O brilho das joalheiras

Quem são as mulheres que estão à frente das joalherias mais badaladas de BH. Elas ditam moda e conquistam clientes em vários cantos do país, incluindo celebridades

por Mariana Peixoto e Pabline Felix 20/03/2013 10:44

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Fascínio, sofisticação, poder. Não é simples definir em palavras todos as sensações que uma joia inspira. O certo é que, desde o início dos tempos, as joias exercem um fascínio indescritível, principalmente entre as mulheres. Sejam rebuscadas, com inspiração na realeza e valor de antiguidade, ou geométricas, verdeiras esculturas contemporâneas, há algo de magia nesses acessórios, que justifica algumas referências místicas. Amuletos, símbolos religiosos e representações de deuses são os primeiros exemplos de peças ornamentais feitas com materiais nobres encontrados na natureza. Palco da história do ouro e detentora das mais variadas pedras preciosas e semipreciosas do mundo, Minas Gerais inspira joalheiras que levam o nome do estado para além das fronteiras do país.

Não é por acaso que uma palavra aparece mais de uma vez em um bate-papo com uma das mais conhecidas de Minas, Terezinha Géo Rodrigues: transformação. À frente da Talento Joias, ela fez a joalheria mineira alcançar outro status. Há alguns termômetros: o mais visível são os prêmios, nacionais e internacionais, que vem colecionando desde o início de sua trajetória. O outro, tão ou mais importante, é mais claro para quem está no meio: a Talento antecipa  tendências.“É tudo fruto de pesquisa”, diz Terezinha. “Mas é lógico que tenho uma antena e, coincidentemente, consigo lançar antes dos outros.” Esse “antes” não é  uma temporada, mas dois, até três anos de antecipação.

Samuel Gê
(foto: Samuel Gê)


Terezinha é obcecada por novidades. Foi justamente por conta disso que se tornou joalheira e acabou inspirando os três filhos. Todos trabalham com ela. Mas a trajetória começou com a primogênita, Vanessa, que não tinha mais que 1 ano de idade quando Terezinha, cansada de tentar colocar brinco na menina, decidiu criar um cachinho de uva para enfeitá-la. Viu naquele momento que tinha jeito para a coisa. Trabalhou em tantas peças até que um dia seu marido, Jacques Rodrigues, perguntou: “Por que não faz as joias?”. Até hoje, tudo o que sai da Talento – a sede é em espaço próprio, em Lourdes – começa e termina com Terezinha. Atualmente, a fundadora divide com os três herdeiros a responsabilidade sobre as decisões. A caçula, Maria Tereza, por exemplo, dirige as ações de marketing da marca e, por isso, destaca-se como a “nova cara” da Talento. “Temos cargos, mas, no fim, nós fazemos de tudo. Os quatro se dedicam muito e o apoio do meu pai é muito importante também”, diz Maria Tereza.

Na mesma região está localizado o showroom de Rosália Nazareth, cuja marca leva seu nome. O começo de sua trajetória não foi muito diferente do de outras empresárias do meio joalheiro, como Ângela Alvim, com loja própria em shopping no Belvedere. As duas começaram vendendo joias em casa, sem muita pretensão. A procura foi crescendo aos poucos, até que Rosália alugou uma sala no mesmo edifício onde hoje mantém sua loja.

João Carlos Martins e Cláudio Cunha
(foto: João Carlos Martins e Cláudio Cunha)

Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)


“Não sou designer, sou empresária. Mas sempre tive uma visão muito boa sobre joias. Quando chegava uma cliente mostrando uma pedra que tinha ganhado, eu a estimulava a adaptar a peça. No entanto, só comecei a pegar pesado na parte de criação quando montei o escritório”, diz Rosália. A dedicação definitiva ocorreu em 1995.“Fiz fisioterapia e, mais tarde, especialização em uma área difícil, de manuseio de pacientes com paralisia cerebral. Era algo totalmente oposto à joia. A profissão me provocava encantamento, paixão. Mas vi que a joalheria me faria mais feliz”, explica. Hoje, com a marca estabelecida, Rosália segue a mesma cartilha todos os anos. Faz o circuito de feiras internacionais, de onde tira inspiração para montar suas coleções. “As feiras são as grandes ditadoras de tendência do mundo.”

