Pode usar. Mas sem exageros

Na busca pelo corpo perfeito, os suplementos alimentares se tornaram febre também entre mulheres. Mas especialistas alertam que o uso em excesso e sem acompanhamento profissional é um risco para a saúde

por Blima Bracher 12/04/2013 15:50

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Júnia Garrido
A fisioterapeuta Paola Fernandes emagreceu 23 quilos em 9 meses: "Perdi peso sem perder massa magra" (foto: Júnia Garrido)

Imagens de mulheres lindas, com corpos esculturais, bombardeiam nossos olhares 24 horas por dia, seja em revistas, TV ou pela internet. Muitas vezes aquela celebridade aparece com algumas gorduras extras numa semana e na outra está magra e malhada como uma atleta. “Como elas conseguem?”, pergunta grande parte das mulheres que, mesmo fechando a boca e seguindo uma rotina de exercícios físicos, não alcança resultados tão bons, nem com muito tempo de treino. É aí que entram os suplementos alimentares. Vendidos em farmácias e lojas especializadas, esses produtos prometem resultados mais rápidos, já que aceleram o metabolismo e favorecem o ganho de massa muscular.  Não se trata de anabolizantes, que são em sua maioria hormônios masculinos. Há uma grande diferença:  “Existem drogas anabolizantes, as chamadas bombas, e há os suplementos e estimulantes aprovados e regulamentados pelo governo. No entanto, existem também suplementos que não têm aprovação e que, muitas vezes, contêm produtos com potencial risco à saúde, inclusive anabolizantes”, explica o médico Paulo Miranda, presidente da regional de Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

Os suplementos regularizados acabaram se tornando a febre do momento. Basta olhar o grande número de lojas especializadas espalhadas pela cidade: “Notamos aumento de até 40% nas vendas, principalmente nos dois últimos anos. Hoje as pessoas têm mais informações sobre suplementação e seus benefícios, e não há mais comparações com os anabolizantes”, diz Giselle Romero Bastos, proprietária da Maromba Evolution, loja de suplementos. A própria Giselle, de 30 anos, é adepta do uso de suplementos. Para obter bons resultados, ela mantém também uma rotina de exercícios e dieta, tudo orientado por especialistas. “Faço atividades físicas cinco vezes por semana, mesclando musculação e exercícios aeróbicos. Antes era sedentária e não dava credibilidade à suplementação”, conta.

Júnia Garrido
Giselle Bastos associa suplementos, atividades físicas e dieta: "Antes era sedentária e não dava credibilidade à suplementação" (foto: Júnia Garrido)


Um ano e oito meses depois de ser mãe, ela exibe um corpo escultural e aposta na hipertrofia: “Engravidei em 2010 e durante a gestação praticava pilates e dei continuidade na suplementação com Whey Protein, colágeno e glutamina, até mesmo por indicação da minha ginecologista. Depois da amamentação voltei com o propósito de pegar mais pesado, pois gosto e admiro muito os praticantes de bodybuilding”, diz Giselle.

Mas o endocrinologista Adauto Versiani, doutor em medicina molecular pela UFMG,  coordenador do Serviço de Endocrinologia do Hospital Felício Rocho e membro da diretoria da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia regional Minas Gerais, alerta que o uso de suplementos não é milagroso. Muita gente acha que basta tomar, sem acompanhamento especializado, para os resultados aparecerem. Só que o excesso pode trazer problemas graves e irreversíveis. “O uso prolongado pode causar acúmulo dessas substâncias no organismo, podendo chegar a níveis tóxicos, causando problemas hepáticos, renais, gastrointestinais, náuseas, vômitos”, diz o médico. Em casos extremos, causa disfunções cardiovasculares como hipertensão, tonteira, arritmias e até morte. O risco aumenta com os extremos das faixas etárias, ou seja, uso por adolescentes e pessoas com idade avançada. Outro alerta do doutor Versiani é quanto aos resultados. “Algumas substâncias não induzem ao ganho de massa magra, e sim provocam edema. A suspensão faz com que o corpo perca o aspecto vistoso e passe a ter um aspecto enrugado”, diz o endocrinologista.

Júnia Garrido
Sabrina Oliveira não acredita em resultados sem dedicação aos treinos: "Há pessoas que acham que os suplementos, sozinhos, fazem milagres" (foto: Júnia Garrido)


Por isso, o primeiro passo para quem quer fazer uso de suplementos é procurar orientação especializada. Foi o que fez Paola Mendonça Fernandes, fisioterapeuta dermatofuncional, de 24 anos. Depois de uma gestação aos 21 anos, ela engordou 27 quilos. “Dois anos depois iniciei atividade física, com acompanhamento de nutricionista, que me orientou sobre o uso dos suplementos. Perdi 23 quilos em 9 meses. Diminuí meu percentual de gordura de 34% para 20%. Os suplementos me ajudaram a perder peso sem perder massa magra”, conta ela. Além de musculação cinco vezes por semana, Paola usa de Whey Protein, BCAA, colágeno, chá verde, óleo de cártamo, maltodextrina e polivitamínico.

