mineração serão favorecidos (foto: Euler Jr/ EM / D.A Press, Samuel Gê, Fábio Costa/ Jornal Commercio / D.A Press)

Após registrar crescimento pequeno em 2012, a economia brasileira deve rodar a uma velocidade maior este ano. Apesar das turbulências que castigaram a economia mundial (a Europa esteve, de novo, no centro do furação), 2012 foi palco de fatos e acontecimentos, aqui e lá fora, que terão reflexos positivos na vida dos brasileiros. No plano interno, os principais foram a decisão do governo federal de bancar a queda das taxas de juros, numa cruzada pessoal da presidente Dilma Rousseff; o aumento, mais uma vez, dos níveis de crédito a empresas e consumidores (o volume total chegou a quase R$ 3 trilhões); e a queda do nível de desemprego, próximo a 6%. Os juros nominais da Selic, estabelecidos pelo Banco Central (BC), fecharam 2012 a 7,25% ao ano, o que projeta juros reais (já descontada a inflação) abaixo de 2% anuais. O consumidor poderá sentir mais intensamente – e comemorar – os reflexos positivos da medida nos próximos meses. As taxas do cartão de crédito, por exemplo, caíram em 2012 ao menor nível em 17 anos.

 

Juntos, os três fatores deverão garantir que a roda da economia continue girando em patamares razoáveis em 2013, fortalecendo principalmente a nova – e consumista – classe média brasileira. O andar da carruagem ainda não é o ideal. Especialistas falam em crescimento de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano, mas também não preveem grandes sustos. “Temos uma nova estrutura de consumo, cuja principal característica é a formação de uma massa de consumidores correspondente a dois terços da população, com renda mensal superior a R$ 4.591, e que tende a aumentar nos próximos anos. As classes A e B também vêm crescendo nos últimos anos, demandando produtos de maior valor agregado. Este movimento está transformando nossa pirâmide social”, diz Marcelo Domingos, CEO da DLM Invista, gestora de fundos de Belo Horizonte.

 

No plano externo, a decisão da China de manter o crescimento de seu PIB em 7% até 2015 favorecerá as exportações nacionais e, em especial, as de minério de ferro – o que é bom para Minas Gerais. Mas, para o estado, 2012 vai entrar para a história como o ano em que o governo mineiro deu passos decisivos para diversificar a economia, com a atração de empreendimentos de grande porte na área de tecnologia – um setor estratégico para geração de conhecimento e empregos qualificados.

 

José Mendo, especialista em mineração: “Se depender do minério de ferro, a economia de Minas terá um 2013 feliz”
 
 

Com essas cartas na mesa, é bem provável que o PIB de Minas continue crescendo acima da média nacional. De 2002 a 2010, por exemplo, Minas foi o estado que obteve o maior crescimento na participação PIB nacional, segundo dados divulgados em novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto em 2002 o estado respondia por 8,6% do PIB brasileiro, totalizando R$ 127,8 bilhões, em 2010 a participação subiu para 9,3%, chegando a R$ 351,4 bilhões. Com esse resultado – um aumento de 0,7 ponto percentual –, Minas Gerais reduziu em 50% a diferença para o Rio de Janeiro, segundo colocado no ranking nacional. A diferença entre os dois estados, que antes era de 3 pontos percentuais, caiu para 1,5 ponto percentuais.

 

O crescimento da China deverá continuar puxando a economia mineira este ano, principalmente nas vendas de seu principal produto de exportação – o minério de ferro. O produto, que no auge da crise mundial chegou a ser cotado no mercado internacional a US$ 89 a tonelada, deve se estabilizar entre US$ 120 e US$ 130. “A China vai manter ou até aumentar a demanda. Se depender do minério de ferro, a economia de Minas terá um 2013 feliz”, garante José Mendo, especialista em mineração e dono da J. Mendo Consultoria. Vale lembrar que os principais projetos de mineração previstos para o estado somam investimentos de R$ 12 bilhões, principalmente no Norte de Minas e no Médio Espinhaço.

 

Mas a grande aposta do estado é mesmo a tecnologia. No fim de novembro, o governo mineiro anunciou a instalação, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, da SIX Semicondutores, a mais moderna fábrica de semicondutores do Hemisfério Sul. O empreendimento, resultado da sociedade entre o grupo EBX (do empresário Eike Batista), IBM, BNDES, BDMG, Matec Investimentos e Tecnologia Infinita WS-Intecs, demandará investimentos de R$ 1 bilhão, vai gerar cerca de 300 empregos diretos e tem início das operações previsto para 2014. A unidade, de alta tecnologia, será um marco para a economia de Minas, já que vai suprir a hoje inexistente oferta de chips nacionais.

 

A SIX Semicondutores, a mais moderna fábrica de semicondutores do Hemisfério Sul, que tem como sócio o empresário Eike Batista, será instalada em Ribeirão das Neves (MG): aposta do governo mineiro na diversificação econômica
 
 

Duas frases retratam o que a SIX vai significar para a economia mineira: “Estamos no limiar de uma nova indústria para Minas”, resumiu o governador Antonio Anastasia, durante o lançamento da empresa. “Estamos ingressando no século XXI”, reforçou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o mineiro Fernando Pimentel, também na mesma solenidade.

 

Poucos dias depois, durante palestra na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Anastasia reafirmou o que chama de “obsessão” pela diversificação da economia do estado. “Queremos transformar o estado em uma terra tecnológica. A diversificação da economia é minha obsessão número um”, disse. Dentro dessa linha, e ainda nos EUA, o governo mineiro firmou acordo de dois anos com o MIT Media Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), para dotar o estado de projetos de tecnologia. Não seria exagero, portanto, dizer que 2012 foi, para a economia mineira, o ano da tecnologia.

 

É fato que as exportações de commodities, como minério de ferro e café, continuarão dando as cartas em Minas em 2013. Mas a nova cara da economia mineira, mais ágil e moderna, com produtos de alto valor agregado e empregos qualificados, estará visível nos próximos anos.

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