Lincoln não é o favorito dos sindicatos

por José João Ribeiro 22/02/2013 09:41

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None (foto: Divulgação)

Os estúdios farejam os roteiros potenciais para a corrida do ouro. Tudo tem início assim, para que, a partir dessa criteriosa seleção, todo um processo seja, rigorosamente, posto em prática. Um dos mais importantes mandamentos, para os que sonham com o Oscar, é evitar a estreia antes do mês de novembro. São poucos os corajosos que ousaram infringir essa regra. Um exemplo clássico, caso raríssimo, citado em todos os manuais, é O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs), que foi lançado nos Estados Unidos em um mês de fevereiro, mais de um ano antes de passar a mão nas principais categorias durante a festa da Academia em 1992.

 

Com o risco de perder força ou de ser, simplesmente, esquecido, um longa-metragem com perfil para prêmios prefere o conforto de ganhar as salas de projeção somente nas semanas finais do ano. Em 2012, o primeiro título a pintar com a cara de considerável competidor foi Argo, de Ben Affleck. Mas os analistas foram categóricos, apontando a falha da Warner em lançá-lo no prematuro mês de outubro. Esse pessimismo parecia se confirmar, na medida em que, de lavada, os medalhões apareciam, um a um: Lincoln, As Aventuras de Pi, Django Livre, A Hora Mais Escura, Os Miseráveis e O Lado Bom da Vida.

 

Nas indicações reveladas pela Academia em 10 de janeiro, todo o protocolo montado pelos entendidos parecia ir de encontro à certeza. As produções mencionadas anteriormente receberam a previsível nomeação na categoria mais cobiçada, com o recorde de 12 indicações para Lincoln, de Spielberg. Porém, no domingo seguinte, com o Globo de Ouro veio a primeira surpresa: a histórica produção sobre o ex-presidente norte-americano perdeu. Quem venceu foi Argo – aquele que só marcaria presença, segundo os especialistas. Já na segunda quinzena de janeiro surgiu a confirmação de que Argo, a criativa história do resgate de diplomatas em plena revolução iraniana, é o favorito para ganhar, neste momento, como melhor filme no próximo dia 24.

 

O Globo de Ouro é, na verdade, o melhor termômetro para a lista de indicados da Academia. Em contrapartida, o guia certo para assegurar um favorito vem dos vencedores nos sindicatos. E, novamente, Argo despontou, ganhando as maiores honrarias concedidas pelos Sindicatos de Atores e de Produtores, sendo que este último, nos anos anteriores, “acertou” o vencedor do Oscar de melhor filme.

 

A maré positiva de Argo ficou explícita no primeiro sábado de fevereiro. O astro Ben Affleck, admirado pelos colegas, não apareceu entre os cinco nomes que disputam a melhor direção. As manchetes pipocaram: “Deu a louca na Academia”. Um constrangimento maior ainda estava por vir. No dia 2 de fevereiro, Affleck venceu também no Sindicato de Diretores. Argo tornou-se favoritíssimo. Vale dizer, os sindicatos são os reais oráculos. A esmagadora maioria de votos, para o Oscar, sai deles. E o lapso com Affleck foi dignamente corrigido. Esse sentimento de justiça pode, na verdade, significar a grande tendência na entrega do prêmio máximo da temporada do ouro.

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