Eles garimparam o novo pop

por André Lamounier 14/02/2013 08:24

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João Paulo Martins
João Barile com os músicos, na casa de César, um dos autores de Lugar Melhor que BH (foto: João Paulo Martins)

Descendente das modas de viola de tema caipira, cuja época dourada ocorreu entre os anos de 1930 e 1950, o sertanejo universitário tem arrastado multidões a shows e casas de espetáculo. As baladas atuais não trazem mais no DNA a herança caipira (ainda que influenciada pelo country e pela música romântica). Elas têm um andamento mais acelerado, percussão incrementada e incorporaram de vez a guitarra. O resultado: o sertanejo, que já foi considerado um gênero menor e tachado de brega comercial, já é disparadamente o mais popular no Brasil e, de acordo com levantamentos recentes, o consumo desse tipo de música vem crescendo com gosto nas classes A e B, as grandes formadoras de opinião pública.

 

Como consequência do fato, o mercado sertanejo não sabe o que é crise.  Um dos expoentes desse estilo, a dupla César Menotti e Fabiano já vendeu perto de 2 milhões de CDs e DVDs e está entre os artistas mais bem pagos do país, na atualidade. Com 10 anos de carreira, eles fazem cerca de 20 shows por mês. Alguns anos atrás, contudo, as cifras eram muito diferentes. Os músicos, filhos de um garimpeiro viajante, não nasceram em Minas, mas aqui se consagraram. Antes de chegar ao olimpo, contudo, a dupla teve de engolir muita poeira nas estradas das fazendas do interior, onde tocavam, antes de chegar aos bares e casas noturnas da capital. Há 10 anos, cobravam R$ 2 mil. Hoje, não saem de casa por menos de R$ 150 mil.

 

Empresário e irmão da dupla, Fábio Lacerda, evangélico como os irmãos, atribui o estouro a dois fatores: “A Deus e à ousadia dos meninos de terem criado um estilo de sertanejo diferente e mais jovem”. Verdade seja dita, César Menotti e Fabiano, de fato, estavam longe de fazer o estereótipo dos artistas de sucesso, quando explodiram, em meados da década passada. O padrão vigente à época apontava para artistas magros e esbeltos e um ritmo marcado pelo romantismo rasgado. Hoje, o sertanejo incorpora influências do axé, do pop rock dos anos 1980 e até da música eletrônica. A esse novo ritmo, bem mais aceleredo, que a dupla César Menotti e Fabiano imprimiu às baladas românticas, a partir do início dos anos 2000, deu-se o nome de sertanejo universitário e, graças a ele, o gênero sertanejo avançou para muito além das entranhas do interior e dos rodeios, e aflorou nas capitais, empolgando multidões e fazendo a alegria de gravadoras.

 

Para entrevistar os irmãos César, Fabiano e Fábio (meus particulares amigos e de quem, claro, sou fã) foi destacado o jornalista João Barile, dono de um texto refinado e que, depois de um pequeno interregno trabalhando em campanhas políticas nos últimos seis meses, voltou às hostes da Encontro, para alegria da redação, dos leitores e, agora, dos fãs da música pop. Afinal, o sertanejo é o novo pop. E a dupla César Menotti e Fabiano, os responsáveis por esse garimpo.

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