Os melhores de 2012

por José João Ribeiro 24/01/2013 06:52

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Ryan Gosling em Drive, o melhor filme de 2012: obra-prima em produção enxuta (foto: Divulgação)

No ano em que, novamente, as bilheterias cresceram, a qualidade se fez presente em pouquíssimas produções. O cinema atravessa um novo período dourado, mas dourado nos rendimentos, na explosão do mercado. No tocante à arte, cada dia fica mais fácil apontar um “filme eterno”, em razão da lamentável escassez de bons longas. A lista de melhores filmes do ano de Encontro segue rigidamente um critério básico: somente os exibidos no circuito podem marcar posição. A cobiçada seleção dos festivais fica de fora, essencialmente pela dificuldade de acesso para o espectador comum. Em todo caso, aguardemos 2013 para que essas gemas ganhem, enfim, as salas de exibição. A maior vantagem é que a grande maioria dos eleitos já está disponível nas TVs a cabo ou em home video. Resumindo, apresentamos uma cartela imperdível para ver, rever ou mesmo presentear nas festas de fim de ano.

 

1 | DRIVE: O FILME DO ANO
O filme mais subversivo de 2012. Em um roteiro franco, Drive se tornou uma imediata obra-prima. O jovem e brilhante ator Ryan Gosling interpreta um mecânico que ganha uns trocados como dublê em filmes de ação, apaixonado pela vizinha casada – papel da linda Carey Mulligan. Um caso raro de projeto, em que tudo converge para o bom gosto. No submundo da Los Angeles desglamourizada, a violência trabalhada com esperteza e cálculo. Cultiva o mistério, o noir, embalado por uma saborosa e sofisticada trilha sonora. O diretor Nicolas Winding Refn tem o mérito de incomodar com essa produção sabidamente enxuta.

 

2 | MILLENNIUM – OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES (THE GIRL WITH THE DRAGON TATTO)
Uma prova definitiva de que uma refilmagem pode, perfeitamente, superar a obra original. A trilogia Millennium, do escritor sueco Stieg Larsson (falecido precocemente), encontrou na cabeça inquieta do diretor David Fincher um realizador ideal para construir a “sarjeta” moderna, obscura e corrupta, retratada na série de livros, merecido fenômeno de vendas no mundo todo. Sem dúvidas, o maior injustiçado no Oscar 2012. Daniel Craig aplica com louvor o arsenal e a bagagem apreendida dos anos como 007, ao lado da novata (e grande surpresa) Rooney Mara.

 

3 | FAUSTO (FAUST)
O cinema, acima de tudo, como espetáculo – derrubando limites e se mesclando com diferentes tipos de arte. Um desfile deslumbrante, inspirado no imortal poema alemão de Goethe, do homem que barganha sua alma com o diabo. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza 2011, é uma alegoria irretocável, sobretudo em sua grandeza técnica. O controverso diretor Aleksandr Sokurov não teme desprezar atalhos e soluções chanceladas; pelo contrário, encanta e conquista seu público usando novíssimos traçados.

 

4 | ARGO
O garoto-prodígio de Hollywood chega à maturidade. Produção que flerta com muitos gêneros, sem jamais perder seu foco. O astro Ben Affleck, em sua terceira direção de longas-metragens, tonifica uma surreal história de bastidores acontecida em plena revolução islâmica no ano de 1979, que instaurou a teocracia no Irã. Inserido, ao mesmo tempo, no meio de tanta tensão, está o universo tentador dos estúdios do cinema norte-americano, de onde saiu a melhor parceria do ano: a dos gaiatos e veteranos John Goodman e Alan Arkin.

 

 
 

5 | Empatados: UM MÉTODO PERIGOSO (A DANGEROUS METHOD) / COSMÓPOLIS (COSMOPOLIS)
Como seria o cinema sem a genialidade de David Cronenberg? Certamente, bem mais atrasado e careta. Além disso, não poderíamos contar com um mestre que sabe como ninguém subverter e criar caminhos para, em seguida, ser oportuna e exaustivamente copiado. Cronenberg consegue, no mesmo ano, produzir um clássico nem um pouco embolorado, no confronto de Sigmund Freud e Carl Jung (Um Método Perigoso), e uma cerebral e necessária experimentação (Cosmópolis), baseada na neurótica crise econômica mundial de 2008.

 

6 | SHAME
Os senhores votantes da Academia não estavam preparados para as cenas cruas e impactantes conduzidas com firmeza na direção objetiva de Steve McQueen (homônimo do popular ator). Um bem-sucedido executivo de Manhattan perde aos poucos o controle e as aparências, em virtude de seu desproporcional vício em sexo. O ator alemão Michael Fassbender, em uma atuação sublime e corajosa, explica com Shame o porquê de ter sido a mais importante e requisitada figura masculina em Hollywood na temporada 2011-2012. Filme contraindicado para deprimidos e os mais suscetíveis.

 

 
 

7 | A INVENÇÃO DE HUGO CABRET (HUGO)
Em 2012, Martin Scorsese completou 70 anos. Hugo marcou a carreira do consagrado cineasta, como um aprendizado para novas tecnologias (seu primeiro projeto em 3D) e a escolha de uma história para crianças, que, ao mesmo tempo, foi uma máxima homenagem do mestre a um jeito atemporal de se fazer cinema. Na trama, um garotinho órfão que vive na estação central de trens em Paris; e Sir Ben Kingsley no papel de George Méliès, um dos precursores da sétima arte, com sua mágica carpintaria de filmes dirigidos às plateias incautas no início do século passado.

 

8 | Empatados: PROMETHEUS / BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (THE DARK KNIGHT RISES)
A harmoniosa conjunção de puro entretenimento com o cinema de autor. Christopher Nolan rege o desfecho da saga iniciada em 2005, com o ciclo mais político do herói de Gotham City. A solução encontrada nos vilões Bane (Tom Hardy) e Mulher-Gato (Anne Hathaway) fez jus ao inesquecível Coringa de Heath Ledger. Já o nada acomodado Ridley Scott revisita o clássico Alien, O Oitavo Passageiro, criando um prólogo (Prometheus) com forte pegada existencialista. Novamente, o alemão Michael Fassbender desvia para si todas as atenções, como o afetado robô David.

 

 
 

9) HOLY MOTORS
Um homem misterioso incorpora múltiplas personalidades pelas ruas de Paris, a bordo de uma limusine que serve como base para várias caracterizações. Ao seu modo todo peculiar, o cineasta francês Leos Carax glorifica o cinema europeu e toda sua beleza clássica e rebuscada. O protagonista Denis Lavant, espécie de talismã de Carax, carrega na constante projeção adjetivos frontalmente opostos. As imagens pinçadas, todas vibrantes, bizarras e magníficas, foram certamente definitivas para a escolha de Holy Motors pela revista Cahiers du Cinéma como o melhor filme de 2012.

 

10 | MOONRISE KINGDOM
O enfant terrible Wes Anderson insiste no gosto de nostalgia, como um trabalho colegial primorosamente executado. Trata-se da prática da câmera na mão com bastante afeto. No seu mundinho lúdico e singular, o diretor sabe como poucos apresentar ao espectador uma análise ácida da sociedade média norte-americana. Na toada de esquisitices – que nós adoramos –, Anderson dificulta, propositalmente, a história de amor de dois pré-adolescentes, presos em uma pequena comunidade na década de 1960.

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