A ópera em cena

Estreia mundial de superprodução no Palácio das Artes prova que a Fundação Clóvis Salgado é referência na montagem de concertos operísticos. Fedra e Hipólito reúne orquestra, solistas, coral, bailarinos e artistas de outras áreas

por Pabline Félix 17/06/2013 15:05

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Samuel Gê
O coreógrafo russo Alexander Filipov treina bailarina do Sesc Cia. de Dança: experiência adquirida no American Ballet Theater e no Ballet Bolshoi transposta para o palco do Grande Teatro do Palácio das Artes (foto: Samuel Gê)

Traição, paixões, disputas, desilusões: esses são os sentimentos retratados em Fedra e Hipólito, ópera baseada na tragédia de Eurípides, de autoria do americano Christopher Park e que tem première mundial em Belo Horizonte, em junho. A chegada à capital mineira, no entanto, tem mais a ver com amor à primeira vista do que com qualquer outra emoção. “Essa foi a primeira vez que convidei um artista que acabei de conhecer para fazer parte de um projeto cultural tão grande. Em 2009, assisti à leitura musical da peça no Mannes College of Music, em Nova York, e fiquei emocionadíssima. Estava em companhia do maestro Luiz Aguiar, experiente em montagem de óperas, e percebemos que esse era o tipo de tema ideal para ser encenado. Decidi ‘comprar a briga’ de produzir esse espetáculo no Brasil e, depois de muitos desafios, aqui estamos, às vésperas do lançamento”, comemora a mineira Lúcia Tristão, produtora, idealizadora e diretora geral do projeto.

Samuel Gê
O maestro nova-iorquino Christopher Park estreia Fedra e Hipólito e a carreira no gênero ópera: terceira vez no país e primeira em BH (foto: Samuel Gê)
Filha da artista plástica Mari’Stella Tristão, que empresta o nome a um dos oito espaços culturais do Palácio das Artes, Lúcia afirma que a escolha do palco para a estreia do espetáculo não poderia ser outra senão a do Grande Teatro, com o qual tem relação especial. “Eu fiz parte do corpo de baile que dançou na inauguração desse tablado, que é histórico e ideal para receber apresentações desse tipo”, diz a ex-bailarina. Os próximos palcos ainda não estão definidos, mas ela espera levar a peça a São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de Nova York, terra do compositor. “Possibilitar que a cena cultural da cidade tenha contato com espetáculos de nível mundial é, de alguma forma, elevar o nível da arte feita aqui. Por isso considero a realização desse evento tão importante”, afirma Lúcia.

Samuel Gê
Tecidos claros, drapeados e flexibilidade para as bailarinas: preocupações da figurinista Karema Deodato, que confecciona o vestuário das bailarinas (foto: Samuel Gê)
A principal parceira nessa tarefa foi a Associação Amigas da Cultura, que há 60 anos apoia realizadores e iniciativas artísticas diversas em Belo Horizonte. A diretora da instituição, Consuelo Máximo, diz que, além da óbvia importância de ter uma ópera estreando na cidade, os detalhes tornam Fedra e Hipólito ainda mais relevante. “Há uma série de inovações, como o diálogo com o autor e o uso de efeitos especiais, que se destacam nessa proposta. Por isso decidimos apoiar. É também a primeira ópera em toda a nossa história. A nossa expectativa é de sucesso total”, explica. A Fundação Clóvis Salgado, parceira do projeto, colabora cedendo o corpo artístico – participarão do espetáculo a Orquestra Sinfôncia de Minas Gerais e o Coral Lírico de Minas Gerais – e o espaço para a confecção dos cenários e figurinos, que tem mão de obra própria.

Samuel Gê
O diretor artístico Fernando Bicudo comemora a cocriação com Christopher Park: "É um privilégio fazer as adaptações necessárias com o próprio autor" (foto: Samuel Gê)
“Fazemos parcerias com as ‘Amigas da Cultura’ há mais de 40 anos, desde que a fundação foi criada, sempre em iniciativas importantes. Estamos muito felizes de poder, de alguma forma, apoiar essa atração. Ver um autor regendo a orquestra que executa a sua própria obra é definitivamente um privilégio”, afirma a presidente Solanda Steckelberg. A Vale é a patrocinadora do evento e investirá cerca de R$ 1,7 milhão.

