Política e Economia

"A revitalização do São Francisco em suas nascentes, contrapartida pactuada quando do projeto de transposição, não está sendo honrada"

por Aristóteles Drummond 06/06/2013 15:43

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A economia mineira vive um momento de crise nas atividades tradicionais – mineração e metalurgia. No entanto, por outro lado, está com uma agricultura diversificada e de qualidade, projetos grandiosos em andamento, uma malha rodoviária que atende à produção em todo o estado, menos o grave problema do Anel Rodoviário da capital. O comércio apresenta vigor e sofisticação.


Os aeroportos vão cumprindo a missão, mas as ferrovias estão insuficientes em todos os sentidos, gerando mal-estar em relação ao futuro de uma produção que depende do transporte de custo mais racional. Minas é vítima das falhas federais – nos transportes, nos portos e nos impostos. Pode produzir e não ter como escoar. A revitalização do São Francisco em suas nascentes, contrapartida pactuada quando do projeto de transposição, não está sendo honrada. Aumentar a navegabilidade poderia abrir perspectivas de uso de escoamento pela Bahia ou Pernambuco de alguns produtos.


A imprevidência energética e as medidas que afetaram a capacidade de investimento do setor atingiram Minas em especial, por ser atendida pela empresa que foi a mais lucrativa e a que mais investiu no país. Hoje, apoiar algumas atividades que agregam valor aos recursos minerais ficou mais difícil. Animam as possibilidades do gás, em fase de avaliação de reservas.


Não seria correto avaliar esse quadro preocupante sem tocar nas motivações de ordem política que são evidentes. Uma verdadeira operação de marketing eleitoral vem se desenvolvendo no sentido de valorizar políticos da oposição estadual. Por mais que estes estejam enfraquecidos, pela falta de discurso e até mesmo por envolvimento em casos nebulosos e não esclarecidos. A frequência com que se faz notar intenções políticas federais no estado é indisfarçável. E a contrapartida parece estar em avanços ainda maiores dos índices de apoio ao senador Aécio Neves, a começar pelo PMDB local – origem, aliás, do ex-governador.


A candidatura de Aécio Neves tende a se consolidar em nível nacional. Precisa ajustar um pouco seu discurso ao pensamento da famosa “maioria silenciosa”, hoje mais assustada do que nunca, fugindo da pressão dos que desejam uma campanha com uma orientação derivada do discurso petista. Seria um erro, até pelo fato de os temas estarem definidos no imaginário popular, no ‘quem é quem’ e o que defende como modelo de desenvolvimento econômico e social.


O ex-governador de Minas tem seus próprios trunfos a serem explorados. A começar pelo sucesso administrativo nos dois mandatos, nas vitórias obtidas em 2010 e 2012, pela sua postura de equilíbrio e bom senso, pela habilidade para reconstruir uma unidade nacional abalada por tantas políticas equivocadas. Minas tem estado afastada de perturbações na ordem pública e o acolhimento ao investidor privado tem garantido um fluxo superior ao da média nacional. Seu nome desperta simpatia e, sobretudo, esperança em um segmento importante da sociedade, que chegou a se encantar com o primeiro mandato do presidente Lula.


A ampla base de apoio local que construiu deve ser mantida, consolidada com a motivação da classe política e dos formadores de opinião. Precisa ampliar alianças em outros estados, especialmente no Nordeste, o que poderia ser obtido com o ressurgimento dos democratas, que já tiveram forte presença na região. O Sudeste, Centro-Oeste e Sul, independentemente das cúpulas, devem constituir decisiva força de apoio. Afinal, para ficar em um exemplo, o governador gaúcho, Tarso Genro, com suas políticas e opiniões, joga o estado para uma virada eleitoral sem precedentes, e o nome de união parece ser o da senadora Ana Amélia, do PP – simpática ao político mineiro.

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