A empresária Sabrina Oliveira, de 25 anos, aposta no trio dieta, exercícios e suplementação. “Antes de começar a me dedicar seriamente aos cuidados com o meu corpo, eu era muito magra e tinha gordura localizada”, diz  ela, que há um ano e meio faz musculação, corrida e outros treinos, além de dieta e suplementação à base de proteína, BCAA, colágeno, glutamina e polivitamínico. “O que vejo na academia é que existem pessoas que só acreditam na suplementação, e isso na minha visão é errado. Às vezes sair comprando de tudo não irá resultar em ganhos se a pessoa não tiver dedicação diária aos treinos e não mantiver uma dieta em que é preciso abrir mão de comer coisas gostosas”, diz Sabrina.

Creatina

Tipo de proteína encontrada em alguns alimentos de origem animal. Dá mais força e energia, melhorando o rendimento do treino.
Possíveis danos por excesso:
Causa retenção hídrica. Ou seja, retenção de líquidos nas células, causando inchaço, o que dá a falsa impressão de hipertrofia
dos músculos a curto prazo. Em caso de superdosagens e uso por períodos prolongados,  pode haver sobrecarga renal.  Como efeitos colaterais podem aparecer o aumento de peso, nefrite intersticial aguda, progressão para insuficiência renal crônica.

Glutamina

Tipo de aminoácido existente na musculatura. Sua utilização no pós-treino auxilia na diminuição
do estresse muscular, preparando o corpo para o próximo treino. Favorece o sistema imunológico.
Possíveis danos por excesso:
Pode ocasionar edema, tonteira, dor de cabeça, náusea, pancreatite, insuficiência hepática e renal.

Precursores do hGH

Combinam aminoácidos que estimulam a produção do hormônio GH, responsável pelo rescimento da  musculatura e perda de gordura.
Possíveis danos por excesso:
O uso inadequado e sem acompanhamento médico pode induzir ou precipitar o aparecimento de câncer, arritmias cardíacas, edema articular, cefaleia, diabetes, elevação da glicose e acromegalia, doença que induz o crescimento das extremidades como dedos, nariz e orelhas, além de aumentar a mortalidade.

Óxido nítrico

Indicado para acelerar o ganho de massa muscular. A susbstância aumenta a velocidade de contração da fibra muscular durante o treino e, assim, gera maior potencial de força. Também ajuda na recuperação da fadiga muscular, comum no pós-treino.
Possíveis danos por excesso:
Em muitos casos, os suplementos que dizem ser óxido nítrico contêm outras substâncias que são, na verdade, formadoras do óxido nítrico no seu corpo. Pode causar hipotensão arterial em 13% dos casos, celulite em 5%, hiperglicemia em 8%, sangue na urina em 8% e dor de cabeça.

Hiperproteicos

Derivados de proteínas do leite, soja, ovo ou até carne. Reparam a musculatura e auxiliam o seu desenvolvimento. Podem favorecer praticantes de atividade física com intensidade em diversos níveis. Um dos mais conhecidos é o Whey Protein.
Possíveis danos por excesso:
Pode ser indicado tanto para casos e ganho muscular quanto para tratamento de obesidade. Em pessoas saudáveis, o uso, quando indicado por um profissional, não oferece riscos à saúde. Doses muito altas por períodos prolongados podem sobrecarregar as funções renal e hepática.

Aminoácidos

A matéria-prima é a proteína e, por isso, é importante na manutenção da massa magra. O aminoácido atua na reparação da musculatura e em seu consequente desenvolvimento. É recomendado para atletas que treinam intensamente e necessitam de reposição rápida de proteínas.
Possíveis danos por excesso:
A superdosagem contínua pode gerar sobrecarga renal e hepática, assim como alergias e problemas de pele. Deve ser utilizado com cautela por pessoas com problemas intestinais, hepáticos e renais. O excesso pode acarretar edema, esteatose hepática, nefropatia, excesso de ácido úrico, crise de gota, elevação da ureia e aumento do colesterol.

Termogênicos

Muito procurados pelas mulheres, prometem acelerar o metabolismo. Não há evidências científicas que comprovem seus efeitos. A maioria desses suplementos, que contêm cafeína, podem ajudar
na mobilização da gordura e favorecer o rendimento físico.
Possíveis danos por excesso:
São os que oferecem maiores riscos à saúde. Por conter substâncias que estimulam os batimentos cardíacos, afetam a pressão arterial, podendo causar episódios de taquicardia, aumento descontrolado de pressão, derrame (AVC) e infarto.

Óleo de cártamo


Diminui os níveis de gordura corporal e o ganho de massa magra. Pesquisas com cobaias apontaram alterações positivas na composição corporal, porém os estudos ainda são inconclusivos.
Possíveis danos por excesso:
Ácido linoleico, assim como os demais óleos (côco, cártamo), só traz prejuízos quando administrado em dosagens excessivas. Ele pode piorar o perfil de triglicérides e colesterol do sangue.

BCAA

Mix dos principais aminoácidos requeridos pela musculatura durante a atividade física. É indicado para quem treina pesado e precisa estar inteiro no dia seguinte, pois ajuda na recuperação da musculatura. Também aumenta a capacidade de ganho de massa muscular. Evita a perda de massa magra.
Possíveis danos por excesso:
Pode gerar sobrecarga renal e hepática e problemas intestinais.

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