Mas a grande responsável por fazer com que a ópera ganhe vida é Lúcia Tristão. Para isso, escolheu os melhores profissionais, como o premiado diretor artístico Fernando Bicudo, com passagens por instituições consagradas como a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (RJ), o Teatro Arthur Azevedo (MA), o Teatro Amazonas (AM) e o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em seu currículo constam mais de 30 óperas, entre elas a montagem Aída, de Giuseppe Verdi, que venceu o Grammy de Melhor Gravação de Ópera em 1989, com apresentação no Metropolitan Opera House de Nova York e interpretação do tenor espanhol Plácido Domingo.

Paulo Lacerda/divulgação
Solanda Steckelberg, presidente da Fundação Clóvis Salgado: "Estamos felizes por colaborar com a realização de um espetáculo único" (foto: Paulo Lacerda/divulgação)
Bicudo chegou a Fedra e Hipólito com uma incumbência nada simples: transformar a beleza da obra de Park no casamento perfeito entre cenografia, balé, orquestra e coro. E ele promete não decepcionar. “A ópera é a mãe das artes. Nasceu nos palácios reunindo dança, canto, música e artes plásticas. O meu esforço é usar todos os recursos disponíveis para valorizar a peça do Christopher e, se temos também a tecnologia a nosso favor, melhor ainda! Vamos criar uma experiência nova de ópera para o público”, afirma o diretor, que conta com a cumplicidade criativa do cenógrafo Hélio Eichbauer e do iluminador Maneco Quinderé, parceiros há mais de 20 anos, na criação do “ópera-show”. Fabio Passos e Fred Tolipan são os responsáveis pelos efeitos especiais, que serão usados principalmente na ambientação do palco. O encantamento da dança está a cargo dos bailarinos do Sesc Cia. de Dança, apoiador do evento, com coreografia de Alexander Filipov, ex-primeiro-bailarino do American Ballet Theater e originário do Ballet Bolshoi.

Samuel Gê
Consuelo Máximo, presidente da Associação Amigas da Cultura, entidade que atua como mecenas há mais de 60 anos na capital: "É a primeira ópera em toda a nossa história" (foto: Samuel Gê)
Ponto de partida para a construção da peça, o tema composto pelo estreante Christopher Park será executado pela Orquestra Sinfônica, regida por ele mesmo, e pelo Coral Lírico de Minas Gerais, sob a batuta do maestro Lincoln Andrade, titular do coral. Bicudo conta que o resultado é uma construção colaborativa entre ele e Park, novidade no ambiente artístico, já que não são muitos os autores de ópera vivos. “A peça original não possuía introdução, algo que ambientasse o público, tampouco um encerramento. Pedi ao Christopher que compusesse e ele logo providenciou. Existem preocupações de montagem que nem sempre o autor prevê e é um privilégio poder fazer essas adaptações com o próprio autor”, conta Bicudo.

Para o artista norte-americano, todo o processo tem sido motivo de alegria. “Primeiro, o convite de Lúcia. Depois, retornar ao Brasil, país da família da minha mulher [ele é casado com Karema Deodato, figurinista do espetáculo e filha de brasileiros]. Agora, ter um time tão grande e tão empenhado em trabalhar na minha peça, especialmente Fernando, é muito lisonjeiro. Eu não poderia estar mais satisfeito e feliz”, diz.

Pedro Nicoli
O encantamento da mineira Lúcia Tristão foi o ponto de partida para que Fedra e Hipólito estreie em BH: "Logo vi que era o tipo de tema ideal para ser encenado" (foto: Pedro Nicoli)


Fedra e Hipólito em números

Orçamento
Mais de R$ 1,7 milhão

No palco
58 músicos, 25 coralistas, 20 bailarinos, 12 solistas e 8 figurantes

Equipe técnica
Mais de 200 pessoas na montagem

Figurinos
Mais de 100 em cena

Não perca!


Datas
15, 18, 20 e 21 de junho, às 20h30; 16 de junho, às 19h

Local
Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro)

Ingressos
R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada), à venda na bilheteria

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