Nas serras de Minas

Para quem quer conhecer um pouco mais a história e cultura das Gerais, uma boa opção é o roteiro situado entre a serras da Piedade e do Caraça, que abrange cinco municípios ao longo da Estrada Real

por Daniela Costa 12/06/2013 15:24

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Geraldo Goulart
(foto: Geraldo Goulart)
“Ser mineiro é dizer uai, é ser diferente, é ter marca registrada, é ter história.” Nesse poema, Carlos Drummond de Andrade já dizia sobre as riquezas da terra do minério de ferro e das mais belas montanhas do país. Às margens da Estrada Real, 199 municípios – dos quais 169 estão em Minas – encantam os caminhantes que são convidados a se embrenhar em suas matas, vivenciar sua cultura, apreciar sua arte e reverenciar sua tradição.  São mais de 1.630 quilômetros de extensão que passam por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Em cada cidade ou vila percorrida, uma oportunidade de se deslumbrar com as paisagens e conhecer a cultura e história locais. Entre causos e conversas descompromissadas com os acolhedores moradores das regiões, a história se descortina e, como que por encanto, traz à tona detalhes dos tempos áureos do nosso estado. “Muitos desconhecem o patrimônio existente em nosso quadrilátero ferrífero. Além da mineração, o maior espólio deixado por nossos antepassados são as riquezas naturais, culturais e históricas que temos”, diz Eberhard Hans Aichinger, um dos fundadores do Instituto Estrada Real (IER).

E é exatamente com a proposta de valorizar e compartilhar tantos atrativos que o programa Vivendo a Estrada Real (VER) escolheu quatro municípios situados entre aa serraa da Piedade e do Caraça para mostrar o que existe entre suas montanhas, transformando-os em um roteiro cultural integrado. A iniciativa é do Sesi/Fiemg e do IER. “Nosso objetivo é promover o desenvolvimento regional e socioeconômico desses municípios”, diz Danielle Presotti, gestora do programa. No projeto piloto iniciado em 2010, estão os municípios de Caeté, Barão de Cocais, Santa Bárbara e Catas Altas, todos situados entre as serras da Piedade e do Caraça. Na sequência, outras regiões ainda não definidas também serão trabalhadas. A ideia é mostrar que, além dos pontos turísticos tradicionais, existem inúmeras outras possibilidades, e o melhor: todas a poucos quilômetros uma da outra.

Tradições valorizadas

Cenário de conflitos históricos como a guerra civil dos Emboadas, Caeté mostra parte de sua trajetória em seu Museu Regional, e a riqueza de seu patrimônio arquitetônico na Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, primeira construída em alvenaria de pedra no estado, considerada como um dos mais belos exemplares do barroco e do rococó. Próximo dali, a 1750 metros de altitude está o Santuário da Serra da Piedade, ponto de peregrinação e romaria. “Pensei nos 260 anos do santuário e percebi a diversidade histórica, cultural e gastronômica vivenciada aqui. Daí surgiu a ideia de resgatar pratos típicos como o frango no barro, o macarrão de natas, o arroz vermelho e o queijo do Frei Rosário, e comecei a realizar festivais de comida antiga”, diz Vani Fonseca Pedrosa, supervisora gastronômica do restaurante do santuário.
Distância da capital – 52 km

Geraldo Goulart
(foto: Geraldo Goulart)
Visita ao passado

Terra das minas de ouro e de natureza exuberante, Barão de Cocais é o destino perfeito para quem curte história e aventura. No distrito, a vila de Cocais é o retrato vivo da arquitetura colonial. No santuário de São João Batista, a obra primorosa de Aleijadinho possui altares folheados a ouro e pinturas de autoria do mestre Ataíde. No Centro de Referência Histórica, passado e presente mostram a história da cidade. A quatro quilômetros dali, na serra da Conceição, o Sítio Arqueológico da Pedra Pintada traz pinturas rupestres que datam de 6000 a.C. “É a comprovação de que diversos povos indígenas passaram por aqui e deixaram seus registros. Sinto-me honrada por esse patrimônio ter sido descoberto na propriedade da minha família”, diz a funcionaria pública Maria Elizabete Gonçalves.  
Distância da capital mineira – 93 km

Geraldo Goulart
(foto: Geraldo Goulart)
Terra do mel

“Tínhamos uma dívida histórica com o presidente Afonso Pena”, diz Sebastião Fonseca Silva (foto), presidente do Conselho de Cultura de Santa Bárbara. Primeiro mineiro a assumir o cargo de presidente, Afonso Pena teve sua memória resgatada em 2009 com a criação de um memorial em sua antiga residência na cidade. Outro atrativo local é a matriz de Santo Antônio, que possui pinturas do mestre Ataíde e é uma verdadeira obra-prima barroca. Já o tradicional mel de Santa Bárbara é produzido em construção datada do século 18. A seis quilômetros dali, em Brumal, a igreja de Santo Amaro, ornamentada com flores e anjos, é mais um belo exemplar da arte barroca. É no distrito que o projeto de estímulo à produção do artesanato local, o Projeto Tear de Brumal, tem tido sucesso. “Fizemos um convênio com o Sesi e já participamos até do Minas Trend. Com isso, o nosso trabalho foi divulgado e já temos 6 mil peças encomendadas. É a valorização do artesanato local”, diz Dulce Amara Mendes, coordenadora da Associação Comunitária.
Distância da capital mineira – 107 km

Geraldo Goulart
(foto: Geraldo Goulart)
Ouro e vinho

Das escavações nas minas de ouro no alto dos morros, veio o nome: Catas Altas. Com apenas 5 mil habitantes, hoje o município é conhecido pela produção de vinho de jabuticaba e pela paisagem extasiante das serras que o circundam. O pico do Baiano, localizado no distrito do Morro da Água Quente, é o maior de Minas Gerais, com 2.160 metros de altura. Outra grande atração na região é a ruína do Bicame de Pedra – aqueduto que levava água aos povoados. “Nossa região é extremamente rica e tem muitas maravilhas a serem descobertas”, diz o ex-prefeito José Hosken, na adega de vinhos construída em antiga senzala de propriedade da sua família, local onde também foi criado um museu com objetos do século passado.
Distância da capital mineira – 120 km

Geraldo Goulart
(foto: Geraldo Goulart)
Santuário Natural

No município de Catas Altas, a 25 quilômetros de Santa Bárbara, está o Santuário e Parque Natural do Caraça, que guarda a primeira igreja construída em estilo neogótico do Brasil e tem a presença constante de um ilustre morador: o lobo-guará. O local recebe cerca de 60 mil visitantes por ano e tem o orgulho de ter sido palco para personalidades ilustres da história brasileira que estudaram em seu antigo colégio, entre eles os presidentes da República Afonso Pena e Arthur Bernard. Entre os atrativos naturais do santuário ecológico estão cacheiras, poços, trilhas e uma paisagem indescritível das montanhas da serra do Espinhaço. Já dizia dom Pedro II: “Só o Caraça paga toda a viagem a Minas”. O padre Luiz Carlos e a bióloga Aline Cristine Lopes apoiam o investimento turístico no local. “Apesar do reconhecimento que o santuário tem como polo turístico, é sempre bom fazer parcerias para criar programas que beneficiem a toda a população”, diz o padre. 
Distância da capital mineira - 130 km

Programa Vivendo a Estrada Real – VER/Entre Serras: da Piedade ao Caraça: www.vivendoaestradareal.com.br


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