Mineirão para todos

por Bertha Maakaroun 09/08/2013 15:55

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Samuel Gê/Encontro
(foto: Samuel Gê/Encontro)
“O estádio é para todos”, afirma o advogado geral do Estado, Marco Antônio Romanelli. Passada a Copa das Confederações, Romanelli tem em mãos o cronograma das obras de adequação do Mineirão para o acesso de deficientes físicos, exigidas em ação civil pública pelo Ministério Público do Estado. “Dos 56 itens indicados, 47 já foram ou serão atendidos. Vamos acompanhar o cumprimento pela Minas Arena”, afirma. Nove dos itens exigidos não serão feitos porque não há previsão legal, explica Romanelli. O Mineirão correu o risco de ser interditado logo no início dos jogos em Belo Horizonte. A Advocacia Geral do Estado suspendeu, uma semana antes, a liminar junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que dava 30 dias de prazo para as adequações das instalações. O prazo vencia em 18 de junho, quatro dias antes do jogo entre Japão e México.

Divulgação
Professora e cientista política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) (foto: Divulgação)


2 perguntas para | helcimar telles

“Los indignados” no Brasil

Encontro – A sra. estava em Madri quando o movimento dos “indignados” ocupou Puerta del Sol e se espalhou pelo país. Além de as pessoas terem sido convocadas pelas redes sociais, quais são os pontos em comum das mobilizações na Espanha e agora no Brasil?
Helcimara Telles – Com a expansão do acesso às escolas e universidades nas democracias mais avançadas, há um desalinhamento do eleitor mais escolarizado e jovem em relação aos partidos políticos, que são os canais de representação. Esses partidos, nas democracias modernas, não conseguem mais mobilizar esse eleitor, que toma atitudes independentemente. Surgem, então, movimentos sem líderes, com diversas pautas, como ocorreu em Madri. A diferença é que na Espanha, em meio a uma crise econômica profunda, os jovens pediam democracia direta e fim da influência dos bancos na economia. No Brasil, é uma insatisfação dirigida a todos os governos, às instituições em geral, diante de uma pauta muito difusa.

Encontro – Nas ruas, estão sobretudo os filhos da nova classe média e da tradicional classe média. Saúde, educação de qualidade, fim da corrupção, tarifa zero para o transporte público, “cura gay”, questões ambientais são algumas das pautas. Em vários temas há conflitos de interesses. Que rumo político prevalecerá?
Helcimara Telles – Ainda não sabemos. Haverá a partir de agora, dentro do movimento, uma disputa entre os mais progressistas e os mais conservadores pelo controle da pauta. Na Espanha, ocorreu nas eleições, um ano depois, grande fragmentação partidária, com enfraquecimento dos partidos tradicionais, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), à esquerda, e, à direita, o Partido Popular, sucessor da antiga Aliança Popular. Novas forças surgiram, como o partido da esquerda unida e mesmo partidos mais nacionalistas. No Brasil, contudo, essa fragmentação partidária ocorreu nas eleições do ano passado, com um grande crescimento dos chamados partidos nanicos. Isso nos remete às eleições de 2010. O novo comportamento político no Brasil que aflorou entre jovens em 2010, para além dos partidos, apontou para o tripé internautas, verdes e pentecostais.

Mudança na Minas Arena

Sérgio Guimarães, que era consultor de operações da Minas Arena, substitui Ricardo Barra no comando do grupo que tem a concessão para a gestão do Mineirão por 25 anos. Barra saiu depois que o  Cruzeiro, em nota, fez duras críticas à Minas Arena, com a qual tem um contrato comercial para a utilização do Mineirão também por 25 anos. O Cruzeiro  acusou-a de “golpe vil” por ter tocado  o hino do  Atlético, quando o alvinegro venceu o campeonato mineiro. Desde o começo, a relação da Minas Arena com o Cruzeiro não foi fácil. Na inauguração do estádio, uma série de problemas levaram o governo de Minas a multar o consórcio em R$ 1 milhão. A Minas Arena está pagando a multa em cinco módicas parcelas.

Bombando

Tem sido tão  grande o interesse dos internautas em acompanhar o passo a passo das manifestações de rua em Belo Horizonte e no Brasil que o em.com.br triplicou a sua audiência na média diária e aumentou em dez vezes o número de pageviews entre 22h e meia noite.

Maria da Penha I

Em 1.100 páginas, o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) presidida pela deputada federal Jô Moraes (PcdoB) traça diagnóstico que aponta para a completa falta de estrutura, nos 26 estados e no Distrito Federal, das instituições voltadas para o atendimento à mulher vítima de violência doméstica. “A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, garantiu vários instrumentos legais de proteção à mulher. Mas, na prática, a implementação anda a passos lentos”, afirma Jô Moraes. Segundo ela, há desencontro de informações entre as delegacias e varas especializadas, coordenadorias do Ministério Público, os núcleos da Defensoria Pública e as casas de abrigamento.

Maria da Penha II

“Além de um órgão não conversar com o outro, falta pessoal, equipamentos e, ainda, não há um esforço institucional, com o conjunto de órgãos, para dar agilidade aos processos judiciais”, afirma a deputada, que acaba de assumir a coordenação da bancada feminina na Câmara dos Deputados, que tem 46 deputadas federais. “Até a medida protetiva chegar à mulher, ela já foi morta”, vaticina Jô Moraes. Nos últimos 30 anos, 91 mil mulheres foram assassinadas por maridos e namorados, das quais, 43 mil, na última década. O Brasil é o sétimo país em homicídios de mulheres com caráter de violência doméstica, segundo os registros do Sistema Único de Saúde (SUS).

Paulo Márcio/Encontro
(foto: Paulo Márcio/Encontro)


Profissionalizante

O vice-prefeito Délio Malheiros (PV) buscou o terreno em Venda Nova que pertencia à Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab-MG). Negociou a doação para a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), que, em parceria com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), programa construir uma escola profissionalizante para 1.200 alunos. O financiamento será feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). E a oferta de cursos será definida a partir das demandas da região, ainda em fase de levantamento.

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