Você fala mandarim?

Não se assuste se ouvir a pergunta, seja na disputa por um emprego seja em uma viagem. Com novos países em ascensão, a exemplo da China, saber só inglês não é suficiente. Tem muita gente aprendendo idiomas que não eram comuns

por Blima Bracher 12/06/2013 15:49

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Eugênio Gurgel
O universitário Sylo Costa Neto, aluno do Green System, é fluente no inglês e estuda espanhol, mandarim e alemão: "Acho importante esse contato com outras línguas, ainda mais com a Copa" (foto: Eugênio Gurgel)
Há alguns anos, soaria até exótico alguém se matricular num curso de russo ou mandarim. Mas a ascensão de novos países no cenário econômico mundial e a facilidade de transitar de um ponto a outro do mundo mudaram esse panorama. De três anos para cá, a procura praticamente dobrou em relação a línguas faladas na Alemanha ou China, por exemplo. No Centro de Extensão da Faculdade de Letras da UFMG (Cenex-Fale), as turmas são bastante heterogêneas. “Temos desde alunos da universidade até pessoas da terceira idade. Mas, nos últimos anos, verificamos grande demanda por parte de alunos da própria universidade, muitos da área de exatas, que querem realizar intercâmbio estudantil ou de trabalho”, diz Daniel Amaral, do Cenex. Apesar de os cursos serem abertos à comunidade em geral, mais de 40% dos inscritos são estudantes da própria universidade e têm entre 19 e 25 anos.

É o caso de Daniel Carvalho, de 21 anos, aluno de engenharia mecânica. Ele já fala inglês e escolheu o alemão como terceira língua: “Quero fazer uma especialização na Alemanha, que é referência mundial na área automotiva”, diz Carvallho. “Pelo menos sete colegas da turma de faculdade também estão aprendendo.” A Alemanha se destaca atualmente nos cenários político e econômico mundial como a maior potência econômica da União Europeia e uma das maiores do mundo, fator que contribuiu com a maior demanda pela língua. “No mercado de trabalho, dominar o alemão significa apresentar um diferencial na formação profissional e uma vantagem na inserção nas inúmeras empresas de lá presentes no Brasil, como Mercedes-Benz, Bayer, Volkswagen, BASF, Thyssen-Krupp e Siemens, entre outras”, diz Fábio Cioglio, um dos diretores do curso Cultura Alemã em Belo Horizonte.

Samuel Gê
Carla Longobucco, diretora do Wizard, com alunos do curso: lá, o italiano é o idioma mais procurado, seguido do francês, espanhol e alemão (foto: Samuel Gê)
Outro fator que contribuiu para a procura por novos idiomas foi o fortalecimento de programas de intercâmbio acadêmico entre faculdades e universidades brasileiras e europeias. De olho no Ciência sem Fronteiras do governo federal, Vitor Viegas, de 20 anos, está matriculado no curso de alemão. “Quero pegar uma base aqui para depois deslanchar lá fora”, diz o estudante de engenharia ambiental, que já tem boa base também no inglês. Nayara Carolina Viana Pedro, estudante de design, 20 anos, está no segundo semestre de alemão: “O inglês hoje já é obrigatório, uma terceira língua é que faz a diferença”, diz.

Aliás, falar o inglês é outro ponto em comum entre os interessados em uma terceira ou quarta língua. “Quase 100% deles falam inglês”, diz Carla Longobucco, diretora pedagógica do Wizard BH Savassi, onde o italiano é mais procurado como terceira língua, seguido do francês, espanhol e alemão. “Como o poder aquisitivo do brasileiro aumentou muito, e ainda com a globalização, viajar tornou-se muito mais acessível”, diz Carla.

É o que se pode constatar no Green System. Alguns alunos estão lá desde crianças, mas outros já são aposentados e agora querem conhecer o mundo viajando. “De uns quatro anos para cá, aumentou a procura por outros idiomas. Nos cursos de francês, por exemplo, temos muitas senhoras que querem viajar, e nas turmas de espanhol, pessoas que querem deslanchar rapidamente em outro idioma, já que a língua é mais próxima ao português”, diz Flávia Fulgêncio, diretora do Green System. Há 40 anos no mercado, ensinando principalmente o inglês, o Green System se ajustou às novas demandas e abriu também turmas de francês, italiano e espanhol. O universitário Sylo Costa Neto, de 20 anos, começou a fazer aulas de inglês na escola aos 6 anos. Depois, estimulado pela família, matriculou-se também no espanhol, mandarim e alemão. “Acho muito importante aprender outras línguas além do inglês, ainda mais com a Copa, que é uma oportunidade única de ter contato com as delegações”, diz Sylo Neto.

Formado em administração, Henrique Delgado, de 27 anos, fez o caminho inverso de muitas pessoas que querem falar outra língua. “Fui passar férias na China, em Pequim, e acabei voltando para morar uns tempos lá. Nesse período, aprendi um pouco de mandarim e resolvi continuar o aprendizado no Brasil”, conta. A procura enorme pelo mandarim foi intensificada há pelo menos seis anos, influenciada pelo crescimento econômico da China. “É um aprendizado que requer tempo, treino e habilidade. Sabemos que ser capaz de falar um idioma exótico, como alemão ou mandarim, pode definir a contratação de um candidato”, afirma Lílian Pereira, do Luziana Lanna Idiomas. “Trabalho representa 80% dos motivos para um adulto iniciar um curso de idiomas. Os outros 20% querem aprender para viajar ”, diz Lílian.

É justamente para conhecer melhor a cultura da Suíça e se sentir mais segura nas viagens que Grasiela Carmelita da Costa Silva, 32 anos, médica do trabalho, frequenta as aulas de alemão há um semestre. “Meu namorado é suíço e  já visitei o país”, diz. No futuro, ela não descarta a hipótese de trabalhar por lá: “Primeiro, tenho de aprender mais, pois dominar o idioma abre muitas portas”, diz.

Últimas notícias

Comentários