Só a fachada ficou igual

A obra custou caro, R$ 666 milhões, mas o estádio foi todo reestruturado e adaptado ao conceito de arena multiuso, para receber, além do futebol, shows e outros grandes eventos

por Renan Damasceno 17/06/2013 14:21

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Renato Cobucci/Divulgação
Vista aérea do Mineirão após a reforma: espaço multiuso integrado ao Conjunto Arquitetônico da Pampulha (foto: Renato Cobucci/Divulgação)

Das 9 mil toneladas de aço às 717 toneladas de concreto, os números da obra de modernização do Mineirão com vistas à Copa das Confederações e Copa do Mundo impressionam. Do antigo estádio Governador Magalhães Pinto, inaugurado em setembro de 1965, apenas a fachada, tombada pelo Conselho do Patrimônio Histórico de Belo Horizonte – composto por 88 pórticos estruturais –, permaneceu intacta. Do subsolo ao restaurante panorâmico, da esplanada às dimensões do gramado, devidamente adequados ao padrão Fifa, tudo mudou.

O rebaixamento do campo em 3,4 metros melhorou consideravelmente a visibilidade nos setores inferiores (os de ingressos mais caros, onde ficam as cadeiras especiais, cadeiras VIP e camarotes). A antiga geral foi extinta, uma vez que todos os 62.120 lugares  agora têm assento numerado. A cor vermelha das cadeiras deu lugar ao branco e cinza, conferindo aspecto ainda mais renovado à arena. O custo total da obra foi de R$ 666,3 milhões.

O projeto básico foi desenvolvido pelo escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados, com a empresa alemã GMP, e o projeto executivo ficou sob responsabilidade da BCMF Arquitetos, dos sócios Bruno Campos, Marcelo Fontes e Sílvio Todeschi. A modernização do Mineirão incluiu construção de vestiários, instalação para a imprensa, sinalização com cores vibrantes, novas arquibancadas, estacionamentos e esplanada de 80 mil metros quadrados. No momento de pico, 25 arquitetos trabalharam no projeto, com mais de 5 mil desenhos produzidos para atender às diversas demandas da Fifa e aos imprevistos surgidos durante a obra.

Foram construídos novos anéis inferiores, camarotes e área VIP, além da instalação da cobertura adicional ao campo, uma membrana transparente que abrange todos os assentos. O gramado ganhou novos acessos, inclusive para caminhões – para diminuir o tempo de montagem de palcos para shows. Atendendo aos padrões dos grandes eventos esportivos internacionais, a arena tem acesso separado para público e prestadores de serviços (centenas de técnicos, operadores, carros, delegações e imprensa), de modo que eles não se cruzem.

Samuel Gê
Os arquitetos Silvio Todeschi, Marcelo Fontes e Bruno Campos, responsáveis pelo projeto executivo: "O Mineirão manteve sua personalidade", diz o arquiteto Bruno Campos (foto: Samuel Gê)
“Com a manutenção dos pórticos e a construção da esplanada, o Mineirão manteve sua personalidade e se integrou ainda mais ao complexo da Pampulha”, diz o arquiteto Bruno Campos. Segundo os arquitetos, a necessidade de se pensar um estádio novo que atendesse às exigências da Fifa em uma estrutura já existente foi o principal desafio. “O Mineirão é uma obra imprecisa, com diferenças de um pilar ao outro, vigas maiores. Tivemos de refazer fundações, por exemplo”, explica Silvio Todeschi. “Trabalhamos em uma obra no limite. Fizemos centenas de cortes e mapeamentos para estudar cada parte do estádio, pois, da parte elétrica à disposição das cadeiras, tudo precisa ser pensado de forma integrada”, diz Marcelo Fontes.

Além de futebol, o novo Mineirão promete ser um catalisador de eventos. O estádio foi adequado ao conceito de arena multiuso, que começou a ser desenvolvido na Europa e Estados Unidos no fim da década de 1990. Agora, o estádio está preparado para receber também shows e eventos de grande porte, como a passagem dos britânicos Elton John e Paul McCartney nos últimos meses.

Ter clubes fortes, como Cruzeiro, Atlético e América, no entanto, faz toda a diferença. “Apesar de ser utilizado para entretenimento e negócios, a âncora das arenas multiuso é o futebol. Cidades com um público cativo para o esporte, com times fortes, como Belo Horizonte, levam vantagem sobre outros centros sem tradição”, explica o administrador Fernando Trevisan, coordenador da Trevisan Escola de Negócios, especializada em gestão esportiva. No entanto, esse não é único fator de sucesso. “Estamos tratando de um conceito novo no país, que vai depender bastante da capacidade dos gestores. O sucesso será medido não só pela estrutura moderna, mas pela qualidade do serviço oferecido ao público. As primeiras arenas inauguradas registraram problemas, o que mostra que não dá para gerir estádio à moda antiga”, afirma Trevisan.

Raio-x

Dinheiro gasto com a obra e o que mudou

  •  R$ 11, 8 milhões do governo estadual
  •  R$ 654, 5 milhões da Minas Arena
  •  R$ 400 milhões via financiamento federal do BNDES



Capacidade

  •  62.160 assentos
  •  79 banheiros
  •  58 bares e lanchonetes
  •  47 lojas
  •  98 camarotes


Acessos

  •  106 catracas
  •  2 rampas
  •  2.925 vagas no estacionamento, das quais 1.884 cobertas


Recursos tecnológicos

  •  364 câmeras de segurança
  •  8 elevadores
  •  2 telões de 98 metros quadrados sobre os gols

 

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