Arte para todos

por Rafael Campos - Revista do Correio 22/02/2013 08:54

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Eugênio Gurgel
Leandro Gabriel consegue erguer peças enigmáticas usando chapas de ferro (foto: Eugênio Gurgel)

Do emaranhado de chapas de ferro e outras sucatas, o artista plástico Leandro Gabriel, de 43 anos, garimpa a matéria-prima para elaborar peças enigmáticas. Para ele, a arte serve para indagar e questionar a realidade. Foi pensando nisso que ele escolheu, há cinco anos, um espaço debaixo de um viaduto no Barreiro para abrigar o seu ateliê. “A ideia é sociabilizar a arte, principalmente para pessoas que não têm o costume ou nunca frequentaram uma exposição”, diz.

 

Transformação é a palavra-chave. Até porque foi ela que motivou sua ida para um lugar que era sinônimo de atividades ilícitas. “Hoje os comerciantes me agradecem por ter vindo para cá”, diz. De fato, a realidade do número 55 da avenida Olinto Meireles, no Barreiro, mudou para melhor.

 

Mas, até alcançar esse patamar, Leandro teve de suar a camisa: “Competência apenas não basta para vencer no mundo da arte. É preciso ter muita força de vontade.” Formado pela Escola Guignard, nascido e criado no Barreiro, o artista teve de aprender a se virar para arcar com os custos e com os materiais necessários para aperfeiçoar o ofício. Foi aí que surgiu a ideia de lidar com objetos que eram descartados e com potencial de serem reaproveitados. “Há 23 anos, quando iniciei na profissão, a reciclagem não tinha a dimensão que tem hoje.”

 

Leandro trabalha com chapas de ferro e estruturas de tubo: “O material permite fazer o que eu quero”
 
 

Com o tempo, ele aprendeu a extrair do ferro a delicadeza e a beleza que necessitava para erguer suas obras. “Trabalho com chapas de ferro e, dependendo do tamanho da peça, com estruturas de tubo. Este material permite fazer tudo o que eu quero, pois é maleável”, diz.

 

Alguns de seus trabalhos podem ser conferidos em BH, como as peças que estão em frente ao Ponteio Lar Shopping, na BR-356; na PUC Minas, campus Barreiro, e no Parque da Serra do Rola Moça. Há também trabalhos no Museu de Arte Contemporânea de Brasília e em Paraty.

 

É inevitável as comparações em relação aos seus trabalhos. Seriam árvores, cactos ou espermatozoides gigantes? O artista garante que nenhuma de suas obras representa algo específico. “Depende do olhar de quem vê”, diz. Ele torce para que o ano de 2013 fique marcado pela valorização de seus trabalhos em Miami, na Flórida (EUA). Desde o início de dezembro, está com uma mostra de suas peças na galeria One of a Kind. Ele espera ainda que o projeto Escultórias (que une contação de histórias com esculturas), do qual faz parte, se consolide, proporcionando a alunos de escolas públicas um contato maior com o mundo das artes e da arte de transformar objetos.

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