Ele pinta e borda

Com pincéis, agulha e linha, o artista plástico Rodrigo Mogiz cria imagens que retratam a sociedade contemporânea

por Rafael Campos - Revista do Correio 12/04/2013 17:03

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Adriano Bastos
Artista plástico Rodrigo Mogiz: "O bordado tem o lado da beleza e também do inusitado" (foto: Adriano Bastos)
Ele gosta é do caos, mas para estabelecer certa ordem. As obras literárias, o cinema, a TV e o universo da publicidade formam, para ele, um maravilhoso oceano, no qual o mergulho é essencial para buscar inspiração. O belo-horizontino Rodrigo Mogiz, de 34 anos, desponta como um dos nomes mais interessantes da nova safra mineira de artistas plásticos. Um dos diferenciais de seu trabalho é o uso do bordado, técnica secular que dialoga com desenhos e figuras para traduzir os valores da sociedade contemporânea.

Mogiz formou-se na Escola de Belas Artes da UFMG em 2003, época em que seu trabalho passou a ganhar projeção e contornos mais sólidos, em grande parte conferidos à união de linha e agulha. “O bordado tem o lado da beleza e também do inusitado”, afirma. Sobre a entretela, um tecido transparente, ele tem o cuidado de desenhar a lápis a figura escolhida para depois aplicar o bordado, somado ao uso de miçangas e pedrarias. A tinta, é claro, não é deixada de lado. Ela entra em cena para delimitar e pontuar algo no trabalho, como o corpo das pessoas, as roupas e os objetos.

O uso da entretela, por ser transparente, possibilita o trabalho de desenhos sobrepostos em até três camadas. Assim, o desenho que fica em primeiro plano pode “conversar” com a figura que está sob ele. “As camadas que estão por baixo geralmente podem tratar de assuntos mais profundos e, às vezes dolorosos, que vão além da beleza estética que está em primeiro plano”, diz. O artista usa e abusa também das apropriações de imagens, muitas vezes recortadas de revistas de moda. “Discuto a afetividade, a sexualidade e às vezes esse culto à beleza, que existem nos dias atuais”, afirma. Segundo Mogiz, em seu trabalho há uma crítica embasada e camuflada aos valores cultuados na sociedade contemporânea, apesar de “estar embalada de uma maneira bonita”.


 
Tudo que é história atrai o artista plástico, que revela uma de suas maiores tristezas: “Gostaria de trabalhar com a escrita, mas, como não consigo, tento fazer por meio das artes visuais”, diz, citando suas principais influências da literatura, como João Guimarães Rosa, Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector e Hilda Hilst. “Eles escreveram do jeito que gostaria de escrever.”

É possível perceber que as linhas em seu trabalho simbolizam as tramas, que acabam ligando personagens, figuras e símbolos diversos. Portanto, seu trabalho não se esgota em uma entretela, quadro ou em outras plataformas. Vai além. E continua ganhando vida e se reinventando a todo momento, com a ajuda do olhar do apreciador. “Todas as referências de narrativas me influenciam de certa forma”, explica.

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