O poeta das cores

Artista belo-horizontino mistura em suas telas formas geométricas e variados tons

por Rafael Campos - Revista do Correio 26/03/2013 12:17

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Pedro Nicoli
JB Lazzarini: "Prefiro trabalhar com aquilo que é verdade para mim. Do contrário, não é arte" (foto: Pedro Nicoli)
O artista plástico belo-horizontino João Batista Lazzarini da Silveira, ou melhor, JB Lazzarini, de 45 anos, é daquelas pessoas que podem ser encaixadas no estereótipo do bom mineiro: sem estardalhaço e falando pouco, conseguiu, ao longo de quase 20 anos de carreira, conquistar espaço na cena artística do estado e do país, provocando elogios por onde passa. Suas cores e desenhos já serviram de cenário para a gravação do DVD Yamandu+Dominguinhos, gravado na cidade de São Paulo, em 2007. Yamandu Costa, um dos principais violonistas brasileiros da atualidade, participou também do documentário Metaformose (2011), que revelou um pouco do processo de elaboração das pinturas de JB Lazzarini.

O talento do artista foi sendo lapidado desde a infância, época em que começou a ensaiar por conta própria alguns desenhos. “Sempre gostei de pintar, a partir também da curiosidade de observar as obras de grandes artistas”, diz. Contudo, Lazzarini, que mantém seu ateliê num apartamento do bairro Dom Cabral, região Noroeste de Belo Horizonte, prefere dizer que sua inspiração não vem de fonte única. “Não me inspiro em artistas ou conceitos específicos da arte. É um exercício de paciência com o próprio trabalho. Não acontece da noite para o dia”, diz. De tamanha paciência (alguns trabalhos chegam a levar 50 horas para serem produzidos), o belo-horizontino alcançou a mistura de formas geométricas e rígidas. Nas suas telas são encontrados elementos da natureza, poesia, música e formas concretas.

Pedro Nicoli
Uma das mais recentes telas do artista: opção por diferentes tons (foto: Pedro Nicoli)


Ele é avesso a rótulos. Prefere deixar para o público a decisão de como observar seu trabalho, que, depois de passear por esculturas e serigrafia, usa e abusa da criatividade por meio da tinta acrílica. “Gosto de desafiar coisas preestabelecidas. Prefiro trabalhar com aquilo que é verdade para mim. Do contrário, não é arte”, diz Lazzarini, que também foi aluno da tradicional escola Guignard, no Mangabeiras.

As cores estão presentes não apenas em seus trabalhos, pois fazem parte de seu cotidiano. Basta olhar a sala de seu apartamento. São cores e formas que remetem à pop art (corrente artística que surgiu na década de 1950, nos EUA e Reino Unido), elementos brasileiros e ao futebol. “Cor é emoção”, afirma, ressaltando, contudo, que não há conexão com seu estado de espírito. “Já houve dias em que produzi telas coloridas, mesmo estando um pouco para baixo. Pretendo nunca parar de produzir.”

Até 15 de março, JB Lazzarini está com trabalhos expostos na Fumec, no projeto Mais Arte na Biblioteca, sob a curadoria do professor Gladston Mamede. Suas telas também podem ser conferidas na Galeria Dotart, na rua Bernardo Guimarães, 911, bairro Funcionários.

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