Volta, Clara...

Teatro Clara Nunes, importante centro de produção artística de Belo Horizonte, vai retomar suas atividades ainda este ano, com a parceria do governo de Minas com o Sesc-MG

por João Paulo Martins 12/04/2013 13:42

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Imprensa Oficial
Com um pé atrás: notícia foi recebida com cautela pela classe artística, que teme que produções de grupos locais percam espaço (foto: Imprensa Oficial)
O ano é 1966. Em plena ditadura militar, entra em cartaz no Cine Teatro Imprensa Oficial, em Belo Horizonte, a peça infantil Liderato, O Rato que Era Líder, escrita por André Carvalho e Gilberto Mansur. A peça conta a história de um país diferente, povoado por ratos, e, por meio de várias situações políticas, leva o público a entender o sentido do voto. Não deu outra: apesar do delírio que causava na plateia, durante o ano em que ficou em cartaz foi censurada pelos militares, por meio do temido Ato Institucional nº 5 (AI5). “Era um texto bem crítico e a censura logo proibiu”, lembra Pedro Paulo Cava, ator, produtor teatral e diretor do espetáculo Liderato. Para ele, esse exemplo de resistência da classe artística contra as imposições políticas do turbulento período da ditadura no Brasil mostra a importância do teatro Imprensa Oficial, criado no início da década de 1960 e que passou a se chamar Clara Nunes em 1993. Ele vai ser restaurado e reaberto ao público ainda este ano – está fechado desde 2009 –, segundo anúncio do governador Antonio Anastasia feito em fevereiro.

A expectativa em torno do novo teatro Clara Nunes é ainda maior, porque sua reforma e administração ficará a cargo do Serviço Social do Comércio de Minas Gerais (Sesc-MG). “Essa oportunidade permitirá que a rua Rio de Janeiro se transforme num corredor de teatros, acoplando o Clara Nunes, que é uma casa de porte intermediário, ao Sesc Palladium, que é grande, um dos maiores de BH”, explica Eugênio Ferraz, diretor-geral da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. Como o contrato ainda não havia sido assinado, até o fechamento desta edição não se tinha o projeto arquitetônico, com informações de como ficará o espaço, que antigamente recebia até 400 pessoas e chegou a abrigar festivais de cinema, nos anos 1960 e 70.

Arquivo Pessoal
O ator e diretor Pedro Paulo Cava com os atores da peça Liderato, O Rato que Era Líder em frente ao teatro Clara Nunes: "Era um texto bem crítico e a censura logo proibiu" (foto: Arquivo Pessoal)


A falta de informações preocupa a classe artística. “Não se pode passar um teatro público para o setor privado sem que este se comprometa a destinar 80% ou 90% das produções a serem encenadas no Clara Nunes para grupos locais”, diz Pedro Paulo Cava. Ele lembra que o teatro, o terceiro a ser criado em Belo Horizonte – primeiro foi o Francisco Nunes, no Parque Municipal, e o segundo o Marília, na região hospitalar –, foi fruto da teimosia de Isaías Horta, funcionário da Imprensa Oficial, que, enquanto esteve à frente da administração, lutou para que não fosse fechado, contando com o apoio da classe artística, que lá mantinha viva a chama criativa dos autores mineiros. “O Sesc não pode começar a alugar o teatro para produções nacionais, senão a gente vai lá para a porta protestar”, diz Cava.

Além da boa notícia da volta do Clara Nunes, a Prefeitura de Belo Horizonte adiantou, por meio da Fundação Municipal de Cultura, que vai reformar o Teatro Marília, criado em 1964 pela Cruz Vermelha e com capacidade para 200 espectadores, que deverá ser entregue à população ainda este ano.

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