Com Ângela Alvim, o prazer de usar uma joia vem desde a primeira infância. “Tive uma medalhinha que ganhei do meu pai com um rubi cravejado e os dizeres ‘Deus é amor’. Ainda tenho a foto, com não mais do que um ano e pouco, sentadinha, de brinco, pulseira e a medalhinha, ao lado da minha mãe e da minha irmã. Nasci com joia e com joia cresci”, relembra Ângela, que hoje fica por conta da parte criativa de marca, enquanto a filha, Alessandra, está à frente da administração e da própria loja. “Crio algumas peças, mas, como o Brasil tem designers maravilhosos, compro coleções prontas para montar a minha própria. Temos de estar sempre buscando o novo para acompanhar a informação”, explica Ângela. A inovação, acredita, está nas cores. “A alta joalheria mundial tem investido pesado nas cores – seja no rubi, seja na safira, na esmeralda. E hoje também são muito usadas as pedras semipreciosas. Tem pedra verde que não é esmeralda e tem um visual muito bonito. O importante é que fique bonito, pois nem sempre a joia mais cara é a melhor”, diz.


Geraldo Goulart
(foto: Geraldo Goulart)


Outra joalheira que está acostumada a trabalhar em família é Duda Recoder. Ela faz parte da segunda geração à frente da Recoder Joias, empresa que tem sua origem oito décadas atrás. Foi em 1934 que o avô de Duda, Francisco Recoder, deixou a Espanha rumo ao Brasil, direto para Diamantina, atrás das pedras que deram nome à cidade histórica. Ali se casou e teve seus filhos. “Rapidamente ele se tornou um dos melhores classificadores de diamantes do Brasil, trabalhando para grandes empresas, dentro e fora do país”, conta Duda. A paixão passou para as filhas, que, por sua vez, passaram para a nova geração. Duda tinha 17 anos quando começou a trabalhar lá. “Com a morte da minha mãe, em 1999, eu e minha irmã, Carolina, nos tornamos as sucessoras. Trabalhar em família faz parte da essência da Recoder Joias, pois a empresa nasceu e cresceu na casa do meu avô e sob os ensinamentos e cuidados dele.” Seguindo o legado do patriarca, os diamantes são o carro-chefe das quatro coleções anuais da marca: “São criteriosamente selecionados, e seus preços variam conforme a cor, o grau de pureza e o tamanho das pedras”, diz Duda Recorder.

Mas nem só de diamantes e joias clássicas é feito o setor: grifes importantes como Manoel Bernardes e Melissa Maia investem na valorização de pedras brasileiras e em tamanhos e formas exuberantes para se destacar. Andréa Bernardes, uma das oito herdeiras da empresa que leva o nome do pai, esclarece que, apesar de alinhadas às tendências fashion mundiais, as coleções da Manoel Bernardes têm como principal preocupação a adequação ao mercado brasileiro. “A mulher brasileira gosta de movimento, de brincos grandes e coloridos. Por isso adaptamos a moda ao nosso estilo de fazer joias”, diz Andréa.

Eugênio Gurgel
(foto: Eugênio Gurgel)


Cabeça do setor de vendas e atendimento, Andréa tem experiência em ouvir o que o cliente quer. Desde os 18 anos envolvida em cargos relacionados a vendas – ela foi auxiliar de vendas, cofrista, vendedora e supervisora –, ainda hoje faz questão de visitar regularmente e colocar-se à disposição de qualquer pessoa que entre em uma das cinco lojas localizadas em shoppings da capital. É por isso que ela é a responsável por intermediar as demandas do público e o comitê de desenvolvimento de produtos da empresa, que foi fundada em 1970 e tem sede no bairro Cruzeiro. “Esse canal encurta o processo entre pedir e ser atendido, e torna a compra uma experiência agradável. A pessoa se sente valorizada”, diz Andréa. Ela ajuda também na escolha e análise das peças das joalherias parceiras, já que a Manoel Bernardes é representante única no estado de mais de dez grifes de alto luxo, como Cartier, Montblanc, Bvlgari, Swatch e Calvin Klein.

Para Melissa Maia, proprietária da marca homônima fundada em 2001, as pedras brasileiras agregam naturalmente sensualidade à joia, mas é preciso trazer originalidade ao desenho para que ela realmente ganhe destaque. Por isso, ela abusa da criatividade,  motivo pelo qual, acredita, diversos casais a têm procurado para desenvolver modelos de aliança originais.


Eugênio Gurgel
(foto: Eugênio Gurgel)


“Atualmente, é o que mais gosto de fazer: entender a personalidade do casal e fazer uma coisa bem específica”, conta a designer formada em Florença, na Itália, região considerada um dos principais polos joalheiros do mundo. “Não admito fazer algo que seja parecido com o que já existe”, diz.

A busca por peças únicas é constante no mundo da joalheria. Mesmo marcas cuja criação própria não é o carro-chefe alcançam notoriedade se souberem explorar o conceito de exclusividade, como a Aparecida Joias. Hoje, a produção interna e a revenda de marcas parceiras é equilibrada. Segundo Carolina Lanna Prates, nora e atual braço direito da proprietária, Aparecida Prates, a estratégia da empresa, que está há 28 anos no mercado, é revender apenas um ou dois exemplares de uma determinada peça e, ao mesmo tempo, oferecer grande variedade de modelos. “Ainda há a possibilidade de produção sob demanda. Buscamos oferecer todos os benefícios em um único lugar: possibilidade de escolha, no caso da pronta entrega, ou desenvolvimento e exclusividade do desenho. Ser exclusivo é sempre prioridade”, diz.


