A vez do Pernalonga

Fofinhos e carinhosos, os coelhos começam a se tornar um boa opção para quem quer ter um animal de estimação. Além de ocupar pouco espaço, eles são silenciosos e interagem bem com as pessoas

por Daniela Costa 12/04/2013 16:05

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Adriano Bastos
A modelo Andreza de Freitas Gato encontrou um novo parceiro: "O Nino, meu coelho da raça Mini Lop, é muito carinhoso e anda atrás de mim o dia todo" (foto: Adriano Bastos)
Cães e gatos que nos perdoem, mas há um personagem novo no mundo dos pets. E ele já está conquistando o coração e o afeto dos amantes de bichos: o coelho. Fofo, carinhoso e já imortalizado nas telas de cinema em personagens como Tambor, de Walt Disney, ou Pernalonga, da Warner Bros, o orelhudo está deixando as páginas de gastronomia das revistas especializadas (existem várias receitas com a carne do animal) para entrar, em alta, na seção de bichinhos de estimação. Os coelhos estão se tornando estrelas em um universo cada vez mais concorrido – e, aparentemente, vieram para ficar. Ok, Pernalonga, você venceu.

Com orelhas e patas compridas e dentes que nunca param de crescer – os quatro incisivos frontais, dois de baixo e dois de cima, têm crescimento contínuo, o que é equilibrado pelo desgaste que ocorre na mastigação –, os peludos chegaram sem muito alarde, mas estão à vontade no novo status. Suas peraltices e hábito de roer vegetais como a cenoura tornaram os coelhos cada vez mais populares. “Crio coelhos há oito anos e a procura tem crescido gradativamente. As pessoas estão descobrindo que eles são uma ótima opção como animais de estimação. O preço varia de acordo com a raça. As exóticas, como o dwarf hotot e o teddy dwerg, vão de R$ 300 a R$ 500”, diz a cunicultora Lisly Gomide, da Mini Pets. Atualmente, são 66 raças reconhecidas, com mais de 150 variedades de cor e pelagem.  Entre elas, cerca de 15 espécies apresentam porte físico menor e são ideais para animais domésticos. O mini lion head – raça mais popular – pesa cerca de um quilo e tem a aparência de um leãozinho. Outra raça de destaque é o american fuzzy lop, que, ao contrário das demais espécies, tem as orelhas caídas.

Pedro Nicoli
Segundo a cunicultora Lisly Gomide, os coelhos estão sendo descobertos como bichos de estimação e tem para todos os gostos: "O preço varia de acordo com a raça" (foto: Pedro Nicoli)


Além da fofura que arrebata corações, os coelhos surpreendem pela capacidade de interação com o ser humano, podendo ser muito receptivos. A estudante Paula Cordeiro, de 24 anos, encantou-se pelo lion head. “Pesquisei a raça e acertei em cheio. O Dave é muito dócil e se dá super bem com minha cachorrinha”. Quem tem garante que eles não são tão carentes quanto os cães, nem tão independentes quanto os gatos. “Entre as vantagens de se ter um coelho está o fato de ocuparem pouco espaço e serem silenciosos. No entanto, para terem uma boa qualidade de vida e chegarem a uma média de 10 anos, precisam de gaiolas com tamanho adequado, ração balanceada e água à vontade”, explica a cunicultora Nayara Mendes, da Casa dos Coelhos.



Em geral, um coelho faz aproximadamente 80 refeições diárias em quantidades mínimas e de forma constante. Os comedouros devem ser de chapas galvanizadas para não serem roídos. “Qualquer alimento com excesso de carboidrato é um veneno para os coelhos. O máximo que se pode fazer é encontrar fenos de boa qualidade em lojas especializadas para uma suplementação”, explica o professor Walter Motta Ferreira, do Departamento de Zootecnia da UFMG. Folhagens de hortaliças e capim devem sempre ser servidos pré-murchados, nunca frescos, inclusive a tradicional cenoura, que pode ser dada apenas como petisco.

Para garantir a higiene do animal, é indicado colocar uma caixinha de areia que abrigue os dejetos embaixo da gaiola. A utilização de alguns azulejos na parte interna do abrigo possibilita que o coelho descanse sobre eles, sem roê-los. Os banhos não são necessários, mas a escovação do pêlo é indicada, assim como manter os animais em locais arejados para evitar a proliferação de sarnas e micoses, comuns na espécie – lembrando que é fundamental afastá-los de correntes de ar e permitir que tomem banhos de sol moderados, já que a incidência de doenças pulmonares é alta. Segundo Marcela Carvalho Ortiz, veterinária especialista em animais silvestres e exóticos, em geral as doenças mais comuns são relacionadas à alimentação inadequada. Outras patologias recorrentes são de origem dermatológica, má formação dentária e doenças infecciosas. “Por isso, é fundamental realizar consultas preventivas, fazendo um check-up periódico no animal para garantir a sua saúde”, destaca. Outra medida necessária é a castração após os quatro meses de idade. A partir daí, as fêmeas podem ter até sete gestações por ano, com seis a oito filhotes em cada parto.  A vacinação fundamental para as espécies canina e felina não é ministrada aos coelhos, que necessitam apenas da vermifugação. Neste ponto, os orelhudos também levam vantagem sobre cães e gatos.

Adriano Bastos
Acostumada ao temperamento difícil do Bologna, da raça hermelin, a estudante Ingrid Faria brinca: "Ele faz barulho à noite para chamar a atenção e até rouba minha comida, mas eu o adoro" (foto: Adriano Bastos)


No mais, é só alegria e, é claro, muita bagunça. Os coelhos adoram brincar com latas de refrigerante vazias e varetas, dar pulinhos pela casa e lamber seus donos. Ou seja, são ótimos companheiros para uma boa farra. “O Nino, meu coelho da raça mini lop, é muito carinhoso e anda atrás de mim o dia todo”, conta a modelo Andreza de Freitas Gato, de 21 anos. Mas atenção: coelho solto sem supervisão é sinônimo de confusão, já que, mesmo não sendo da família dos roedores, eles comem tudo que veem pela frente, adoram cavar buracos e marcar território.

Irritá-los também não é uma boa ideia. Para se defender, utilizam os dentes e golpeiam com as patas traseiras, o que pode gerar ferimentos graves, especialmente em crianças em  tenra idade. E o título de come e dorme que eles têm é merecido. De hábitos noturnos, durante o dia os coelhos se alimentam e descansam, o que significa que à noite estão a todo vapor.

Samuel Gê
A estudante Paula Cordeiro se encantou pelo coelho lion head: "Pesquisei a raça e acertei em cheio. O Dave é muito dócil e se dá super bem com minha cachorrinha" (foto: Samuel Gê)


A estudante Ingrid Faria, de 22 anos, já se acostumou com o temperamento do Bologna, seu coelho da raça hermelin. “Como geralmente ele está sem sono à noite, começa a fazer barulho em sua gaiola com seus brinquedos para chamar minha atenção. E se eu não lhe der atenção, ele literalmente vira a cara, não aceita alimento e muito menos carinho. Além disso, não perde a chance de roubar minha comida. É uma peça rara mesmo, mas eu o adoro”, brinca. Não será surpresa se, numa noite qualquer, ela ouvir uma pergunta vinda da gaiola: “O que é que há, velhinho?”.

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