O Brasil nas telas

por Rafael Campos - Revista do Correio 24/01/2013 07:01

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Júnia Garrido
Damasceno é autodidata: “Nunca frequentei cursos ou escolas de desenho" (foto: Júnia Garrido)

A brasilidade emoldurada. É assim que podemos definir a obra do artista plástico belo-horizontino José Damasceno Telles Camilo, de 65 anos, ou simplesmente Damasceno. Foi traduzindo as festas e os costumes do país que o artista que mora em Contagem, na região metropolitana, conquistou inúmeros admiradores pelo mundo afora. “Eu gosto é disso. De pintar o cotidiano e as belas coisas do meu país”, diz.

 

E foi pintando o carnaval, a maior festa popular do planeta, que o artista tornou-se conhecido. São mais de 30 anos de carreira, que começou a ser construída na adolescência. O gosto pela arte veio enquanto ajudava uma amiga da família, a artista Marlene Trindade, que trabalhava com tapeçaria. “Certo dia, depois do expediente, comecei a desenhar e foi aí que ela teve a ideia de ajudar a expor o meu trabalho”, diz. Em 1978, Damasceno inaugurou no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, a mostra que o colocou de vez na cena artística mineira.

 

Na época, vieram as comparações, e seus desenhos, sempre muito coloridos e povoados, foram definidos como Arte Naïf, ausente de elaborações complexas e rica em espontaneidade. Para se ter ideia, os artistas relacionados a esse tipo de arte são, geralmente, pessoas que já nasceram com o dom do desenho. “Nunca frequentei cursos ou escolas de desenho com receio de perder as minhas características. É só inspiração”, diz o autodidata. Com o tempo, Damasceno foi aprimorando o seu trabalho, sempre utilizando tinta acrílica, o que exigia dele uma habilidade ainda maior devido ao rápido tempo de secagem.

 

Entretanto, pincéis e paleta não foram os únicos instrumentos que lhe davam o sustento, pois durante muito tempo exerceu também a atividade de eletricista. “Contudo, tive um problema de saúde em 1999 e escolhi dedicar-me inteiramente à pintura, coisa que faço por puro prazer”, afirma. Olhando para o quadro Roda de Samba, sua obra predileta, Damasceno revela que a inspiração pode vir a qualquer hora do dia e da noite. “Às vezes, acordo durante a madrugada com uma ideia de desenho, aí tenho de levantar e anotar; do contrário, tudo se perde”, diz o artista, que é admirador das pinturas de Yara Tupynambá e Fernando Pacheco. Além do samba e do carnaval, ele gosta de retratar missas, bares e até a malandragem carioca.

 

Seus desenhos, que já lhe renderam incontáveis prêmios, alcançaram países como França, Alemanha, Estados Unidos e México. E é também de longe que chegam pedidos para retratar o futebol, por causa da Copa do Mundo que será realizada no Brasil. Ele reconhece a dificuldade de produzir tal obra, que deve ficar para outra oportunidade; porém, revela um audacioso projeto que sairá do forno em breve: “Vou pintar a reforma do estádio do Mineirão, com direito a operários e máquinas. Vai dar muito trabalho, mas vai valer a pena”, diz.

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