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[object Window] (foto: [object Window])


Exclusividade, aliás, é palavra valorizada por estas joalheiras mineiras e pode explicar o sucesso das marcas. Afinal, assim como as obras de arte, as joais são únicas e carregam atributos indescritíveis, mas capazes de continuar fascinando as mulheres ao longo do tempo. As joalheiras mineiras souberam captar esse desejo e vêm conseguindo brilhar nesse mercado, assim como as mais raras pedras preciosas.


Da F-1 à roda de samba


Ainda que o ofício seja antigo e o mercado seja tradicional, há espaço para renovação na joalheria mineira. Um exemplo é a Corazzo Joias, criada pelas jovens belo-horizontinas Luciana e Carolina Campos há nove anos e que caiu no gosto das celebridades: a série de capacetes cravejados tornou-se presente comum entre namoradas de pilotos da Fórmula 1, como Felipe Massa, Coulthard e Schumacher, e o pingente ‘legato’, que remete ao símbolo do infinito e vem gravado com nomes de familiares, figura no pescoço de estrelas como Angélica, Susana Werner e Ana Paula Padrão. O diferencial está especialmente na associação de conceitos modernos como e-commerce e personalização a um ramo ainda muito preso ao modelo tradicional de compra e venda.

Pedro Nicoli
Luciana e Carolina Campos, da Corazzo, integram a nova geração de joalheiras: elas conquistaram clientes famosos, como a apresentadora Angélica (foto: Pedro Nicoli)


As peças assinadas pela marca – que funciona desvinculada de uma sede própria – são, em sua maioria, criadas em parceria com os clientes. Assim, eles obtêm joias de acordo com seu gosto e, principalmente, com seu bolso. “Apesar da informalidade, a negociação é muito clara. Adaptamos pequenos detalhes para que o cliente fique satisfeito”, afirma Carolina, que mora em São Paulo para facilitar o atendimento ao principal mercado do país. Em BH, permanece Luciana. “Pela internet, conseguimos chegar a qualquer lugar do Brasil e mesmo fora do país. Já enviamos produtos até para o exterior”, diz Luciana.

A trajetória da Ânima Joias é igualmente recente e notável. Fundada há apenas quatro anos pela empresária Angélica Cerqueira, a marca conta com estrutura de ‘gente grande’: duas vezes por ano são lançadas coleções com cerca de 100 peças únicas, que são comercializadas no showroom próprio, localizado no bairro Funcionários. “Joias são obras de arte e, por isso, devem ser únicas, exclusivas, pessoais”, diz Angélica.

Samuel Gê
Há 12 anos Melissa Maia optou por dedicar-se à criação de joias: "Hoje, olho o mundo de maneira muito diferente" (foto: Samuel Gê)


Apesar de declarar-se apaixonada por joias desde muito cedo – era costume em sua família que as crianças ganhassem, em datas comemorativas, pulseiras e brincos caros –, o primeiro envolvimento da empresária com o ramo foi há 15 anos, quando fez um curso de joalheria por gosto, sem pretensões profissionais. “A oportunidade de criar minha marca própria veio aliar uma chance comercial com um gosto pessoal. Joia, para mim, sempre foi sinônimo de celebração, e trabalhar com isso é uma satisfação”, conta. De origem paulistana, mas radicada em Belo Horizonte há 24 anos, Angélica circula também pelas rodas cariocas, onde tem vários clientes famosos – como o sambista Arlindo Cruz – para as peças desenvolvidas com materiais variados.

Samuel Gê
A empresária Angélica Cerqueira, que criou marca própria há quatro anos: "Joia sempre foi sinônimo de celebração, e trabalhar com isso é uma satisfação" (foto: Samuel Gê)


Já Melissa Maia, proprietária de marca homônima, optou por dedicar-se à criação de peças em 2001, depois de estudar comércio exterior e design de interiores. Foi na especialização, cursada em Florença, Itália, que ela descobriu sua verdadeira vocação. “Trabalhar com joias é uma alegria. Hoje, olho o mundo de maneira muito diferente: cada detalhe do mundo é uma fonte de inspiração”, diz. Grifes como Manoel Bernardes, H.Stern, Vivara e Lancaster Italy contaram com a criatividade de Melissa antes que ela decidisse criar o próprio negócio.  Suas peças, lançadas em duas coleções anuais, têm pedras de cor como protagonistas, tendência que vem se fortalecendo no ramo e, em especial, em Minas Gerais, devido à oferta de boas gemas.

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