Blefe na rede

Hobby tanto de jovens aprendizes quanto de jogadores experientes, o pôquer on-line está em alta em todo o mundo. Quem pratica diz que a maior vantagem da modalidade é o fato de se poder jogar a qualquer hora

por Marina Dias 12/04/2013 15:07

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Pedro Nicoli
O aeroviário Eduardo d%u2019Assunção é um entusiasta do jogo virtual: "Na internet, há quem jogue mais de 12 torneios ao mesmo tempo usando dois monitores" (foto: Pedro Nicoli)

Raros são os momentos de folga para um empresário. Não há fim de semana, noite ou horário de almoço que resista a reuniões e relatórios urgentes. Quando um tempo livre aparece, cada um tem seu modo de descansar. Para Marco Antônio Vecchia, de 27 anos, dono de uma academia de tênis, uma das maneiras favoritas de fugir do cotidiano é jogando pôquer on-line. Veterano dessa modalidade – ele joga na internet há quase 10 anos –, já teve mais tempo para esse hobby, mas ainda guarda cartas na manga para não perder as oportunidades. “Quando era adolescente, praticava ao vivo, brincando com meus primos. Por volta dos 18 anos, pensei que já devia ter alguma opção na internet. Achei um site, gostei e comecei a divulgar para meus amigos, com quem combinava de entrar nas mesmas mesas”, conta. Segundo Marco, no início havia poucas opções de plataformas para jogo e de sites de discussão. “De uns seis anos para cá, muitos surgiram. Vejo que o número de usuários cresce anualmente e há cada vez mais opções de artigos e textos a respeito do jogo na rede”, diz.

De fato, foi na última década que o pôquer – e sua modalidade on-line, consequentemente – começou a fazer sucesso expressivo fora dos Estados Unidos. De acordo com o presidente da Federação Mineira de Poker, Ricardo Bauer, a difusão internacional do jogo se deu a partir de 2003, quando aconteceu o “fenômeno Moneymaker”: foi o ano em que o corretor norte-americano Chris Moneymaker, amador no esporte naquela época, venceu o World Series of Poker, tendo entrado no campeonato com as despesas pagas por um site de pôquer on-line. Outro fator importante na divulgação do jogo, nesse mesmo período, foi a transmissão de campeonatos pela TV, em um formato que facilitava o acompanhamento da partida pelo espectador (pequenas câmeras dispostas na mesa, nos lugares de cada jogador, possibilitavam ao público ver as cartas de todos eles). “Após esses dois acontecimentos, o pôquer, que era mais difundido nos Estados Unidos, tornou-se febre mundial”, diz Ricardo.

Samuel Gê
O empresário Marco Antônio Vecchia joga pôquer on-line há quase uma década: "Percebi crescimento, a cada ano, do número de pessoas que jogam, das opções de torneios e também de artigos sobre o tema" (foto: Samuel Gê)


A versão para o ciberespaço tem se tornado uma moda à parte, sendo o Texas Hold’em a modalidade mais popular. O número de sites que oferecem mesas é enorme, e a quantidade de acessos, significativa. A busca pelas palavras “on-line poker” no Google, por exemplo, gera 102 milhões de resultados e, segundo levantamento do Ibope Media, 437 mil usuários do Brasil acessaram sites de pôquer em fevereiro de 2013 (são quase sete Mineirões lotados). E a tendência é de que esse número só cresça, segundo Ricardo. “O on-line proporciona a facilidade de não se ter de sair de casa. A Lei Seca, inclusive, está contribuindo nesse sentido”, afirma.

O crescimento do jogo na rede foi perceptível também para o empresário Thiago Pessoa, dono de um site de aprendizado (que oferece dicas, artigos e novidades para iniciantes). Em 2009, quando criou o endereço, eram cerca de 2 mil visitas mensais. Hoje são mais de 300 mil, segundo Thiago, para quem o sucesso do pôquer on-line se explica, ainda, pela maior aceitação da prática nos últimos anos – ela é reconhecida desde o ano passado como esporte mental pelo Ministério dos Esportes. “A mídia transmite campeonatos, o pôquer foi reconhecido. Isso está tirando a visão de que é um jogo de azar”, afirma.

Adriano Bastos
A estudante Maria Vaz escolheu o pôquer on-line para aprender as regras: "Meus amigos já jogavam e eu sempre tive curiosidade. Entrei na internet para descobrir e, depois, poder jogar com eles" (foto: Adriano Bastos)


Um dos principais atrativos da versão na internet é a praticidade, já que uma partida presencial requer coordenar horários de cerca de 10 pessoas, o que, no mundo de hoje, não tem sido tarefa simples. Assim, mesmo os amantes do pôquer em sua forma original – na boa e velha mesa com feltro verde – se renderam ao mundo virtual, onde é possível jogar a qualquer hora, pelo tempo desejado, por qualquer quantia. Há, inclusive, os chamados torneios turbo, em que o tempo de ação dos jogadores é menor e os blinds (apostas forçadas) aumentam em ritmo mais acelerado, fazendo com que as partidas corram mais rápido. Ideal para os apressadinhos.

Em busca justamente de uma forma prática de exercitar a técnica, o servidor público Daniel Elias, de 31 anos, começou a incursão pelo pôquer on-line em fevereiro deste ano. “Todos os amigos que jogam presencialmente comigo também jogam na rede. Um deles sugeriu que eu começasse e me cadastrei em um site. Para mim, as principais vantagens são a facilidade e a possibilidade de treino com dinheiro virtual”, afirma. Apesar de jogar na internet, Daniel não troca totalmente o real pelo ciberespaço, onde não é possível identificar os tells (reações físicas dos adversários, que, no cara a cara, ajudam nas decisões dos jogadores). “Ainda acho que a emoção reside em jogar presencialmente”, diz.



A modalidade na rede atrai, ainda, quem quer começar a jogar. O on-line foi a forma que a estudante de letras Maria Vaz, de 22 anos, usou para aprender a dinâmica do pôquer. “Meus amigos já sabiam e já jogavam, e eu sempre tive curiosidade. Entrei na internet para descobrir, para aprender as regras e poder, depois, jogar com eles”, conta ela, que praticava nos fins de semana e nos momentos em que estava à toa em casa. “A versão na rede é uma boa opção para aprendizado, para quando não se tem tempo e quando a pessoa está com insônia”, afirma, em tom de brincadeira.

O aeroviário Eduardo d’Assumpção, de 29 anos, vê outra vantagem, fora a facilidade, nas versões do jogo para a internet. Ao contrário do ao vivo, no mundo virtual é possível jogar vários torneios ao mesmo tempo, um dinamismo quase desconhecido dos jogos presenciais. “São duas propostas diferentes. No torneio ao vivo, a pessoa se concentra mais. Na internet, há quem jogue mais de 12 torneios ao mesmo tempo, usando até dois monitores em vez de um”, conta ele, que costuma jogar no máximo seis paralelamente. “Mais que seis, não consigo”, brinca.

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