Estamos prontos?

A um mês da Copa das Confederações, Encontro fez um raio-X do que já foi feito e o que ainda falta fazer em BH para a cidade fazer bonito na competição e no Mundial

por João Pombo Barile 07/05/2013 14:27

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Cláudio Cunha
Vista aérea de Belo Horizonte: capital mineira tem várias obras de infraestrutura em andamento e um estádio pronto, mas mobilidade urbana ainda gera preocupação (foto: Cláudio Cunha)
Está chegando a hora. A Copa das Confederações começa no próximo mês. Considerada pela Fifa o evento-teste para a Copa do Mundo de 2014, a grande festa esportiva, que será realizada entre os dias 15 e 30 de junho em Belo Horizonte e em mais cinco cidades (Brasília, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Fortaleza), vai agitar a capital mineira. Com um interesse sem precedentes desde que foi criada pela Fifa em 1992, até agora já foram vendidos mais de 550 mil ingressos para o torneio em todo o Brasil. Tanta expectativa leva a duas perguntas inevitáveis: afinal de contas, estamos prontos para o evento-teste da Fifa? E, pelo andar da carruagem, estaremos prontos para a Copa do Mundo no ano que vem?



Se comparada com outras capitais brasileiras, Belo Horizonte até tem o que comemorar. Pelo menos quando o assunto é estádio. Segunda arena a ficar pronta para a Copa do Mundo 2014, o Mineirão já vem sendo testado desde fevereiro e recebeu um jogo da própria Seleção Brasileira no mês passado. E, se é verdade que a primeira partida no estádio – o clássico Cruzeiro e Atlético, na abertura do Campeonato Mineiro – foi recheada de problemas, como falta de estacionamento, bares fechados e falta de água, a multa aplicada pelo governo de Minas, de R$ 1 milhão, parece ter surtido efeito junto ao consórcio que administra o local. Aos poucos, o Mineirão começa a entrar nos eixos – e as finais do campeonato estadual servirão como novo teste.

“Com todos os ajustes, normais nos primeiros meses de funcionamento de qualquer estádio, o Mineirão vai se ajeitando”, diz o secretário de Estado Extraordinário da Copa do Mundo, o administrador Tiago Lacerda. “Aconteceram realmente alguns problemas graves naquele primeiro jogo. E, por isso, aplicamos a multa. Depois disso, já tivemos vários espetáculos de música e jogos. E está nítido que as coisas estão melhorando”, afirma.

Rodrigo Clemente/DA Press
Clássico entre Atlético e Cruzeiro, na reinauguração do Mineirão: apesar dos problemas registrados na estreia, autoridades garantem correção de falhas (foto: Rodrigo Clemente/DA Press)


Mas, se o Mineirão é motivo de orgulho para a cidade, o mesmo não pode ser dito em relação a outras áreas. Segundo especialistas ouvidos por Encontro, itens importantes como mobilidade urbana, saúde, segurança, comunicação e aeroportos ainda estão longe, bem longe, do que se poderia chamar de ideal. Emperrados por uma máquina estatal burocrática, cara e irracional, muitos dos projetos que já deveriam estar prontos estão atrasados (ver box)

O mais importante nó que precisa ser desatado até a Copa chama-se mobilidade urbana. Todo morador de BH sabe bem que o transporte se transformou num verdadeiro pesadelo na última década. Em 12 anos, o número de veículos saltou de 655 mil (em 2000) para 2,28 milhões (em 2012) – uma alta de mais de 300%. Mesmo tendo sido a primeira cidade-sede da Copa 2014 a assinar contratos de financiamentos do Programa de Aceleração do Crescimento, o chamado PAC da Mobilidade com o governo federal, a maioria das obras previstas para esse setor ainda não terminou. Apesar de o governo federal ter anunciado no mês passado, numa cerimônia na capital que contou com a presidente Dilma Rousseff, investimentos de R$ 5 bilhões para aumentar a mobilidade urbana na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o mineiro acompanha a discussão desconfiado: a promessa não é nova. No caso do metrô, por exemplo, as obras nem mesmo começaram.

Cláudio Cunha
O professor Ronaldo Guimarães Gouvêa, da UFMG: "Sabemos que as obras estão atrasadas e não adianta ficar tapando o sol com a peneira" (foto: Cláudio Cunha)


“Todo especialista da área sabe que o cronograma das obras está bastante atrasado e não adianta muito o governo ficar tapando o sol com a peneira”, afirma Ronaldo Guimarães Gouvêa, professor do Departamento de Engenharia de Trânsito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Uma dos mais respeitadas autoridades no estado quando o assunto é trânsito, Gouvêa chama a atenção para o fato de que, durante a Copa das Confederações, a cidade estará totalmente em obras. “Exatamente durante o torneio as duas avenidas de acesso à região do Mineirão, Antônio Carlos e Cristiano Machado, estarão com parte do seu fluxo impedido. É muita falta de planejamento”, diz.

O mesmo ceticismo – e preocupação – é compartilhado pelo professor do Departamento de Arquitetura da PUC Minas, Manoel Teixeira Azevedo. E que chama a atenção ainda para o grande atraso do mais aguardado projeto de mobilidade urbana: o BRT (ônibus rápido). “Todos os prazos estão estourados. O quadro é mesmo preocupante”, afirma. Além disso, o professor alerta para outro problema do BRT: sua eficácia. Ele assinala que, se o BRT vai ajudar a melhorar um trânsito caótico, ele não é, nem de longe, a solução definitiva para a cidade. “Se o BRT começasse a operar agora, já seria insuficiente para a nossa demanda de transporte. O projeto já nasceu superado”, afirma.

Eugênio Gurgel
Obras do BRT: atrasos, fechamento de vias na Copa das Confederações e eficácia do sistema estão no alvo de especialistas (foto: Eugênio Gurgel)


O secretário municipal Extraordinário para a Copa do Mundo, Camilo Fraga, relativiza os problemas. Para ele, o mais importante é que, até o Mundial, tudo estará pronto. E ressalta ainda o fato de Belo Horizonte ser a primeira cidade brasileira a ter uma obra do PAC de mobilidade da Copa do Mundo pronta: o Boulevard Arrudas/Tereza Cristina, que deve ficar pronto este mês. “Além disso, todas as obras do BRT estarão funcionando em fevereiro de 2014. Um prazo mais do que suficiente para a Copa do Mundo”, garante. No mais, é torcer. Pelo Brasil e, principalmente, para que as obras fiquem prontas a tempo.

Improvisação no preparo da mão de obra

Pesquisa inédita encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgada no final de abril revelou um número preocupante: 64% dos comerciantes da capital mineira não vêm se preparando para receber a Copa das Confederações, cuja abertura está marcada para junho. Entre os empresários que estão se preparando, 62% responderam que começaram os preparativos há menos de seis meses.

O estudo, realizado junto a varejistas e prestadores de serviços das capitais que receberão a Copa das Confederações, revelou ainda que, entre os motivos mais citados pelos empresários que não vêm se preparando para o evento, estão a falta de retorno para o negócio (25%), falta de mão de obra qualificada (23%), ausência de capital para investimento (11%) e carência de apoio governamental (6%). Entre os varejistas que vão investir, a maioria (82%) teve de usar dinheiro do próprio bolso e somente 18% tomaram empréstimos em bancos.

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