O professor Pardal de BH

Aos 72 anos e conhecido em todo o país, o empresário Bernardo Riedel compete com as grandes empresas internacionais, fabricando telescópios artesanais

por Carolina Cotta 12/04/2013 14:30

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Paulo Márcio
(foto: Paulo Márcio)
Riedel é um homem culto como seus antepassados. Conhece bem a história de suas origens. Mantém algumas tradições. Judeu liberal, já não frequenta a sinagoga como antes. Elza, a esposa mineira de Itambacuri, cidade próxima a Teófilo Otoni, é quem lê em hebraico na casa. Os dois estão casados há 38 anos e têm um casal de filhos.

Nenhum seguiu os passos do pai, que não terá herdeiros para a B.Riedel Ciência e Técnica, a empresa que leva seu nome e à qual dedicou grande parte da vida. A fábrica nasceu em 1978, quando já se previa a passagem do cometa Halley, em 1986. “Eu gostava muito da atividade industrial. Naquela época, fazia telescópios para presentear. Foi quando pensei em fazer algo diferente. Queria produzir em série. Sempre tive o público leigo como foco. Sou professor, queria que crianças, jovens, as escolas pudessem gostar das estrelas como eu”, lembra o empresário, que investiu mais de R$ 1 milhão em todos esses anos de atividade. Hoje emprega três funcionários, mas já chegou a ter 12.

Há pouca perspectiva para negócios como o de Riedel, que fazem telescópios de forma artesanal. Difícil competir com a produção em larga escala da China. O que o mantém na ativa é a procura do público. Um telescópio da B.Riedel Ciência e Técnica custa a partir de R$ 900. O instrumento carrega uma marca e tanto: Riedel é referência nacional em instrumentação óptica. Não é por acaso que é convidado a restaurar cúpulas e equipamentos dos principais observatórios do país. Também não foi por acaso que foi convocado para implantar o observatório voltado à visitação do Laboratório Nacional de Astrofísica, no Sul de Minas. É lá que está o maior telescópio do Brasil, exclusivo para observação por pesquisadores.

Tamanho conhecimento foi conquistado com muita paixão. Ainda na infância, quando resolveu fazer seu primeiro telescópio, Riedel corria para a biblioteca da Escola de Engenharia para entender o que precisava. Melhorou várias vezes seu primeiro aparelho e, de tanto fazer, dominou a técnica. Tanto que, quando o Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (Ceamig) conseguiu a implantação do observatório da serra da Piedade, a UFMG fez uma manobra para transferir o professor da Faculdade de Farmácia para o Instituto de Ciência Exatas. Riedel não só acompanhou a instalação de todos os equipamentos, como foi quem deles cuidou nas primeiras duas décadas do observatório.

“Dediquei a vida à instrumentação. É muito trabalhoso, não é fácil. Só me arrependo de não ter publicado mais”, conta o professor, que lamenta as dificuldades enfrentadas pela pequena indústria. Com centena de inventos, todos voltados para a produção de telescópios e outros aparelhos como lunetas, cúpulas e microscópios, Riedel se orgulha da forma como se apropriou de objetos e deles conseguiu melhor aproveitamento para produzir seus telescópios. Caso da câmara a vácuo que achou em um ferro-velho e levou cinco anos para consertar. A recompensa vem do olhar das crianças que se fascinam, como ele se fascinou ao ver uma estrela. É o sonho que brilha, lá longe.

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