Chefs mineiros brilham em Madri

por Eduardo Tristão Girão 25/02/2013 15:08

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Eduardo Girão
“Resolvemos investir na imagem de Minas Gerais”, diz o governador Antonio Anastasia (foto: Eduardo Girão)

O governo acreditou, os parceiros apostaram e os nossos chefs brilharam. Minas Gerais fez bonito na 11ª edição do Madrid Fusión, congresso de gastronomia realizado em Madri, na Espanha. Um dos mais prestigiados eventos do ramo no mundo, ele recebe gente de toda parte, interessada em acompanhar aulas e palestras com grandes nomes da culinária – não raro sendo palco de lançamento de tendências e discussões relevantes. Nos três dias de programação, entre 21 e 23 de janeiro, os mineiros demonstraram grande talento e atraíram a atenção internacional para o Brasil e, especialmente, para Minas, que foi a grande homenageada.

 

Pela primeira vez na história do Madrid Fusión, um estado (e não um país, como é costume) foi escolhido para receber a homenagem da organização, que já havia contemplado nações como Peru, México e Coreia do Sul. Isso se deve à iniciativa da Conspiração Gastronômica (os chefs Eduardo Avelar e Eduardo Maya iniciaram o contato com os organizadores) e ao governo do estado, que viabilizou a ida de comitiva de 80 pessoas a Madri, com apoio da Fecomércio Minas, Fiemg, Faemg e Sebrae. O investimento foi de R$ 2 milhões.

 

Palestra de Rafael Cardoso e Ivo Faria na abertura da participação mineira no festival: história, curiosidades e delícias que encantaram o público espanhol
 
 

Estiveram lá os chefs Beth Beltrão (Virada’s do Largo, Tiradentes); Dona Lucinha (Dona Lucinha, BH); Dona Nelsa (Xapuri, BH); Edson Puiati (Senac, BH); Eduardo Avelar (Sabores de Minas); Eduardo Maya (Comida di Buteco); Felipe Rameh (Trindade, BH); Frederico Trindade (Trindade, BH); Guilherme Melo (Hermengarda, BH); Ivo Faria (Vecchio Sogno, BH); Leonardo Paixão (Glouton, BH); Pablo Oazen (Assunta, Juiz de Fora); Paula Cardoso (Albano’s, BH); Rafael Cardoso (Atlantico, BH); e Rodrigo Fonseca (Taste-Vin), entre outros. Também convidado pelo congresso, o chef paulista Alex Atala, o maior nome da gastronomia brasileira, fez parte da delegação do Brasil e participou de trabalhos com os colegas mineiros.

 

Um dos pontos altos da programação foi a aula que abriu a participação mineira no Madrid Fusión, com Ivo Faria e Rafael Cardoso. Os dois falaram de dois pontos temáticos cruciais na linha do tempo da gastronomia mineira: o primeiro, na época dos tropeiros, quando a necessidade de transportar a comida no lombo de animais ditava os ingredientes e formas de preparo; o segundo, quando vilas começaram a ser formadas no estado, permitindo o surgimento do que chamaram de “cozinha de quintal”, na qual se aproveita todos os produtos disponíveis ao redor de casa.

 

“Tudo leva um tempo para acontecer e esse trabalho vai despertar, em uma série de outros chefs, curiosidade sobre os produtos mineiros. O estado vai passar por esse processo e nós somos responsáveis, mais do que nunca, por exigir mais incentivo do governo. No mundo inteiro, o governo injeta dinheiro no turismo e nós temos de fazer com que o turista venha a Minas por causa da culinária. E não basta que isso fique limitado a Belo Horizonte, pois no interior é preciso que a mão de obra e os produtos do entorno sejam valorizados”, diz Ivo.

 

Felipe Rameh divide o palco com Alex Atala: chefs também cozinharam em hotéis durante o Gastrofestival, programação paralela de jantares ligada ao evento
 
 

Enquanto Rafael Cardoso ofereceu farofa de tanajura em copinhos ao público, Ivo Faria distribuiu alguns jilós aos curiosos que estavam nas fileiras da frente, apresentando-o como “primo pobre da berinjela”. Cardoso executou sua receita diante do público, uma criação esteticamente ousada na qual um pedregulho de minério de ferro com ouro incrustado foi representado por meio de um lombo de porco passado no cacau em pó com uma pequena folha de ouro grudada por fora. Por baixo, uma paçoca de carne serenada foi disposta como o leito arenoso de um rio.

 

“A real repercussão e importância desse acontecimento só será vista à medida que se der prosseguimento aos incentivos à gastronomia e tudo o que a cerca, como pequenos produtores, estímulo à formação de mão de obra qualificada; enfim, um olhar mais atento a um setor da economia que emprega, gera renda e promove o país e o estado. Acredito ter sido notável a ação do governo e, ao fim do congresso, conversando com o governador Antonio Anastasia, ele me confirmou que o Madrid Fusión foi o primeiro de muitos passos”, afirma Rafael.

 

Dois exemplos da criatividade mineira: carne de sol com jiló e palmito, de Ivo Faria, e bacalhau com quiabo e pequi, de Frederico Trindade
 
 

Outro destaque foi a palestra de alguns dos expoentes da nova geração de chefs mineiros, a cargo de Felipe Rameh, Frederico Trindade, Leonardo Paixão e Pablo Oazen. Em apresentação conjunta, eles mostraram receitas sofisticadas, todas privilegiando ingredientes regionais, como frutas, verduras, raízes, castanhas e carne de porco. A plateia vibrou.

 

Houve ainda uma série de atividades para os chefs mineiros, e vários deles cozinharam em hotéis de Madri durante o Gastrofestival, programação paralela de jantares ligada ao congresso. Paula Cardoso foi uma delas, atuando com Felipe Rameh na cozinha do Westin Palace. “Servimos baroa, pupunha, canjiquinha, queijos de minas... e todos adoraram. Mostramos que o Brasil pode ser visto além da feijoada. Agora que todos sabem que Minas existe, precisamos buscar mais estudo, pesquisa e técnicas. Temos bons cozinheiros e bons produtos, muitos desconhecidos por grande parte do mundo”, diz.

 

Do lado de fora do auditório onde os mineiros se apresentaram, o desfile de ingredientes típicos continuou. Entre estandes europeus de queijos, azeites, vinhos, conservas e muito presunto cru, a representação mineira no congresso mostrou produtos como queijo-minas, café coado na hora, cachaça, doces cristalizados, frutas frescas (banana, manga e mamão), bananada, castanha-de-baru e geleias (jabuticaba e pimenta-biquinho). Em estande paralelo se destacaram também as águas Cambuquira e Caxambu, escolhidas como águas oficiais do evento. E para os que não conheciam a rica gastronomia mineira, o cardápio do coquetel de lançamento do Madrid Fusión, no Casino de Madrid, funcionou como um cartão de visitas: pão de queijo, bolinho de mandioca, pastel de angu, dadinho de tapioca com queijo canastra, bacalhau com pequi e quiabo, cuscuz de canjiquinha com orelha de porco crocante e carne seca com jiló e palmito.

 

“Resolvemos investir muito na imagem de Minas Gerais, que ainda é pouco conhecida em relação a outros estados brasileiros. O Peru tinha uma cozinha de altíssima qualidade, mas pouco conhecida. Restaurantes peruanos estão sendo abertos, se especializando, e é o que nós queremos com a comida mineira. Nosso objetivo é que esse conhecimento se desdobre em valor subjetivo do valor patrimonial de Minas”, afirmou o governador Antonio Anastasia.

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