Pode falar de pertinho

por Pabline Félix 25/02/2013 10:56

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Cláudio Cunha, Lola Oliveira
Lázaro Simões Neto, publicitário: “Reforcei a higiene com raspador para língua e enxaguante bucal" (foto: Cláudio Cunha, Lola Oliveira)

Pode parecer um costume banal, mas para quem tem halitose, nome correto para o mau hálito, conversar próximo a outras pessoas é uma dificuldade e também um constrangimento. Como consequência, relações pessoais e profissionais pagam o preço do preconceito e da falta de informação que ainda circunda o problema que, segundo a Associação Brasileira de Halitose, afeta cerca de 30% da população brasileira – número que pode subir para 80% na faixa etária acima de 65 anos. “Trata-se de um universo complexo: a halitose não é uma doença, mas um sintoma de outros tipos de disfunções, que podem ter mais de 50 causas  e estão, em 90% dos casos, relacionados à boca. É muito comum que as pessoas achem que há relação com o estômago, quando, na verdade, isso é uma exceção”, explica a gastroenterologista Maria do Carmo Friche Passos, professora da UFMG e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

 

Solucionar o mau hálito, no entanto, não é tão simples. A primeira dificuldade ainda é comportamental: resiste o tabu, mesmo entre amigos e familiares, em apontar o problema no outro – e aqueles que sabem da sua existência enfrentam a vergonha em reconhecer e a dúvida entre procurar um dentista ou um médico. “É comum que pessoas nessa situação se sintam inseguras. Já ouvi gente dizendo que não se relaciona com ninguém há mais de um ano porque não tem coragem de chegar perto de outras pessoas. Há o esforço para resolver, mas, orientados erroneamente, não encontram a solução definitiva. É complicado”, explica Ruy Oliveira, dentista e empresário paulista que encabeça o Centro de Excelência no Tratamento da Halitose (CETH). Essa organização desenvolveu o OralChroma, halitômetro capaz de analisar em oito minutos os gases expelidos na respiração, identificar a presença da halitose e elaborar um laudo preciso, identificando as causas do problema. Esse recurso tecnológico está disponível há um ano em Belo Horizonte, por meio da parceria com a clínica Radio Imagem, localizada no Santa Efigênia, de propriedade do dentista Leonardo Ferreira. A tecnologia foi empregada também no uso de diversos produtos capazes de potencializar a higiene bucal e tratar deficiências por meio do estímulo à salivação. A linha Halicare está disponível em farmácias de manipulação da cidade.

 

Uma das adeptas do equipamento e dos produtos é Maria das Graças Najar, dentista há 34 anos e com especialização em tratamentos ortodônticos, implantes e geriátricos. “Lido diariamente com o problema do mau hálito em função do público que atendo. Percebo nos meus pacientes um índice muito alto de solução ou controle da halitose com o tratamento que prescrevo a partir do diagnóstico informatizado”, afirma. Mas a dentista alerta: só é possível ter uma resolução caso haja compromisso em seguir corretamente as orientações. “Senão, não adianta saber que tem e não tratar”, diz.

 

Esse é o caso de Lázaro Simões Neto, publicitário de 59 anos que descobriu o problema há oito meses, depois que passou a usar aparelho ortodôntico. “Adquiri mau hálito por causa do aparelho dental, que me causa ressecamento na boca. Reforcei a higiene com raspador para a língua e o enxaguante bucal à base de dióxido de cloro e, em dois meses, tudo estava resolvido. Hoje, esses cuidados fazem parte da minha rotina”, afirma.

 

Reforce a limpeza
 

 

Se você desconfia ter mau hálito, procure um dentista, mas antes mude seus hábitos de higiene bucal

 

Passe sempre o fio
Corte um pedaço de 50 cm de fio dental, enrole nos dois indicadores e passe entre os dentes, indo até o sulco gengival

 

Aprenda a Escovar os dentes
Use escovas de cerdas macias ou médias e faça pequenos movimentos vibratórios sobre a gengiva, seguindo até o dente. Escove também o céu da boca e a buchecha

 

Raspe a língua
Divida a língua em três seções e passe 20 vezes em cada uma delas, tendo o cuidado de passar também na parte posterior, aquela mais próxima da garganta

 

Bocheche
Use um enxaguante bucal à base de dióxido de cloro, mais eficiente do que aqueles à base de álcool. Bocheche por cinco minutos, gargareje e cuspa

 

Alimentação
Beber água e comer em intervalos curtos estimula a salivação, principal arma contra a halitose

 

Vilões do mau hálito

 

Existem mais de 50 fatores que provocam a halitose. O principal é a proliferação do número de bactérias presentes na flora bucal

 

A proliferação provoca o aparecimento de uma borra branca sobre a língua (chamada de saburra lingual)

 


O surgimento dessa placa está relacionado principalmente à salivação insuficiente, que decorre de fatores como uso frequente de álcool e tabaco, remédios para emagrecimento, controle arterial e depressão, desvio de septo, cirurgia bariátrica, quimio e radioterapia , e estresse, entre outros

 

Essa colônia bacteriana produz compostos com enxofre, substância responsável pelo cheiro desagradável que sentimos
 

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