A invasão da bola oval

Um dos esportes mais populares dos EUA, o futebol americano está conquistando torcedores mineiros, que acompanham as temporadas em bares ou reúnem amigos para assistir às partidas em casa

por Marina Dias 20/03/2013 13:16

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Júnia Garrido
A publicitária Laura Gouveia é uma das mulheres que acompanham o esporte: "Foi a complexidade do jogo que me conquistou; em 30 segundos o resultado pode mudar" (foto: Júnia Garrido)
Homens vestidos com armaduras e capacetes, posicionamento confuso e muita violência. Normalmente, essa é a primeira impressão que se tem ao se assistir a um jogo de futebol americano. No entanto, muitos belo-horizontinos estão quebrando essa barreira inicial e têm engrossado o time dos fãs do esporte na cidade. Esses mineiros se dispõem a aprender as regras, decorar termos em inglês e a acompanhar partidas de até quatro horas, madrugada adentro, por amor à bola oval. De fã em fã, o número de amantes do futebol americano está aumentando e movimentando a capital mineira.

Paulo Márcio
O engenheiro Tiago Cária é tão fã da modalidade que pretende fazer a próxima seletiva para integrar a equipe belo-horizontina Minas Locomotiva: "É um esporte, acima de tudo, democrático e inclusivo" (foto: Paulo Márcio)


Um dos entusiastas do esporte é o médico Felipe Cavatoni, de 28 anos. Torcedor do time norte-americano Pittsburgh Steelers, ele promove um evento anual em sua casa no dia do Super Bowl (final do campeonato da NFL, liga de futebol americano dos EUA) desde 2005. No primeiro ano, apareceram por lá apenas cinco amigos, e alguns nem conheciam bem o jogo. No último encontro, em fevereiro, foram cerca de 20 pessoas. “Hoje muita gente mexe comigo quando estou com a camisa do meu time americano e percebi um aumento grande do público que vê partidas em bares”, diz Cavatoni. Para ele, o fato de a vitória depender tanto de estratégia para marcar pontos é uma das principais qualidades do esporte. “Eu achava que era um jogo com muita violência, mas, ao entendê-lo, vi que não era assim. Tem muita estratégia, é muito interessante”, diz.

A namorada de Felipe, a designer de moda Paula Othero, de 26 anos, também foi contagiada. Como brincadeira, ela escolheu torcer para o time rival ao do namorado, o Baltimore Ravens, mas a paixão ficou séria. “No ano em que comecei a torcer, o Ravens acabou chegando ao Super Bowl. Ao acompanhar o time, realmente comecei a gostar dele, então deixou de ser uma torcida só para irritar o Felipe”, conta.

Para o engenheiro Tiago Cária, de 30 anos, outra qualidade do jogo que o atrai é o fato de ele ser democrático. “É um esporte estratégico, emocionante, viciante e, acima de tudo, inclusivo. Há lugar para todos, desde o mais esbelto e atlético corredor até jogadores mais pesados”, conta o torcedor do New England Patriots, que, de tão fã, tem até planos de entrar para o time de futebol americano belo-horizontino Minas Locomotiva. “Sempre tento comparecer às partidas, quando são em BH, e pretendo participar da próxima seletiva”, diz.

Pedro Nicoli
O estudante Henrique Darmstadter entendeu melhor as regras ao jogar partidas no videogame: "No início as pessoas acham que é pancadaria, mas logo percebem que depende de técnica, força, inteligência" (foto: Pedro Nicoli)


Bares e restaurantes da cidade perceberam o aumento desse público e têm investido para atrair os torcedores. O Applebee’s, que já transmite partidas há quatro anos, viu a quantidade de clientes fãs do esporte aumentar pelo menos 30% ao ano. Para comportar os espectadores, compraram o quinto televisor no início de 2013. “No último Super Bowl, o restaurante ficou tomado e tivemos fila de espera até quase meia-noite, ou seja, até o intervalo do jogo”, conta o gerente Marcelo Lanes. A Pizzaria Mulino, que passa a temporada completa da NFL, faz uma festa anual para transmitir o Super Bowl e o público já chegou a 500 pessoas. “Até durante os outros jogos, que o pessoal costuma ver em casa por causa do horário tardio, o número de clientes aumentou. De cinco por partida em 2010, já passou para 40”, conta o proprietário, Sérgio Martins.

João Carlos Martins
O médico Felipe Cavatoni influenciou a namorada, a designer Paula Othero, a gostar de futebol americano: hoje, não só acompanham juntos a temporada toda, como torcem para times rivais (foto: João Carlos Martins)


O jornalista esportivo Paulo Antunes, que cobre o esporte desde 2006 na TV fechada, afirma que a modalidade tem ganhado adeptos em todo o país. “O crescimento tem sido incrível. Com o aumento de programas na grade e com novos patrocinadores marcando presença, vemos isso”, diz ele, destacando o interesse dos mineiros pelo esporte: “Eu arriscaria dizer que Minas fica entre os quatro ou cinco estados que mais assistem à bola oval. Isso só julgando pela participação do fã de esporte nos programas”, diz Antunes.

Segundo o vice-presidente da Federação Mineira de Futebol Americano, Marcelo Fernandes, o crescimento do número de fãs se intensificou no final da década de 1990, com a popularização da TV a cabo no país e com a superexposição do Super Bowl, que tem se tornado um evento por si só. Por isso, os fãs da modalidade em BH têm, em sua maioria, até 30 anos (o time adulto do Minas Locomotiva, por exemplo, tem média de idade de 27). Apesar disso, de acordo com Marcelo Fernandes, o público está se expandindo: “Vejo muitos filhos influenciando os pais e familiares a gostar também”, diz.



O estudante de medicina Henrique Darmstadter, de 21 anos, é um dos que têm ajudado a disseminar o esporte na cidade. Além de combinar de ver os jogos na casa de amigos para poder explicar as regras a eles, o torcedor do Indianapolis Colts ainda apresentou a modalidade para a mãe e para o irmão mais novo. “Eles já assistem ao Super Bowl comigo hoje em dia”, conta, lembrando que aprendeu o funcionamento do esporte jogando partidas no videogame. “No início as pessoas acham que é pancadaria, mas logo percebem que é um jogo que depende de técnica, força, inteligência”, afirma.
Hoje, ainda são poucas as mulheres torcedoras, mas o número de adeptas está crescendo. A publicitária Laura Gouveia, de 22 anos, é fã do New England Patriots e já acompanha as temporadas apoiando o time há cinco anos. “Acredito que foi a complexidade do jogo que me conquistou. É um esporte pensado, que para toda hora, é cheio de estratégias, jogadas e regras e que, literalmente, só acaba quando termina, pois em 30 segundos tudo pode mudar”, diz.

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